(Outra) saída por cima da Honda a caminho?

(Joe Portlock/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Chamou a atenção a calma de Helmut Marko ao comentar a situação dos motores de Red Bull e AlphaTauri no último final de semana. “Tudo indica que vamos comprar os motores da Honda”, disse ele. Isso, mesmo depois de Renault e Ferrari terem negado a proposta de congelar o desenvolvimento dos motores ao final de 2021, quando também seria o fim do investimento da Honda na F1.

“Seria” é a palavra-chave.

Quem não entende muito bem o que uma empresa como a Honda faz na Fórmula 1 correu para dizer que “eles sempre pulam fora”. Quando os japoneses decidiram, em 2013, voltar à categoria, entenderam que o custo em pesquisa e desenvolvimento se pagaria devido aos ganhos acelerados que teriam em termos de eficiência com a unidade de potência híbrida. Com o tempo, perceberam que o sistema adotado pela categoria é tão complicado que sua aplicabilidade é discutível e passaram a pressionar por uma mudança no regulamento. Mas, como a F1 não sabe que direção tomar com o motor, não está preparada ou convencida pela eletrificação, e só vai mexer nisso para a temporada 2026, a Honda julgou que o investimento não valeria a pena. Seria torrar milhões para algo que não está no horizonte imediato da montadora.

Lógico que todas as montadoras estão na F1 para vencer. Porém, para uma empresa do tamanho da Honda, assim como a Renault ou a Mercedes, essa é só a ponta do iceberg. E o restante iceberg japonês estava, por assim dizer, derretendo.

Mas a Red Bull conhece a história: quando a Honda, em meio à crise de 2008, decidiu que o investimento de centenas de milhões na Fórmula 1 não era sustentável e decidiu sair como equipe eles, na verdade, não deixaram seu time para trás. Na época, o então diretor-técnico Ross Brawn comprou o espólio da equipe Honda por praticamente nada e garantiu que a montadora pagasse por toda a operação da temporada. Ele fez isso porque acreditava, e estava certo, que os dois túneis de vento e a incrível estrutura que tinha sido montada tinham levado o time a descobrir uma saída de um regulamento que buscava diminuir bruscamente a pressão aerodinâmica gerada pelo carro. Eles tinham descoberto uma brecha chamada difusor duplo, que levaria a equipe Brawn a um título em seu único ano de operação.

Aquilo não foi um conto de fadas, mas algo que só foi possível devido ao apoio da Honda. E é essa mesma receita que a Red Bull quer fechar com os japoneses.

O plano é o seguinte: continuar contando com o desenvolvimento da Honda até o final de 2022, quando os motores, enfim, seriam congelados, e a F1 estará (ou pelo menos espera estar) em uma posição melhor para definir de onde virão seus cavalos a partir de 2026, quando entra em vigor um novo regulamento para as unidades de potência. E até lá a FIA segura a imagem de um motor verde com o que se tem hoje (que não é nada mal, na verdade, apenas complexo demais) e os biocombustíveis, com uma crescente presença de etanol (sim, é isso mesmo que você está pensando).

Congelar o motor daqui a dois anos é algo mais factível para Renault e especialmente Ferrari, que está preparando praticamente uma nova unidade de potência para o ano que vem, e teria tempo para melhorá-la de 2021 para 2022, uma vez que não é permitido mexer em muita coisa durante a temporada. E até para a F1, dar mais um ano para o desenvolvimento dessas UPs é positivo, uma vez que, do jeito que o cenário está, é provável que só mudar o carro (como ocorrerá em 2022) não seja garantia de que a relação de forças mudará tanto assim. O motor Mercedes não tem a vantagem de outrora, mas continua sendo o mais, digamos, polivalente.

Caso o plano se concretize, mais uma vez a Honda estaria “salvando” a F1 ao sair, de um jeito que só uma empresa japonesa mesmo poderia fazer. Uma Red Bull sem motor competitivo poderia desistir dessa brincadeira de ter equipe na F1, e um piloto do calibre de Max Verstappen poderia ficar sem uma máquina à altura, ainda mais com a expectativa de que Lewis Hamilton renove por mais três anos. Porém, ao que tudo indica, não precisamos nos preocupar com isso.

4 comentários Adicione o seu

  1. Claudio Souza disse:

    Olá, Julianne! Primeiramente, parabéns pelas informações privilegiadas!
    Sobre a pauta, tenho certeza que o campeonato do próximo ano pode ser menos previsível que esse. Não sou muito fã da política da RedBull, mas acho extremamente necessária a permanência deles no jogo. É nítido que a Ferrari pode surpreender, depois desse ano de “mea-culpa” pelo acordo secreto, ao mesmo tempo que a relação de forças entre as equipes de meio-pelotão estão evoluindo muito. Mas a RedBull não pode perder sua capacidade de fazer frente às grandes, mesmo tendo o talento indiscutível de Max#33. Por isso acredito que a chave de 2021 será a Honda. Vamos observar…

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  2. Paulo Moreira disse:

    É urgente que a FIA faça algo para cativar construtores a entrar na F1 e não se pode dar ao luxo de os perder.
    A complexidade e os custos de desenvolver um motor dos padrões atuais da F1 fazem com que as marcas prefiram investir o seu dinheiro e o seu tempo noutras modalidades, principalmente na Formula E e a F1 vai ter que fazer alguma coisa para contrariar isso.
    Pode ser que com os novos regulamentos em 2022 as coisas mudem.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  3. Robson Coimbra disse:

    A F1 esta numa encruzilhada, há vários países onde a proibição da comercialização de veículos movidos a gasolina e diesel a partir de 2030 já é lei. A F1 ir para os elétricos puro como a FE é impossível, o orgulho não deixa. Acho que deixar para 2025/26 é muito longe e os combustíveis sintéticos ou o hidrogênio é a única solução a curto prazo, podendo inclusive se adaptar a tecnologia atual das UPs .

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  4. Interessante a possibilidade do uso de etanol…

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