Drops do GP do Bahrein: antes e depois

F1Pool

Quando vi que era a Haas do Grosjean que não passava na cronometragem do segundo setor e, então, era o carro que estava em chamas, a primeira coisa que me veio à mente foi a entrevista dele ao Will Buxton depois da classificação. Sentindo o desânimo de um piloto que, abertamente, tinha dito que estava até aliviado de sair da F1 porque não aguentava mais andar no fim do pelotão, ele perguntou: “you’re done, aren’t you?”, algo como “pra você, já deu, não?” e ele disse “não, não, estamos tentando tirar o máximo e blá, blá”, embora o corpo discordasse das suas palavras. E pensei como a vitória de que ele estava sentindo falta mudou completamente de sentido. Ainda bem.

Até que chega segunda-feira e os colegas me enchem de perguntas sobre Pietro. De onde veio essa superlicença? Como ele é? São histórias de se cruzam de uma maneira interessante, as de Romain e Pietro. Ambos acreditaram no projeto de Gene Haas e foram recompensados por isso. Comento sobre isso no Ju Responde dessa semana, como é bom salientar esse tipo de atitude ética que a equipe teve mais uma vez.

E falando em pessoas boas, outro personagem que ganhou “fama” no meio dessa história é o Dr. Ian Roberts. Eu não o conhecia até o GP de Mônaco de 2018. Estava com uma dor de cabeça insistente há dias, que se tornara insuportável. Depois de ouvir diversos “vai no Dr. Roberts”, resolvi, mais ou menos 1h antes de entrar no ar e 1h30 antes da largada, tentar encontrá-lo. Falei que achava que minha pressão poderia estar alta. A semblante absurdamente tranquilo dele mudou um pouco quando ele aferiu minha pressão pela primeira vez. Começou a me fazer perguntas genéricas. Aferiu outra vez. E outra. “Você disse que vai fazer a transmissão ao vivo? Que é só dor de cabeça? Você tem certeza? Não tem tontura, mais nada? Porque, se você estivesse num hospital, eu teria que te internar.” A voz seguiu doce e calma. Prometi ir ao médico na volta, e ele não se convenceu. Quis saber onde eu morava, se eu tinha cadastro no NHS (o SUS da Inglaterra). E eu não tinha. Começou com uma explicação mega detalhada de como eu conseguiria isso, até em que lugar (sim, ele foi conferir conforme meu endereço) teria que ir. Só saí de lá medicada depois que prometi mil vezes que seria minha primeira providência ao voltar.

Isso tudo deve ter demorado uns 20 minutos ou mais. E menos de 1h depois ele estava no grid se preparando para, caso necessário, salvar a vida de algum piloto nas ruas de Mônaco. Eu, lá com minha teimosia de workaholic assumida, me senti tão bem tratada como qualquer um deles. 

Depois desse dia, não teve um dia sequer que o Dr. Roberts me viu e não perguntou como estava a pressão (seguido de um “você tem certeza?”, porque ele tem motivos para não acreditar muito em mim!) 

Antes da corrida…

“Vamos lá, Max, manda ver. Nós precisamos de você!”

Esse foi Lewis Hamilton na coletiva de sábado quando perguntado sobre os pneus de 2021. Queria que Max, que estava ao seu lado, criticasse abertamente a Pirelli para conseguir o que a maioria dos pilotos quer: ficar com os mesmos pneus para o ano que vem. Pelo que Daniel Ricciardo contou, os pilotos foram muito claros (mas muito mesmo) em relação a sua opinião sobre o pneu na reunião de sexta-feira, que conta também com representantes das equipes, FIA, F1 e com a própria Pirelli.

Mas qual é o drama? As equipes barraram a introdução de novos pneus da Pirelli para 2020, sob a justificativa de que eles não eram bons o bastante e eles focariam no desenvolvimento do carro de 2021 de qualquer maneira, e não queriam desperdiçar recursos tentando entender outro tipo de pneu com o qual só correriam neste ano. Veio a pandemia, tudo foi atrasado por um ano, e vieram os estouros de pneu de Silverstone para escancarar que manter o produto por uma terceira temporada, com os carros evoluindo, seria temerário.

E então a Pirelli começou a desenvolver um pneu a toque de caixa, testando-o pela primeira vez em Portimão, num circuito sobre o qual tinha poucas referências (menos ainda com o asfalto novo), e agora pela segunda vez no Bahrein. Os compostos são os mesmos, mas eles fortaleceram a construção, o que gerou um aumento de peso de 2.8kg por jogo.

A resposta dos pilotos foi muito negativa e eles agora pressionam para que se continue com os mesmos pneus ano que vem. Perguntei a Ricciardo sobre a questão da segurança, além do fato de que a Pirelli, inevitavelmente, vai ter que aumentar a prescrição de pressão para proteger seus pneus, o que gera superaquecimento e congela (por mais que possa parecer um contraponto) as disputas na pista, porque um piloto não pode chegar muito perto do outro. E ele disse “sim, você tem razão, ninguém quer que as pressões aumentem, mas o passo que eles deram na direção errada foi tão grande, que a gente prefere isso a trocar para o pneu novo.”

A Pirelli se defende dizendo que os carros não estão otimizados para estes pneus, e os pilotos sentem muito a diferença por conta disso (o que provavelmente é aumentado pelo fato de a construção em si ser diferente). Mas os pilotos garantem que estão levando isso em conta. Vamos ver quem ganha essa briga.

3 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Ontem foi a primeira vez que ouvi falar no doutor Ian Roberts, o que acabava por ser um bom sinal. Afinal são essas pessoas que nós sabemos que estão lá, mas não queremos ouvir falar delas.
    Sobre os novos pneus. Os pilotos e as equipas, nunca gostam de novas mudanças, principalmente os da frente e mudanças com os pneus gera sempre alguma polémica. Vamos ver o que vai acontecer.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  2. Sávio disse:

    Excelente Julianne, ja esperando a próxima reportagem. não esqueça de colocar o link no Twitter

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    1. É automático 😉
      Tem uma preparada para amanhã cedo

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