GP de despedidas

Ferrari

O GP que encerrou a temporada 2020 da Fórmula 1, e que teve vitória de Max Verstappen, foi marcado por muitas despedidas e mensagens de agradecimento. E a mais marcante acabou sendo justamente na relação que termina com mais decepções: Sebastian Vettel teve o cuidado de compor a letra de uma música, em italiano, carregá-la escrita em um papel consigo durante a corrida e cantá-la via rádio para a equipe após cruzar a linha de chegada em um melancólico 14º lugar.

A canção foi escolhida a dedo: “Azzurro”, famosa na voz de Adriano Celentano, é uma música dos anos 1960 que acabou virando quase um segundo hino italiano e é muito usada em comemorações esportivas. Na versão de Vettel, ele diz que ter gostado de estar com a “equipe vermelha apaixonada”, e que “sentir a energia do time foi uma sensação extraordinária.” Agradeceu a todos os funcionários e desejou que “sejam felizes e estejam com saúde.”

O alemão explicou por que decidiu encerrar sua carreira na Scuderia dessa forma. “Toda vez que eu tinha um bom momento com a Ferrari, por algum motivo, começava a cantar. Então achei que seria uma boa maneira: cantar pela última vez. E a música que escolhi é muito popular. Mudei a letra, então tomara que não tenha problemas com os direitos autorais!”, brincou. “Achei que era uma boa maneira de agradecer à equipe.”

A corrida de despedida depois de seis temporadas, 55 pódios, 14 vitórias e 12 poles positions foi um desenho da temporada, com Vettel largando fora do top 10, e terminando sem pontuar mesmo com uma estratégia diferente. O tetracampeão irá para a Aston Martin no ano que vem.

A despedida mais dolorosa, contudo, foi de Sergio Perez, que vai sair da equipe, que hoje é a Racing Point, para dar lugar a Vettel. O mexicano largou em penúltimo por ter trocado de motor e foi justamente a unidade de potência que falhou logo no início da corrida e fez com que a história do piloto na equipe terminasse com um abandono. E a emoção de alguns mecânicos com o resultado é fácil de explicar: todos queriam que Perez tivesse um bom resultado em sua última prova (que também pode ser sua despedida da F1) especialmente depois que o piloto foi fundamental para salvar a equipe no processo de administração de 2018.

Fora da F1 ano que vem, Kevin Magnussen e Daniil Kvyat também saíram do GP de Abu Dhabi sem pontos. O dinamarquês, penúltimo, aproveitou para dar zerinhos com a Haas e disse que estará torcendo pela equipe no futuro. E o russo agradeceu por “mais uma temporada intensa” na AlphaTauri. Ele não fez uma despedida oficial porque sua saída não foi confirmada, mas a expectativa é de que seu cockpit fique com o japonês Yuki Tsunoda.

Adeus com festa para Sainz

McLaren

Daniel Ricciardo também foi bem em sua última corrida pela Renault. O australiano, que vai ocupar a vaga de Sainz ano que vem, largou em 11º e terminou em sétimo. E de quebra, deixou uma última boa impressão na equipe: “Eu forcei muito para fazer a volta mais rápida, para que a minha última volta na Renault fosse a volta mais rápida da corrida, e consegui”.

A temporada da Fórmula 1 acabou tendo 17 etapas ao invés das 22 inicialmente previstas por conta da pandemia. Mas a categoria tem planos ambiciosos de fazer 23 provas ano que vem, começando em março na Austrália.

3 comentários Adicione o seu

  1. André Alves disse:

    Bacana essa iniciativa do Vettel, mesmo com todos os problemas e até mesmo com um certo desprezo da Ferrari em relação a si, foi bastante profissional, dentro do possível, sem criar polêmicas desnecessárias.

    Não o conheço nos bastidores e, muitas vezes, entrevistas e declarações previamente elaboradas mascaram arrogância de diversos pilotos, mas ele realmente parece ser uma ótima pessoa. Torço pelo seu sucesso na Aston Martin.

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  2. Paulo Moreira disse:

    Não gosto da última corrida por causa das despedidas. Ao longo de quase um ano, por vezes até mais anos, seguimos os pilotos e acaba por se criar uma ligação com eles e quando se despedem é sempre triste.
    Mas foi um ano de muitas emoções. Começou com o GP da Austrália cancelado em cima da hora e depois com todos aqueles Grandes Prémios cancelados e que colocaram o campeonato em risco. Finalmente a temporada começou em Julho lá na Áustria e tivemos corridas quase todos os fins de semana. O campeonato foi evoluindo, com algumas corridas bem animadas e outras inesperadas.
    Para mim o ponto alto, logicamente que foi o regresso da F1 a Portugal, em que não podia deixar escapar a hipótese de ver uma corrida ao vivo pela primeira vez.
    Apesar do domínio da Mercedes e do Lewis Hamilton, acho que acabou por ser um dos melhores campeonatos dos últimos anos.
    Deixo aqui o meu muito obrigado à Julianne Cerasoli mas também a todos os que fazem com que a F1 chegue até nós, os simples espectadores.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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    1. Eu que agradeço pelos comentários que sempre agregam algo. Muito obrigada, Paulo.

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