Drops do GP de Abu Dhabi: Hamilton de volta, Nikita, GP Brasil

Dizem que em time que está ganhando, não se mexe (Foto: Mercedes)

Chamou a atenção a reação de Lewis Hamilton a ter George Russell em seu carro. Na quinta-feira em Sakhir, os repórteres da Fleet Street (rua famosa por ter vários jornais diários, principalmente os tabloides) tentavam tirar de George informações sobre alguma conversa entre os dois sobre a chance que o piloto de 22 anos teria. Ficou claro que ele tentava se esquivar sem causar uma má impressão, citando uma conversa após a corrida de Imola.

Ao longo do final de semana, George disse que Lewis tinha mandado uma mensagem falando: “Cuide bem do meu carro”. Em Abu Dhabi, nada (de acordo com o próprio George). Depois, foi óbvio o esforço do heptacampeão de voltar o mais rápido possível. Imagine como seriam os meses de especulação, sem muita notícia de verdade na F1, se Russell vencesse em Abu Dhabi? Até mesmo para mostrar seu comprometimento para a equipe e patrocinadores enquanto acerta os detalhes do novo contrato, ele não daria essa chance. 

Isso, claramente sem estar totalmente recuperado, mas a equipe deixou nas mãos dele a decisão de voltar ou não. Não deve ter sido uma decisão fácil. Quem teve covid sabe que você tem, algumas vezes, a sensação de estar recuperado, até seus níveis de energia se esgotarem de uma hora para a outra. É difícil julgar.

De qualquer maneira, em Abu Dhabi, Hamilton seria perguntado sobre Russell na quinta, mas ainda estava lidando com as várias regras de Bahrein e Abu Dhabi – que foram flexibilizadas para ele, como adiantei aqui semana passada. Na sexta, só um jornalista (Will Buxton) fala com ele, por uns dois minutos, mais sobre o treino livre. No sábado, seria a primeira chance. E ele saiu em defesa de Bottas, dizendo que o finlandês o pressiona na pista e tem uma relação muito profissional com ele fora dela. E ainda deu uma alfinetada. Quando Verstappen estava falando da volta dele, jogou, do nada, um “essa pista é bem mais difícil do que a da semana passada!”. E o holandês concordou.

Hamilton estaria preocupado em perder a vaga ou todo o prestígio que construiu em oito temporadas na equipe? Óbvio que não. Num esporte contado nos milésimos de segundo, qualquer milímetro é brecha. E ele a fechou.

A temporada foi bem mais curta mas o ano foi tão “longo” que deu tempo de a McLaren ir do pedido (negado) de um empréstimo milionário na Inglaterra até a venda de ações do time para um grupo de investidores norte-americanos, a MSP Sports Capital, que também investe na NBA, MLB, ESPN, entre outros. Eles ficarão com 15% da equipe inicialmente, e chegarão a 33% das ações em 2022. 

Eles começaram o ano como uma das três equipes mais ameaçadas do grid, juntamente com Williams e Haas. A Williams acabou encontrando (também na América) um comprador, e a Haas acabou se rendendo ao investimento de Mazepin. É por isso que, quando perguntado por Andrew Benson, da BBC, de forma muito bem colocada, quais seriam as consequências para Nikita tendo em vista que “um comportamento desses levaria à demissão em qualquer empresa séria”, Guenther Steiner não tinha muito a dizer. Pilotos perderam o emprego por menos porque os patrocinadores retiraram o apoio. O papai não vai fazer o mesmo.

De qualquer forma, o silêncio da grande maioria dos jornalistas brasileiros nas mídias sociais foi notado. No mundo mais civilizado, não foi assim.

Por fim, vocês notaram que o GP do Brasil não foi confirmado pela F1? Ao que parece, o calendário de 2021 ainda está no forno (e não tem outro jeito mesmo, já que também será um ano de pandemia, com a diferença que o mundo dos eventos esportivos aprendeu a lidar melhor com ela). Sobre o Brasil, o que o governo de São Paulo tinha informado era que o contrato seria assinado após a eleição. Mas estava realmente estranha aquela história de uma negociação relâmpago, já que havia muitas arestas entre F1 e Interlagos. São estas arestas que estão sendo aparadas ainda, embora haja um acordo em princípio e o mais provável é que a corrida siga adiante. Com Austrália e China ainda com fortes restrições para quem vem de fora e a grande dúvida do Vietnã, depois de se virar para conseguir fazer 17 provas em 2020, um feito e tanto, o pessoal da Liberty não vai ter muito refresco nos próximos meses.

(Vindo do futuro para atualizar, no final das contas minha informação estava alguns dias atrasada. O contrato foi assinado logo antes do GP de Abu Dhabi. Mas de qualquer maneira havia, mesmo, arestas a serem aparadas e por isso houve esse mês a mais de negociações)

4 comentários Adicione o seu

  1. Eric Bernardes dos Santos disse:

    Claramente o hamilton se incomodou pelo fato do russell ter andado tão bem, superando o bottas sem conhecer o carro, acho que ele não esperava isso. Hamilton é um gênio e sua história mostra isso, porém não acho que ele é tão pressionado pelo bottas assim, no máximo em qualificação, mas bottas, apesar de ser bom, não está a altura do carro que ele tem, e hamilton quer o mínimo de concorrência na equipe, o que é ótimo para ele, só que é péssimo para os fans.

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  2. João Armonia disse:

    Conspiranóico que sou posso acreditar que o “erro” dos pneus trocados foi tipo: De Toto para Bono: “Ok, o cara dá conta de tocar a máquina, agora apaga a possibilidade de vitória do garoto!”

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  3. Paulo Moreira disse:

    E lógico que o Hamilton, depois de ver a excelente prestação do Russell, quis voltar o mais rápido possível para não dar outra oportunidade ao jovem britânico.
    Agora eu já estou ansioso para ver o que o Bottas vai fazer no próximo ano. Ou luta taco a taco com o Hamilton, o que eu não acredito, ou então o mais certo é ver o Russell a ficar com o seu lugar.
    Já a McLaren, acabou por ter um ano muito bom. Começou por atravessar grandes dificuldades mas encontrou o bom caminho e resta esperar que esse mesmo caminho a leve ao sucesso e que seja acompanhada pela Williams que este ano, pela primeira vez na sua história, não marcou pontos.
    Dificuldades que a Ferrari também teve. Este ano a equipa italiana não liderou nenhuma volta, o que aconteceu pela terceira vez na sua história. A primeira foi em 1973 e a segunda em 1992.
    O Nikita teve aquela atitude lamentável e só não foi despedido porque levou para a Haas uma mala bem pesada.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  4. Robson Coimbra disse:

    Lewis sentiu o efeito Russel, voltou correndo para não dar mais asas a imaginação do público e abafar o “com esse carro 90% do grid vence” dito por Max. O Lewis é ótimo, mas sem esse carro não teria tantas vitórias, o Bottas é mediano, esta na equipe para ajudar o Hamilton.
    Quanto ao Nikita foi muito mi mi mi, a garota é sua amiga de muitos anos e foi uma brincadeira, de mal gosto, mas uma brincadeira.
    O saco maior é a patrulha ideológica que vem dizer o que você deve ou não fazer, ou até comer, um saco!!!

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