Amor e ódio entre a F1 e os pilotos pagantes

(Racing Point)

Do alto dos seus 17 aninhos, João Pedro Lima traz para a gente um texto que transborda informação sobre um tema que, não por acaso, volta e meia volta à tona. E por que isso acontece? Porque equipe nenhuma vai dispensar uns milhõezinhos de dólares. E isso não é necessariamente ruim para o esporte.

Nesses 70 anos da F1, o dinheiro por meio de patrocínios, por vendas de produtos e pelo promotores de corridas sempre fez parte da Fórmula 1. Mas um dos principais meios de manter a categoria e principalmente as equipes, são os famosos e polêmicos “pay drivers”. Nos anos 90, era praticamente normal um piloto qualquer de turismo e de família rica pagar cerca de 300 mil euros em uma vaga em uma Simtek ou na Andrea Moda da vida e fazia um GP qualquer e às vezes nem se classificava para a corrida.

Nos anos 2000, a FIA viu essa situação insustentável e começou a mudar regras da superlicença da F1, onde só pilotos com superlicença poderiam correr na F1, mas isso não acabou com os nossos adoráveis pilotos pagantes. Tivemos casos de Rio Haryanto, Sergey Sirotkin e principalmente Lance Stroll, seu pai, Lawrence Stroll, que comprou a vaga na Williams para seu filho e que depois comprou a Force India após grave crise financeira. Rio e Sergey não tiveram sorte e não mostraram talento, onde Haryanto não marcou pontos e Sirotkin, apenas 1.

Lance Stroll se destaca mais, no seu primeiro ano, em 2017, teve um pódio e boas atuações na chuva, com um 2° lugar na qualificação para o GP da Itália, terminou em 12° no campeonato e apenas 3 pontos atrás do experiente Felipe Massa, 2018 não foi um bom ano, nem técnico e nem pela equipe, marcou 6 pontos e foi 18° no campeonato, 2019 veio e também com mudança de equipe, com seu pai comprando a Force India e rebatizando de Racing Point, Lance foi para uma equipe com mais futuro que a Williams. A temporada não foi boa, triturado por Pérez, Stroll fez 21 pontos enquanto Pérez fez 52. Mas em 2020 a mudança veio, dois pódios, 75 pontos e em 11° no campeonato e uma pole no GP da Turquia, em 2021 promete mais, com a mudança de nome para Aston Martin e tendo o tetracampeão Sebastian Vettel como companheiro de equipe.

  Mas ser piloto pagante significa piloto ruim ou fraco? E eu respondo que não. Outros exemplos no atual grid é de Sérgio Pérez, o piloto mexicano é patrocinado pela Telcel do México e com esse patrocínio fica até hoje na F1, mas o melhor exemplo de piloto pagante é de Michael Schumacher.

Schumacher era piloto de carros de protótipo da Mercedes e teve uma oportunidade na Jordan, logo depois de Bertrand Gachot (piloto da Jordan) ser preso em Londres, a Mercedes pagou 150 mil euros para a Jordan e Schumacher fez sua estreia no GP da Bélgica de 1991 e conseguindo um ótimo 7° lugar, mas sua Jordan deu problema no início da corrida e teve que abandonar, logo depois desse bom fim de semana, Flavio Briatore, da Benetton, contratou Michael para sua equipe e no mesmo GP da Bélgica, só que agora em 1992, Schumacher vencia seu primeiro GP e terminava à frente de Aryton Senna no campeonato. Em 1994, Schumacher se tornaria campeão do mundo pela Benetton e em 1995 o bicampeonato, em 1996, Michael se mudou para Ferrari e de 2000 á 2004 construiu uma hegemonia, com 5 títulos de pilotos e 5 de construtores para a Ferrari.

  Outro bom caso de piloto pagante é o tricampeão Niki Lauda, onde essa história é contada no filme “Rush: No Limite da Emoção”. Niki tentou apoio de seu pai, mas foi negado e foi buscar um empréstimo de 2 milhões de francos austríacos para ter uma vaga na March só por uma corrida em 1971 e só no próximo ano fez uma temporada completa, se mudou para a BRM em 1973 e em 1974 foi para a Ferrari onde conseguiu suas primeiras vitórias e dois de seus títulos (1975 e 1977), foi para a Brabham em 1978 e ficou até 1979, com apena uma vitória nesses dois anos e tirando dois anos sabáticos (1980-81) e voltando em 1982 para a McLaren e conquistando 8 vitórias e sendo campeão em 1984 com 0,5 ponto de diferença para seu companheiro Alain Prost.

Niki se aposentou na temporada seguinte do seu tri, voltou para a Fórmula 1 ser consultor técnico na Ferrari nos anos 90, em 2001 foi contratado pela Jaguar como diretor técnico e demitido em 2003, e em setembro de 2012, Lauda foi nomeado presidente não executivo da Mercedes e foi crucial para trazer Lewis Hamilton para a equipe alemã e construir uma dinastia que começou em 2014 e até hoje não acabou, mesmo depois da sua morte, em maio de 2019, a Mercedes continuou dominante em 2019 e 2020 e promete seguir a maior hegemonia da história da Fórmula 1 em 2021.

Pilotos pagantes são importantes para a categoria, para manter as equipes vivas e quem sabe, ter um novo Michael Schumacher ou um novo Niki Lauda. Alguns pilotos tiveram apoio dos pais, outros tiveram uma Ferrari, Mercedes, Red Bull, McLaren ou uma Renault financiando suas carreiras e outros com apoio do governo ou de empresas privadas. Ser pagante ou não, não define a habilidade do piloto, mas às vezes causa injustiças e cria facilidades para esses pilotos com aporte financeiro.

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