Hora de dar uma chance para a F2

(Joe Portlock / LAT Images)

Ler esse texto carregado de dados tão bem compilados e ilustrados pela Victoria Ferraz me levou de volta ao início deste blog. Como eu nunca tinha pisado em um paddock na vida, julgava que não cabia a mim analisar conjunturas, já que me faltavam informações para ter uma base sólida para fazer isso. Então eu focava em números para ter algo objetivo como ponto de partida. Mas eu nunca fiz um gráfico interativo tão detalhado como este!

A Fórmula 2 é a principal categoria de base da Fórmula 1 e teve em 2020 a temporada mais disputada de sua nova era. Em 2017, a categoria mudou seu nome de GP2, como era conhecida antes, para Fórmula 2 (F2). E em 2018, teve a atualização de seus carros para o modelo atual, Dallara F2 2018. Já nesse ano de 2020, foram apresentados os novos modelos de pneus de 18 polegadas, que também ajudariam a Pirelli a estudar melhor os novos pneus da F1 para 2021.

Portanto, a F2 é considerada o grande teste para os pilotos que querem chegar à Fórmula 1. Atualmente, é praticamente obrigatório que os pilotos passem por essa categoria. Inclusive, porque as corridas acontecem nas mesmas pistas e nos mesmos finais de semana dos GPs da F1. Fazendo com que essa seja a grande “vitrine” para que os pilotos possam ser vistos pelas equipes da F1 com mais facilidade.

Diversas equipes de Fórmula 1 tem programas de jovens pilotos e equipes juniores, para correrem nas categorias de base e se desenvolverem para tentar chegar à F1. Como por exemplo, a Ferrari Driver Academy (FDA) e o Red Bull Junior Team. Eles não possuem equipes especificamente na F2, mas normalmente se associam a certas equipes da categoria, para que seus pilotos tenham certa prioridade. 

Desde que se tornou Fórmula 2 em 2017, a categoria teve algumas boas disputas e formou alguns dos ótimos jovens pilotos que temos na F1 hoje em dia. Como Charles Leclerc, campeão de 2017 e atualmente um dos principais pilotos da categoria na Ferrari. E George Russell, campeão em 2018 e atualmente principal piloto da Williams, considerado a grande promessa (praticamente realidade) da Mercedes. Assim como não podemos esquecer de Lando Norris e Alex Albon, que foram respectivamente segundo e terceiro colocados também em 2018, e estão em grandes equipes. O único campeão recente a não ser promovido para a F1, foi Nyck De Vries em 2019, que é piloto da academia Mercedes e atualmente corre pela equipe na Fórmula E. Dessa forma, é possível notar a enorme importância que a categoria tem em formar os pilotos das novas gerações.

Resumidamente, a F2 tem um formato bem simples de disputa. Na sexta-feira são feitos o treino livre único e o treino de classificação, com a pole position valendo 4 pontos. No sábado, temos a Feature Race, que é a corrida principal, sendo ela a mais longa e com a pontuação seguindo os moldes da F1, onde os 10 primeiros pontuam (25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1). E no domingo, é realizada a Sprint Race, uma corrida mais curta, sem pit stop obrigatório, onde o grid de largada é definido pela classificação da Feature Race (do 1º ao 8º invertem-se as posições e do 9º em diante mantem-se o mesmo) e com pontuação apenas para os 8 primeiros (15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1). Além disso, em ambas as corridas, os pilotos que fizerem a melhor volta e terminarem entre os 10 primeiros, recebem 2 pontos extras.

A temporada 2020 pode ser considerada a melhor e mais competitiva da nova era da categoria, contando com 24 corridas nos 12 rounds em 8 países diferentes, 11 equipes e 26 pilotos inscritos no total. E para demonstrar isso, desenvolvi uma visualização com uma série de gráficos interativos.

Gráfico

Descrição gerada automaticamente

Relação de Equipes e Pilotos:

ART Grand Prix – Marcus Armstrong e Christian Lundgaard

BWT HWA Racelab – Artem Markelov, Giuliano Alesi (até o round 9), Jake Hughes (apenas para o round 10) e Theo Pourchaire (para os rounds 11 e 12)

Campos Racing – Guilherme Samaia, Jack Aitken (até o round 11) e Ralph Boschung (apenas para o round 12)

Carlin Motorsport – Yuki Tsunoda e Jehan Daruvala

Charouz Racing System – Louis Deletraz e Pedro Piquet

DAMS – Dan Ticktum, Sean Galael (para os rounds 1 a 6 e 11 a 12)

Hitech Grand Prix – Luca Ghiotto e Nikita Mazepin

MP Motorsport – Felipe Drugovich, Nobuharu Matsushita (até o round 9) e Giuliano Alesi (para os rounds 10, 11 e 12)

Prema Racing – Mick Schumacher e Robert Shwartzman

Trident Racing – Roy Nissany e Marino Sato

Uni-Virtuosi Racing – Callum Ilott e Guanyu Zhou

Mick Schumacher consagrou-se campeão apenas na última corrida da temporada. Após termos 3 líderes diferentes durante o campeonato, 12 vencedores diferentes de corridas, com 16 pilotos diferentes subindo ao pódio. Além disso, tivemos diversas mudanças nos 10 primeiros colocados durante o campeonato, com destaque para o top 5, que teve pilotos de 4 equipes diferentes.

Classificação Final de Pilotos: 

1Mick SchumacherAlemanha215
2Callum IlottReino Unido201
3Yuki TsunodaJapão200
4Robert ShwartzmanRússia177
5Nikita MazepinRússia164
6Guanyu ZhouChina151.5
7Christian LundgaardDinamarca149
8Louis DeletrazSuíça134
9Felipe DrugovichBrasil121
10Luca GhiottoItália106
11Dan TicktumReino Unido96.5
12Jehan DaruvalaÍndia72
13Marcus ArmstrongNova Zelândia52
14Jack AitkenReino Unido48
15Nobuharu MatsushitaJapão42
16Juri VipsEstônia16
17Giuliano AlesiFrança12
18Artem MarkelovRússia5
19Roy NissanyIsrael5
20Pedro PiquetBrasil3
21Sean GelaelIndonésia3
22Marino SatoJapão1
23Jake HughesReino Unido0
24Guilherme SamaiaBrasil0
25Ralph BoschungSuíça0
26Theo PourchaireFrança0

Fonte: fiaformula2.com

Um dos principais destaques deste ano, foram os “rookies” (estreantes), que ganharam diversas corridas e foram melhores do que muitos veteranos. Os que mais se destacaram foram Yuki Tsunoda com 3 vitórias e 7 pódios, Christian Lundgaard com 2 vitórias e 6 pódios, Robert Shwartzman com 4 vitórias e 6 pódios, e Felipe Drugovich com 3 vitórias e 4 pódios.

A disputa de equipes teve grande vantagem da Prema, com a Uni-Virtuosi em 2º e Carlin em 3º. O midfield foi bem disputado entre 5 equipes, com destaque para o desempenho da MP, uma equipe mediana, que teve um excelente ano.

Classificação Final de Equipes:

1PremaItália392
2Uni-VirtuosiReino Unido352.5
3CarlinReino Unido272
4HitechReino Unido269
5ARTFrança201
6MP Holanda167
7CharouzRepública Checa137
8DAMSFrança115.5
9CamposEspanha48
10HWAAlemanha13
11TridentItália6

Fonte: fiaformula2.com

Uma análise interessante, é a do desempenho dos pilotos em relação às suas posições finais, considerando apenas as corridas em que eles cruzaram a linha de chegada. Em média, os melhores são: 

Mick Schumacher – 5.48

Callum Ilott – 6.05

Robert Shwartzman – 6.55

Nikita Mazepin – 6.83

Guanyu Zhou – 6.91

Porém, para realizar uma análise mais especifica, podemos levar em consideração as 2 corridas de cada round de forma separada. Por exemplo, nas Feature Races, os maiores pontuadores em média foram: 

Yuki Tsunoda – 14.64

Callum Ilott – 14.36

Mick Schumacher – 12.73

Nikita Mazepin – 10.73

Robert Shwartzman – 10.64

Já nas Sprint Races, os maiores pontuadores em média foram: 

Mick Schumacher – 6.82

Christian Lundgaard – 6.55

Louis Deletraz – 6.36

Robert Shwartzman – 5.45

Guanyu Zhou – 4.95

Com isso, podemos notar o quanto é importante que os pilotos tenham consistência em ambas as corridas, para que possam se manter no topo do campeonato.

Se analisarmos os 2 pilotos que disputaram o campeonato até o final, Mick Schumacher e Callum Ilott, podemos perceber o quão consistentes ambos foram durante a temporada. Com a diferença que Schumacher não começou bem, mas foi melhorando a cada corrida, deixando de pontuar em apenas 3 ocasiões, com 2 vitórias e 10 pódios. Enquanto Ilott nunca ficou fora do top 2 durante toda a temporada e conseguiu 3 vitórias e 6 pódios. No final, o desenvolvimento contínuo e a regularidade de Schumacher fizeram com que ele fosse o grande campeão.

Existem diversas outras análises que podem ser feitas para demonstrar o quão disputada foi essa temporada 2020 da Fórmula 2. Contudo, acredito que esse pouco seja suficiente para mostrar que essa categoria tem tudo para nos proporcionar um entretenimento enorme, às vezes ainda mais divertido do que a Fórmula 1, com as suas loucuras e sua imprevisibilidade.

Por fim, gostaria de lembrar que Mick Schumacher (Haas), Yuki Tsunoda (AlphaTauri) e Nikita Mazepin (Haas) farão parte do grid da Fórmula 1 em 2021, mostrando o quão importante essa categoria é para o desenvolvimento dos pilotos e abrindo ainda mais espaço para novos rostos na Fórmula 2.

Espero que mais pessoas possam acompanhar a próxima temporada da F2, pois 2021 tem tudo para ser ainda melhor que 2020. Ainda mais, porque teremos um brasileiro, Felipe Drugovich, correndo por uma das melhores equipes, Uni-Virtuosi Racing.

3 comentários Adicione o seu

  1. sanluizvar disse:

    Olha que pode ter aparecido uma nova Julianne Cerasoli. Tá bem escrito o texto. Gostei. Abs

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  2. Leo Nogueira disse:

    Texto muito bem escrito. Tomara que esse novo conjunto de regras pra 2021 não mate a F2 (as regras estão estranhas demais, o grid invertido e depois reinvertido, o pole que larga em 10º já na corrida 1… essas loucuras que fizeram.

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  3. Sensacional análise, Victoria.
    Já vou reservar a F2 na minha agenda.
    Eu já tinha visto algumas corridas.
    Agora você despertou o eu desejo para ver todas.

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