Quem é quem na temporada 2021 da F1: McLaren

É fácil entender por que há muita atenção em cima da McLaren em 2021: eles vêm em franca ascensão nos últimos anos – do nono lugar em 2017 para o sexto em 2018, o quarto em 2019 e terceiro em 2020 – têm o motor Mercedes de volta, fecharam um acordo financeiro importante no final do ano passado, atraindo novos investidores, e têm um novo piloto a bordo que sabe o que é vencer corrida na F1.

Então isso quer dizer que a McLaren que pinçou vários top 5 em 2020 pode se tornar figurinha fácil entre os três primeiros e começar a pensar em voltar a vencer depois de quase 10 anos?

Há algumas coisas a considerar antes disso.

A McLaren teve de desistir de suas fichas de desenvolvimento para 2021 em troca de receber a permissão de fazer tudo o que era necessário para adaptar seu carro para passar do motor Renault para o Mercedes. Isso foi feito sob supervisão da FIA para evitar que o time tentasse tirar qualquer vantagem com as mudanças e impactou diretamente o trabalho em 2020, já que eles tiveram que homologar todo o resto que seria usado em 2021 gastando as fichas do ano passado. Não é por acaso, por exemplo, que no final de agosto a McLaren já estava testando, na pista, a primeira versão do assoalho que será usado neste ano: houve um trabalho muito complexo para identificar as prioridades do curto e médio prazo, e evitar que os problemas só apareçam depois que a temporada 2021 começar (quando o foco já estiver mudando para o carro totalmente novo de 2022).

Então, se houver algo na sensível parte traseira do carro que não estiver funcionando bem, ou que só depois a equipe perceba que traz algum prejuízo para o rendimento aerodinâmico, não será possível voltar atrás.

Embora a McLaren tenha mantido o mesmo nome MCL35 (que ganhou um M no final por conta do motor Mercedes), é quem mais teve que mexer no projeto de 2020 para 2021. Toda a área de arrefecimento, a parte eletrônica e a caixa de câmbio tiveram de ser revistas. E, sempre que isso é feito, há riscos.

O investimento do grupo MSP Sports Capital, que se tornou acionista da McLaren ano passado vai superar 1.3 bilhão de reais (185 milhões de libras) até o final de 2022

Para se ter uma ideia, enquanto Christian Horner dizia no final do ano passado que 60% do carro da Red Bull seria continuado em 2021 (o que é um número bastante alto para os padrões da F1), o diretor de produção da McLaren, Piers Thynne falava em ter tantas peças novas de 2019 para 2020 quanto de 2020 para 2021.

Mas o quão boa era a base do MCL35 antes dele se tornar o MCL35M? Definitivamente, não boa o suficiente para o terceiro lugar entre os construtores, já que o carro era definido por ambos os pilotos como complicado e até meio temperamental, funcionando de forma diferente dependendo de quão pesado estava. Pesou a favor da McLaren o fato de as diferenças entre as equipes do segundo pelotão terem sido mínimas e a eficiência na execução nas classificações, largadas, estratégias (nos pit stops, um pouco menos), um update no meio do campeonato e a qualidade da dupla de pilotos.

Para 2021, contudo, ao mesmo tempo em que a McLaren tem o potencial de crescimento com o motor Mercedes, a Aston Martin vem com a traseira da Mercedes de 2020 e a Ferrari chega com seu novo pacote de motor e suspensão, pelo menos em teoria subindo o sarrafo nessa briga.

A McLaren está bem posicionada (e é preciso também citar o excelente gestor Andreas Seidl, que ajudou a transformar a equipe desde sua chegada há menos de dois anos) e escolheu bem sua dupla de pilotos. Daniel Ricciardo vem de uma temporada em que deixou uma ótima impressão na Renault pela maneira como liderou o time mesmo sabendo que estaria de saída.

”Definitivamente é tempo suficiente para que as coisas andem. Eu sinto que eu estou chegando em uma equipe que está embalada, não apenas pelos resultados, como também pela estrutura e pela continuidade. Quando eu conversei com a McLaren em 2018, Andreas e James Key ainda não estavam na equipe… ainda existiam algumas pendências e os resultados ainda não eram tão bons. Eles ainda estavam tentando entender sua estrutura e acho que isso está estabelecido agora. Então eu chego tentando me encaixar nesse quebra-cabeça ao invés de tentar montá-lo.”

Daniel Ricciardo sobre seus três anos de contrato

Na McLaren, Lando Norris também tem muito a aprender com Ricciardo, principalmente  depois de ter mais dificuldade de acompanhar o ritmo de Sainz aos domingos do que aos sábados. Com Ricciardo, ele medirá forças com o dono de um dos melhores – senão o melhor – racecrafts do grid. Duvida? Deixo uma estatística que diz muito sobre Daniel: ele só abandonou uma corrida na primeira volta em toda a carreira na F1, e foi quando o então companheiro Max Verstappen o tirou do GP da Hungria de 2017.

7 comentários Adicione o seu

  1. pedro araujo disse:

    Oi, Julianne. bati o olho lá na imagem do cartão resumo da equipe, tá faltando o troféu do título do james hunt… não que faça grande diferença, é só detalhismo mesmo

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    1. É porque quem ganhou o campeonato de construtores naquele ano foi a Ferrari

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  2. Rodrigo Loss disse:

    Bela análise, mas incluiria no histórico do Riccardo aquela primeira volta na Austrália, uiando ele chegou na Renault.

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  3. Te elogiar e redundância.
    Seria legal um post falando sobre os pilotos com melhores racecraft.

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  4. Robson Coimbra disse:

    A McLaren só chegou em 3° lugar por uma conjunção de fatores, principalmente pela perda de pontos da Racing Point, a Ferrari também estava perdida e a Renault ainda se achando. A McLaren se desestruturou na era hibrida e a exemplo da Williams, quando uma equipe se perde por uns dois anos, fica difícil voltar a ponta. A troca de comando e de motores foi uma constante na era hibrida, deixou o time mais perdido, ainda com um campeão resmungando para todos escutarem foi um tombo atrás do outro. Até o Zak Brown, um ilustre desconhecido no mundo da F1 era visto com desconfiança, mas acertaram a mão na contratação do Andreas Seidl, ex Porsche e James Key. A Equipe ainda conta com um túnel de vento defasado e o novo só deve estar pronto em 2 anos, a estrutura atual é boa mas perde feio para a da Mercedes e Red Bull. A McLaren fabrica carros de rua de alto desempenho mas não faz seus motores, são fabricados pela Ricardo, a Red Bull já vai fabricar os seus em suas instalações em Milton Keynes, por ai já se vê as diferenças de estrutura.

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  5. Paulo Moreira disse:

    Espero que a McLaren este ano aproveite o embalo que o 3º lugar lhe deu e consiga cimentar mais essa posição, e se possível terminar mais vezes no pódio.
    Partilho a mesma opinião que o Robson Coimbra, quando escreveu que a McLaren soube aproveitar muito bem os problemas que a Racing Point, Ferrari e Renault tiveram.
    De certeza que com o Daniel Ricciardo a equipa vai crescer mais um pouco e espero que o Lando Norris aprenda mais alguma coisa com ele.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  6. Rodrigo Rocha disse:

    Ju, adorei a coluna e a ficha técnica. Se me permite uma sugestão, não que faça diferença, mas você poderia incluir o projetista no quadro :]

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