Quem é quem na temporada 2021 da F1: Ferrari

A Ferrari está correndo muitos riscos para tentar virar o jogo após o péssimo 2020 em dois campos fundamentais: remodelando seu motor e a parte traseira do carro. Isso porque não há muita margem para erro. Devido às restrições do desenvolvimento não aerodinâmico adotadas como uma das respostas à pandemia, a unidade de potência não poderá ser modificada ao longo da temporada, e as mudanças na traseira significam que a Scuderia estará comprometendo suas fichas de desenvolvimento com isso, até porque a avaliação era de que a suspensão limitava o que era possível fazer do ponto de vista aerodinâmico para melhorar a estabilidade do carro, então não havia outra saída.

“Trabalhamos no motor de combustão, visando aumentar sua eficiência térmica. O turbocompressor foi revisado para atender às necessidades do motor e, ao mesmo tempo, planejamos aumentar a eficiência na recuperação dos gases do escapamento. Também estamos trabalhando no sistema híbrido da parte eletrônica, tentando revisar todos os seus componentes e otimizá-los.

Enrico Gualtieri, chefe de motores da Ferrari

Há mudanças interessantes também no bico do carro, importante para o fluxo aerodinâmico de todo o conjunto. As entradas de ar próximas ao santantônio também mudaram para acomodar um sistema de arrefecimento atualizado, sempre dentro da premissa de deixar a traseira mais “magra”. E os sidepods também têm um novo desenho. Não dá para dizer que a Ferrari não trabalhou nesse carro!

O sucesso da nova suspensão italiana tem tudo para ser importante para a adaptação de seu novo piloto, Carlos Sainz. Isso porque o tipo de comportamento do carro ferrarista nos últimos anos é o mesmo com o qual o espanhol mostrou na McLaren que não fica tão à vontade: instabilidade na traseira especialmente na entrada de curva. Nenhum piloto gosta de ter um carro instável mas, assim como Leclerc na comparação com Vettel, o companheiro de Sainz no time inglês, Lando Norris, se dava melhor que o espanhol quando o carro se comportava dessa forma, então a correção disso – que passa pela nova suspensão em conjunto com o desenvolvimento aerodinâmico, seria uma ótima notícia para ele.

Sainz é um piloto ao mesmo tempo agressivo e técnico, lembra um pouco Alonso nesse sentido. Mas sua principal qualidade é compreender que o trabalho do piloto não é só dentro do cockpit. Ele era muito bem visto pelos engenheiros na McLaren (e Binotto inclusive revelou que parte da avaliação ferrarista para contratá-lo foi ouvir sua comunicação com a equipe via rádio), e também pelo pessoal de comunicação e marketing.  

É nesse trabalho com os engenheiros que seu novo companheiro Leclerc vem focando, passando a falar mais e se certificar de que está sendo ouvido, então Sainz (que tem quase o dobro de largadas do monegasco) pode até ser uma boa referência nesse sentido, e também por ter um racecraft muito forte – sim, as smooth operations de cada domingo. Por outro lado, eles formarão a dupla de pilotos mais jovem da Ferrari em mais de 50 anos, desde 1968.

24 anos e nove meses será a média de idade da dupla da Ferrari no início da temporada 

Isso, no que não deve ser uma temporada fácil. Vindo do sexto lugar ano passado, por mais que a Ferrari atualize sua unidade de potência e resolva as questões limitantes da parte traseira do carro, não vai voltar ao patamar do início de 2019 em termos de competitividade. Até porque a nota de corte está bem mais alta, tamanho o desenvolvimento da Mercedes justamente nestes dois setores em que a Ferrari busca melhorar.

Do lado positivo, a Ferrari é, de longe, quem mais tem a ganhar com o fato de que estão liberadas até antes da temporada mudanças no motor de combustão, no MGU-H, no turbo e no combustível. São justamente as áreas em que eles perderam terreno após a investigação da FIA do final de 2019. Binotto também acredita que o time pode se beneficiar das novas regras dos assoalhos, uma vez que o seu já gerava menos pressão aerodinâmica de qualquer maneira, então os rivais têm, em teoria, mais a perder do que eles. 

Mesmo com tudo isso, o objetivo palpável é brigar pelo terceiro lugar entre os construtores, o que só evidencia o tanto que a Ferrari precisa remar.

1 comentário Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Vai ser grande a espectativa em ver o que a Ferrari consegue fazer este ano e isso vai já começar nos testes de pré-época. Claro que não se espera que a equipa italiana consiga lutar de igual com a Mercedes, mas aguarda-se que faça bem melhor do que fez no ano passado.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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