Tudo sobre as novidades da F2 e da F3 em 2021

Felipe Drugovich é candidato ao título da F2

Dizem que é em tempos de crise que surgem oportunidades de melhorar, e as categorias diretamente abaixo à F1 estão aproveitando a chance dada pelas dificuldades financeiras trazidas pela pandemia. Ao invés de correr juntas, a F2 e a F3 vão ser disputadas em finais de semana distintos, fazendo três provas por etapa, o que aumenta o protagonismo de ambas e ajuda a cortar custos. E, melhor, com orçamentos menores, também diminui a enorme pressão que acabava caindo sobre os pilotos de arrumar patrocinadores, algo que acaba tendo desdobramentos até em quem consegue a superlicença.

Explico: os carros, motores e pneus são iguais para todo mundo na F2 e na F3, mas vemos que há equipes melhores que as outras, pois elas têm orçamento para ter engenheiros melhores, para ter mais peças de reposição, para fazer mais simulações e analisar os dados com mais refinamento. Pode parecer pouco, mas ajuda a compreender o comportamento dos pneus em cada pista e a determinar qual o melhor acerto, e com isso essas equipes com maior capacidade de investir costumam andar na frente. Para ter essa capacidade, elas precisam de um orçamento melhor, que vem delas mesmas e também dos pilotos.

Petecof deu salto da F3 Regional para a F2

Marcas têm mais interesse em associar-se a pilotos bons, e equipes também. Afinal, na F2 e na F3, a habilidade é um diferencial mais importante do que na F1, que é um campeonato de construtores. Porém, há pilotos que desequilibram essa lógica seja por patrocínios pessoais, seja pelo país dos quais vêm. E esses pilotos vão ficar, fatalmente, com essas vagas melhores, vão ter mais chances de conseguir os pontos para obter a superlicença e correr na F1, e não haverá garantia de que os mais talentosos sejam aqueles que vão chegar lá (embora, obviamente, nada impede que um piloto tenha dinheiro e seja talentoso, o que é o combo que todos buscam ter, já que isso aumenta muito suas chances de sucesso).

Caio Collet vai estrear na F3

Então tudo o que for feito para que o investimento necessário para ter um bom desempenho na F3 e na F2 seja menor é positivo para tanto para a própria sobrevivência dessas categorias, quanto para democratizá-las. Sempre lembrando que automobilismo é um esporte caro e é utópico pensar que o dinheiro não fará diferença ou que os pilotos que chegaram na F1 o fizeram somente porque eram talentosos. Uma carreira de sucesso no automobilismo depende de uma série de fatores externos ao piloto. O que é possível fazer é atenuar a influência desses fatores.

Os brasileiros confirmados nas duas categorias mostram bem como é possível traçar caminhos diferentes. Na F2, Felipe Drugovich segue com patrocinadores brasileiros em um caminho independente, agora correndo pela UNI-Virtuosi, na vaga do vice-campeão do ano passado. Depois de sair do programa de jovens da Ferrari, Gianluca Petecof será um estreante que vem direto da F3 Regional, categoria da qual foi campeão, correndo pela Campos, que não está entre as favoritas. O fato de o brasileiro ter conseguido a vaga sem a necessidade de levar patrocínio mostra o nível de confiança que se tem em seu talento. Para continuar evoluindo, no entanto, ele sabe que precisa reconstruir o pacote que tinha no começo de 2020 (antes de perder a Shell como patrocinadora). Guilherme Samaia foi da Campos para a Charouz, depois de também dar um salto grande, da Open para a F2. E, na F3, Caio Collet tem um pacote forte de patrocínios atrelados ao fato de ser empresariado por Nicholas Todt, e a estrutura do programa da Alpine (ou seja, da Renault, que tem no Brasil um mercado imenso). Estreante, Caio vai correr na MP Motorsport, que esteve no meio do pelotão em 2020. 

Como vai funcionar o novo regulamento da F2 e da F3

As medidas de corte de gastos passam pela manutenção dos mesmos carros por pelo menos três anos (sendo que o ciclo da F3 começou em 2019 e pode ser estendido) e os fornecedores concordaram em diminuir o preço de determinadas peças. Mas o grande corte é nos gastos com logística, já que as categorias terão menos etapas, embora não tenham menos corridas. Os cortes são importantes porque todas as equipes, com exceção da Jenzer na F3, disputam os dois campeonatos.

Uma equipe com mais orçamento, como a Prema, teria o limite de 12 pessoas trabalhando na equipe de F2 e outras 11 pessoas no time de F3. Agora, pelo menos o comando da equipe e, possivelmente, os engenheiros, poderão trabalhar em ambos ao mesmo tempo, o que efetivamente aumenta o nível de ambos os campeonatos.

O formato será muito empolgante para todos porque a maneira como o final de semana vai crescendo é completamente diferente. E o lado bom é o fato de as categorias terem sido divididas, porque um cara como eu pode ficar totalmente focado em um campeonato de cada vez. Antes, especialmente às sextas-feiras, era muito corrido. E agora é possível que os engenheiros façam os dois campeonatos, ainda que, para os mecânicos, seja mais difícil porque os carros têm de ser preparados na oficina entre uma corrida e outra. 

Sander Dorsman, chefe da MP Motorsport

Com três corridas no final de semana, em termos esportivos, a mudança básica é que a importância da classificação é diluída. Isso porque ela define o grid de domingo, mas é usada para a primeira inversão do grid de sábado (o pole larga em 12º na F3 e em 10º na F2). E a segunda inversão de grid leva em consideração o resultado da corrida 1. Então, além de ganhar essa mãozinha da inversão em si, se o piloto tiver uma classificação ruim, pode usar essas corridas do sábado para melhorar sua performance ou acerto, porque a corrida que vale mais pontos passa para o domingo.

As próprias nomenclaturas das corridas também mudam. Antes, elas eram conhecidas como feature (a mais longa, do sábado) e sprint (a mais curta, do domingo, com grid invertido). Agora serão corrida 1 e corrida 2 (ambas, mais curtas) e 3 (a principal, no domingo).

O novo formato vai trazer novas oportunidades. Se você não conseguir maximizar a classificação, tem uma pequena oportunidade na primeira corrida e, se não for bem na primeira corrida, tem uma grande oportunidade na corrida 3. É o mesmo para todos, então você não pode reclamar. E ter uma chance a mais vai ser interessante. 

Caio Collet, piloto da MP Motorsport e estreante na F3 em 2021

Na F2

Como era em 2020Como será em 2021
12 eventos, 24 corridas no total8 eventos, 24 corridas no total
Sexta-feira: Treino livre e classificação 

Sábado: Corrida principal, mais longa e com pitstop e uso de dois compostos obrigatórios

Domingo: Corrida sprint com grid invertido (8 primeiros) em relação à corrida de sábado
Sexta-feira: treino livre (45min) e classificação (30min) para definir corrida do domingo

Sábado: Corrida 1 com grid invertido (12 primeiros) da classificação + Corrida 2 com grid invertido (12 primeiros) do resultado da corrida 1. Ambas com duração de 120km ou 45min

Domingo: Corrida 3 (com duração de 1h ou 170km) com pitstop obrigatório e uso dos dois compostos
4 pontos para o pole position

2 pontos para quem fizer a volta mais rápida em cada uma das 2 corridas (contando que se classifique no top 10)

Na corrida do sábado: 25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1 ponto. 

Na corrida curta: 15, 12, 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ponto
4 pontos para o pole position

2 pontos para quem fizer a volta mais rápida em cada uma das 3 corridas (contando que se classifique no top 10)

Nas corridas 1 e 2 (sábado): 15, 12, 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ponto]

Na corrida 3 (domingo): 25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1 ponto
Pneus disponíveis: 5 jogos de pneus de seco (3 macios e 2 duros) e 3 jogos de pneus de chuvaPneus disponíveis: 6 jogos de pneus de seco (4 macios e 2 duros) e 3 jogos de pneus de chuva

Na F3

Como era em 2020Como será em 2021
9 eventos, 18 corridas no total7 eventos, 21 corridas no total
Sexta-feira: Treino livre e classificação 

Sábado: Corrida 1, de no máximo 40 minutos

Domingo: Corrida 2, de no máximo 40 minutos, com grid invertido (10 primeiros) em relação à corrida de sábado
Sexta-feira: treino livre (45min) e classificação (30min) para definir corrida do domingo

Sábado: Corrida 1 com grid invertido (12 primeiros) da classificação + Corrida 2 com grid invertido (12 primeiros) do resultado da corrida 1. 

Domingo: Corrida 3 Todas as provas têm duração máxima de 40 minutos.
4 pontos para o pole position

2 pontos para quem fizer a volta mais rápida em cada uma das 2 corridas (contando que se classifique no top 10)

Na corrida do sábado: 25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1 ponto. 

Na corrida curta: 15, 12, 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ponto
4 pontos para o pole position

2 pontos para quem fizer a volta mais rápida em cada uma das 3 corridas (contando que se classifique no top 10)

Nas corridas 1 e 2 (sábado): 15, 12, 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ponto

Na corrida 3 (domingo): 25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1 ponto
Pneus disponíveis: 4 jogos de pneus de seco e 2 jogos de pneus de chuvaPneus disponíveis: 5 jogos de pneus de seco e 2 jogos de pneus de chuva

Dois resultados diretos destas mudanças são o aumento do número de pontos em cada final de semana – de 48 para 65 – o que basicamente garante que os campeonatos chegarão abertos nas últimas etapas, e a alocação de pneus da Pirelli também muda.

Circuitos diferentes

Pista de Austin vai receber a F3 e a W Series

Essa divisão vai fazer com que ambas as categorias visitem pistas novas. A F2 vai estrear, assim como a F1, no circuito de Jeddah, na Arábia Saudita, mas o que mais chama a atenção no calendário da categoria é como as corridas são espaçadas, dando margem para algumas reviravoltas ao longo do ano.

Na Fórmula 3, as provas ficam mais concentradas nos circuitos já conhecidos na Europa, com a adição de Zandvoort, em que muitos pilotos que estão na categoria correram ou testaram. Então a grande novidade fica por conta da corrida marcada para a seletiva pista de Austin, que tem tudo para receber a decisão do campeonato com tantos pontos em jogo.

Lembrando que a F1 terá ainda outra categoria de jovens pilotos como abertura: a W Series fará parte da programação de oito finais de semana, na primeira vez que uma categoria totalmente feminina (com carros equivalentes aos da F3 Regional, um passo abaixo da FIA F3) correrá junto do campeonato principal. 

Calendário F2

26.28.03 Bahrein
20-22.05 Mônaco
04-06.06 Azerbaijão
16-18.07 Grã-Bretanha
10-12.09 Itália
24-26.09 Rússia
03.05.12 Arábia Saudita
10-12.12 Abu Dhabi

Calendário F3

07-09.05 Espanha
25.27.06 França
02-04.07 Áustria
30.07 a 01.08 Hungria
27-29.08 Bélgica
03-05.09 Holanda
22.24.10 EUA (Austin)

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