Vettel foi penúltimo no teste. Mas o que isso significa?

@Aston Martin

Não foi o início que Sebastian Vettel sonhava em sua parceria com a Aston Martin, com uma pré-temporada em que o alemão foi o piloto que menos voltas deu nos três dias de testes realizados no Bahrein. Em termos de tempos, o tetracampeão foi o penúltimo mais rápido. Mas seriam esses sinais de que uma das grandes apostas para o campeonato é, na verdade, uma barca furada? A lógica diz que não é bem assim.

Em um ano no qual as mudanças nos carros da maioria das equipes ficou mais restrita às adaptações resultantes de regras que provocaram alterações no assoalho, difusor e duto traseiro, na tentativa de diminuir a velocidade dos carros, a Aston Martin aproveitou uma brecha no regulamento para mexer mais do que os outros em seu carro. Com isso, foi o único time que homologou um novo chassi para este ano, ou seja, sob uma ótica mais purista, é a única que tem um novo carro de verdade.

Como o time é cliente da Mercedes, pode comprar tudo o que não está listado como peças que cada equipe tem de fazer. Estas peças não-listadas não contam entre aquelas que, se forem alteradas, fazem com que o time gaste suas fichas de desenvolvimento. Por conta disso, a Aston Martin pôde trocar transmissão e suspensão traseira, usando o que a Mercedes utilizou na temporada passada sem comprometer seus tokens, que foram para o novo chassi. As entradas de ar nas laterais do carro e o sidepod (onde ficam os radiadores, atrás destas entradas) mudaram muito em relação ao carro do ano passado, e o que era a Mercedes rosa ano passado se tornou um carro com identidade própria, ainda que a dianteira guarde muitas semelhanças.

Mudanças no chassi da Racing Point para a Aston Martin são claras e importantes

Os problemas no boost do turbo, de origem elétrica e do câmbio, que fizeram Vettel perder muito tempo no segundo dia e atrasaram o programa, têm a ver com a Mercedes, mas não dá para falar que há qualquer relação com os problemas que o próprio time alemão teve em seu câmbio. 

Faz parte do equilíbrio de risco x recompensa que toda mudança traz, e um teste de três dias (que foi tão curto justamente porque o carry-over, ou seja, o número de peças que não mudaria entre um ano e outro, seria alto) não ajuda. Se até um piloto como Sergio Perez, que pareceu muito confortável na Red Bull, disse que vai precisar de umas cinco corridas para estar totalmente adaptado, já que precisa passar por situações diferentes dentro do carro (pistas, temperaturas, acertos, etc.), é de se esperar que Vettel também não tenha um começo fácil.

@Aston Martin

Em termos de performance, ainda não vimos o que a Aston Martin pode fazer, já que os problemas atrasaram o cronograma deles, que não fizeram uma simulação de classificação, então não faz sentido olhar a tabela de tempos para tentar entender o que Vettel e Stroll podem fazer. Ajustando os níveis de combustível em outros tipos de saídas à pista, eles parecem estar atrás da McLaren, mas à frente de AlphaTauri, Alpine e Ferrari, ou seja, um pouco mais lentos que ano passado, mas longe de um desastre (e tendo o que crescer justamente porque optaram por mudar bastante o carro). Como explicou Vettel, a falta de voltas significou que o carro ainda não foi otimizado:

“Acho que as primeiras corridas serão importantes para entrar no ritmo de verdade, entender o carro, aprender qual o melhor acerto, qual a melhor direção, e fazê-la funcionar. Não conseguimos fazer muita coisa nessa parte.”

Sebastian Vettel

Existe, sim, uma dúvida se os carros com menor rake (Aston Martin e Mercedes) não sofreriam mais com a perda de downforce na traseira, mas a tendência é isso ir diminuindo conforme os assoalhos ficam mais desenvolvidos e essa pressão aerodinâmica é recuperada. De acordo com os dados da Pirelli, mesmo antes de a temporada começar, já foram recuperados mais da metade dos 10% tirados com as novas regras.

Vocês podem perguntar: mas a McLaren também não mudou muito para ter o motor Mercedes? Sim, mas o time teve que comprometer suas fichas com a adaptação para a UP, sem mexer em itens que lhe trariam ganho de performance, e por conta disso apostou em inovações na parte aerodinâmica, que pode ser desenvolvida ao longo do ano.

Os carros laranja e verde-escuro prometem ter uma briga boa, com um forçando o outro a chegar mais perto da ponta, e quem sabe beliscar pódios ou até vitórias se Mercedes e Red Bull derem chances como em 2020.

5 comentários Adicione o seu

  1. A Aston Martin, por ter um carro novo, é a equipe que mais pode se desenvolver ao longo da temporada?

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    1. Em uma temporada normal, possivelmente. A questão é que as equipes têm de pesar onde colocar suas fichas, já que em 2022 o que for aprendido com esse carro vale muito pouco

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  2. Robson Coimbra disse:

    Oi Julianne, na sua matéria do UOL sobre as cores das equipes, esqueceu de mencionar a Porsche que sempre correu com carros brancos, principalmente nos anos 50, 60, 70 .

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    1. André Alves disse:

      Tenho a impressão que a Aston Martin vai decepcionar, assim como a Alpine. Em relação ao Vettel, acredito que ele, a princípio, deve se preocupar em pelo menos se manter competitivo com o Stroll. Já existe toda uma atmosfera de desconfiança em cima dele e tomar tempo do Stroll (principalmente se for com diferença muito grande) vai minar seu resto de confiança. Aí vai ser ladeira abaixo…

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  3. Paulo Moreira disse:

    Vai ser agora nos treinos para o primeiro Grande Prémio que se vai ver o que realmente valem as equipas.
    Os tempos dos treinos de pré-temporada valem o que valem, pois nunca sabemos em que condições estão os carros. Acredito que tanto a Aston Martin como o Sebastian Vettel podem e conseguem fazer bem melhor.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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