Horários, características da pista e tudo sobre o GP do Bahrein

Hamilton dominou o GP do ano passado @LAT Images

A Fórmula 1 abre a temporada 2021 no mesmo circuito em que as equipes testaram, ainda que apenas por três dias (e com direito a tempestade de areia). A pista do Bahrein é caracterizada pela alta abrasividade do asfalto, que pune especialmente os pneus traseiros. Isso porque é um circuito de tração, ou seja, em que, para ser rápido, é preciso sair bem das curvas e aproveitar as longas retas dos setores 1 e 2.

A pista é formada por retas longas e freadas fortes seguidas de curvas de baixa velocidade, então as equipes buscam um meio termo para o acerto: se colocarem muita asa, são lentos na reta, e se colocarem pouca asa, o carro fica nervoso nas freadas. O trecho mais complicado é a curva 10, onde costumamos ver os pilotos fritando os pneus. Isso acontece porque é uma curva com trajetória fechada e uma inclinação para o lado de fora. E contornar bem a curva 10 é importante porque o que se segue a ela é uma das três zonas de DRS.

Outro ponto que é sempre importante lembrar é o fato de apenas o segundo treino livre ser disputado no horário da classificação e da corrida, já ao anoitecer. Isso significa que a temperatura da pista cai muito, então o tempo de preparação “pra valer”, ou seja, representativo para entender o funcionamento dos pneus, é mais curto. Por outro lado, neste ano as equipes vão poder contar com o que analisaram nos testes, que terminaram sempre às 19h locais. A classificação e a largada começam às 18h.

Notas de estratégia

Tem feito um pouco mais de calor à noite no Bahrein em relação ao fim de novembro, quando foi disputado o GP do ano passado, sob cerca de 25ºC. Agora, no início da primavera, as temperaturas estão chegando a 35ºC quase todos os dias – o que só faz com que o primeiro e o terceiro treinos livres sejam bem pouco representativos, por serem realizados à tarde –  e isso quer dizer que os pilotos, novamente, deveriam evitar os pneus macios (C4), que se desgastam muito rapidamente em novembro.

Digo ‘deveriam’ porque há um pouco fator: embora os engenheiros já tenham recuperado pelo menos mais da metade da pressão aerodinâmica tirada pelas novas regras de assoalho, difusor e dutos de freio traseiros, os carros ainda devem estar um pouco mais lentos, colocando menos pressão nos pneus e abrindo a possibilidade de que os macios funcionem melhor do que no final de 2020, e também favorecendo táticas de uma parada.

Isso porque Lewis Hamilton venceu a corrida do ano passado comprometendo-se logo cedo com uma estratégia de duas paradas (com os dois primeiros stints com os médios, e o último com os duros), que acabou sendo a predileta na corrida. Só quem aproveitou a bandeira vermelha do acidente de Grosjean para fazer a primeira parte da corrida com os pneus duros conseguiu fazer uma parada só.

Fique de olho
@Scuderia Ferrari Press Office

O GP do Bahrein foi muito bom para Sergio Perez, então na Racing Point (hoje Aston Martin), até a quebra do motor Mercedes no final. A Aston Martin mudou bastante seu carro e teve um teste complicado, então é bom ficar de olho na mini simulação de corrida que eles devem fazer no segundo treino livre. Perez, por sua vez, segundo Helmut Marko, foi até mais rápido que Max Verstappen na simulação de corrida que fez com a Red Bull nos testes.

Falando em Red Bull, Verstappen levou 0s4 de Hamilton na classificação ano passado, e reconheceu após a corrida que logo percebeu que não tinha ritmo para seguir o inglês. Será um bom termômetro para vermos se o time alemão conseguiu entender por que o W12 não nasceu tão equilibrado quanto seu antecessor.

E também será uma prova de fogo para a velocidade de reta da Ferrari, que teve seus dois pilotos eliminados no Q2 em 2020. O time perdeu 1s3 em relação ao ano anterior, quando Charles Leclerc fez a pole (com um pneu mais duro) e só não venceu a prova por um problema de motor. Ele e Pierre Gasly, inclusive, costumam andar bem no Bahrein.

2 comentários Adicione o seu

  1. Pietro disse:

    Ótimas informações, como sempre! Você até botou no texto que o macio é o C4, mas se puder põe as classes de compostos no Raio-X técnico. Bom trabalho nesta temporada!

    Curtir

  2. Jean Gallon disse:

    tomara tenhamos emoções que bom seria mais fabricantes de pneus

    Curtir

Deixe uma resposta para Pietro Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.