Horários, características da pista e tudo sobre o GP da Emilia Romagna

Verstappen se colocou entre as Mercedes na largada, mas foi Hamilton que saiu de terceiro para vencer em 2020 @LAT images

É até curioso que, só agora, o GP em Imola tenha “assumido” sua identidade local, já que se trata de uma região tão importante para o automobilismo italiano. A terra dos Ferrari, dos Maserati, Dallara, Lamborghini, Ducati… não poderia continuar tendo um GP com o nome de San Marino, que nem é tão perto de lá assim.

Sobre a história de Imola, de acidentes marcantes a duelos como o de Alonso e Schumacher, passando por momentos turbulentos entre companheiros com Pironi e Villeneuve e, anos depois, Senna e Prost, já ouvimos falar muita coisa. Mas e sobre a pista, o que aprendemos quando a Fórmula 1 retornou a Imola ano passado, pela primeira vez desde 2006?

A lembrança que ficou foi da decepção de George Russell, do pódio surpreendente de Daniel Ricciardo – com direito a outra cena inesperada no pódio, quando Lewis Hamilton pediu para fazer o shoey pela primeira vez para depois dizer que o champanhe ficou com gosto de “geléia de dedo” – e do azar de Perez, que vinha bem até parar na hora errada.

Mas a corrida não estava sendo exatamente um clássico até 12 voltas para o final, quando Verstappen aparentemente passou por cima de detritos e furou seu pneu, ficando na brita e causando um Safety Car. Ele não poderia ter vindo em melhor hora, já que as equipes sabiam que seria uma interrupção longa, já que nesse momento da prova muitos pilotos têm de recuperar uma volta em relação ao líder, e o fato de os pneus estarem desgastados e perderem temperatura mais facilmente gerou decisões diferentes entre os estrategistas (e falo sobre as lições estratégicas da corrida de novembro mais adiante).

Essas são as notícias ruins. Por ser uma pista estreita e cercada por áreas de escape com brita, Imola testa a precisão dos pilotos e é uma pista bastante técnica, mas também por isso é difícil vermos ultrapassagens. 

Aliás, mesmo com brita em vários pontos, Imola teve três trechos ano passado em que a direção de prova estava punindo excessos de limites de pista: nas saídas das curvas 9 e 15 e, curiosamente, na tangente da curva 13. E lembra que o GP teve só dois dias de atividades? Ainda assim, o documento que cuida dos pormenores de cada pista, as anotações do diretor de prova, teve três versões diferentes, num vai e volta justamente sobre os limites de pista.

O ataque à última perna da Acque Minerali gera problemas de limites de pista na tangente @LAT Images

Mas também há boas notícias, já que Verstappen conseguiu se colocar entre as Mercedes. E hoje os dois carros estão mais próximos do que nas etapas finais do ano passado.

Em termos de acerto do carro, não é das pistas mais fáceis, já o início da da volta, da última curva até a chicane da Tamburello, é feito de pé embaixo, ao passo que também há trechos mais travados. É um traçado bastante variado, com curvas travadas, de média e de alta velocidade, em que a tração faz menos diferença que no Bahrein e a necessidade de economizar pneu também é menor.

NOTAS DE ESTRATÉGIA

O GP do ano passado foi vencido por Hamilton com um overcut, ainda que sob circunstâncias de certa forma especiais: Valtteri Bottas largou em primeiro, mas logo na segunda volta passou por cima de um pedaço da Ferrari de Vettel que ficou preso no seu assoalho e, segundo a Mercedes, o fez perder 0s5 por volta. Mas também é verdade que o pneu médio, com o qual os três primeiros (Bottas, Verstappen – que passou Hamilton na largada – e Lewis) largaram acabou sendo mais consistente que o duro. Então foram 3 motivos (o ritmo ruim de Bottas, a consistência do pneu médio e o fator Hamilton) que explicam por que o overcut funcionou.

Essa questão dos pneus médios aconteceu porque, no dia da corrida, a temperatura não passou dos 18C e o céu estava encoberto, então era mais difícil fazer com que o pneu duro entrasse na temperatura ideal. Um cenário parecido ao que é esperado para essa corrida no começo da primavera, que diminui o poder do undercut.

Outra lição de 2020 foi dada pela estratégia equivocada de Sergio Perez no SC: é bem difícil ultrapassar em Imola, então a tática deve ser quase como se faz em pista de rua, ou seja, priorizando posição de pista. É claro que a dificuldade de aquecer pneus (principalmente duros) usados existe, mas o pódio jogado fora deixou claro que é um risco que vale a pena correr.

FIQUE DE OLHO

Várias equipes programaram atualizações para seus carros na segunda corrida da temporada, até mesmo a Haas, que fará muito provavelmente seu único upgrade no ano. Mas as atenções estarão voltadas para a Red Bull, que promete um pacote – dizem, de suspensão, o que seria possível já que eles não revelaram ainda se já gastaram suas fichas de desenvolvimento – significativo. Já a Mercedes, como sempre, não faz muito alarde, mas é de se imaginar que eles não chegarão de mãos abanando.

Outro time que promete novidades significativas é a Ferrari que, de qualquer maneira, terá um GP mais forte que o do ano passado por um fator muito simples: agora eles podem usar a carga aerodinâmica ideal para o circuito, e não muito menos para compensar a falta de velocidade de reta. Com essa combinação de acerto e atualizações, os ferraristas falam em deixar a McLaren comendo poeira na briga pelo terceiro lugar, mas também existe em Woking a confiança de que é possível tirar mais rendimento do carro (e do motor Mercedes).

A Alpine é outra equipe que anunciou um pacote extenso para a segunda corrida do ano, e a sensação da primeira corrida (em que pese o toque de Gasly com Ricciardo na primeira volta e o erro de Tsunoda na classificação) AlphaTauri pode ter uma pequena vantagem por já ter andado com o carro de 2021 na pista que fica praticamente no seu quintal.

5 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Imola é uma das minhas pistas preferidas, apesar de o nome Imola e San Marino trazerem sempre más recordações.
    Acho que estamos todos ansiosos para ver a segunda corrida da temporada por causa da luta entre a Mercedes e a Red Bull que este ano promete.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  2. Essas análises da pista associadas ao que as equipes e pilotos podem fazer, são sensacionais.
    Pena que a pista não é favorável as ultrapassagens. Mas pune os pequenos erros.

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  3. Fernando do Amaral disse:

    Olá, li em jornal inglês q horário do classificatório foi antecipado em 1 hora, por causa do funeral do Príncipe – o início será então às 8 hs? Espero que a nova retransmissora mantenha o compromisso.

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  4. Fernando do Amaral disse:

    Obrigado pela resposta e o “fique de olho” 🧐👍🏼

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