Entre erros e acertos

Os três pilotos se odiaram em algum momento do fim de semana @Red Bull Content Pool

Max Verstappen teve motivos de sobra para se preocupar quando viu os primeiras gotas, que começaram a cair no circuito Enzo e Dino Ferrari, em Imola, na Itália, pouco menos de uma hora antes da largada para o GP da Emilia Romagna, segunda etapa do campeonato da F1. Isso porque ele, que chegou à corrida como favorito, já estava largando em terceiro devido a um erro na classificação, e não tinha ótimas lembranças das últimas vezes em que andara com pista molhada com sua Red Bull.

Mas, desta vez, logo de cara ele já percebeu que a história seria diferente: Verstappen pulou de terceiro para primeiro nos primeiros metros, ficando na melhor posição possível para correr com a cara para o vento – ou, no caso, sem o spray – e cuidar de seus pneus. E abriria o caminho para a vitória.

“Eu até me surpreendi com aquela largada porque, no passado, nós sempre vínhamos tendo problemas com a pista molhada. Mas acho que a equipe fez ajustes muito bons no motor para ter mais controle da potência”, explicou Verstappen.

Seu grande rival no que parece ser uma batalha que pode durar por toda a temporada, Lewis Hamilton, chegou a dividir a primeira chicane com a Red Bull, mas depois nunca pareceu ter o mesmo ritmo, ficando a cerca de 4 a 5 segundos do holandês, que respondeu a todas as tentativas de ataque do inglês.

Não que tenha sido uma corrida fácil para Verstappen, que revelou ter tido alguns “momentos assustadores” quando decidiu passar dos pneus de chuva para os de pista seca. “Não foi uma decisão fácil de tomar, porque o asfalto estava escorregadio e estava ainda um pouco molhado demais para os pneus de pista seca. Mas escolhemos a volta certa. Minha volta de retorno à pista foi meio assustadora porque eu sabia que Lewis pararia na volta seguinte, então eu sabia que tinha que ser o mais rápido possível.”

Verstappen conseguiu se manter à frente depois das paradas de ambos e teve um refresco quando Hamilton errou ultrapassando um retardatário com os pneus de pista seca ainda frios, foi reto e danificou o bico de sua Mercedes.

O inglês chegou a perder uma volta, e estaria totalmente fora da corrida, não fosse uma batida entre George Russell e Valtteri Bottas, que causou uma bandeira vermelha na prova e permitiu que todos os pilotos que tinham perdido uma volta em relação ao líder a recuperassem. Hamilton, então, foi passando um a um seus adversários, escalando o pelotão do nono até o segundo lugar em 30 voltas, e mantendo a liderança do campeonato mesmo com a vitória de Verstappen.

“Hoje foi uma montanha russa de emoções. Estou agradecido pela lição e pelo erro que cometi. Parabéns para o Max, ele fez uma ótima corrida. E eu tenho algumas lições para aprender. No final das contas, eu ganhei força justamente pelo erro que cometi”, disse o heptacampeão, que é líder por um ponto.

Esse pareceu mesmo ser um GP em que os erros acabaram sendo recompensados de alguma maneira. Que o diga Lando Norris, que não conseguia esconder a frustração após ter tido seu melhor tempo deletado na classificação por ter tirado vantagem indo para fora da pista. Neste domingo, ele teve uma grande performance, largando em sétimo, chegando a cair para nono após a largada, mas depois fazendo quatro ultrapassagens na pista, uma no box, e vendo o companheiro Daniel Ricciardo abrir passagem, pois não tinha o mesmo ritmo. Norris foi o terceiro colocado no final, eleito também piloto do dia. “Tudo bem que uma classificação melhor teria facilitado muito a minha vida, mas tomamos muitas decisões certas, o feeling foi bom. Eu assumi os riscos quando precisava e consegui meu segundo pódio. Estou muito feliz com a virada.”

Foi uma virada também, para Carlos Sainz, que teve dificuldades para segurar sua Ferrari na pista nas primeiras voltas enquanto chovia, mas depois se encontrou com o carro saindo de 11º no final da primeira volta para o quinto lugar no final, logo atrás do companheiro Charles Leclerc, que largou em quarto.

Sainz foi um caso raro de piloto que trocou de equipe neste ano – e a maioria dos times tem caras novas neste ano – e foi bem nessa primeira experiência na chuva em 2021. Daniel Ricciardo, Sergio Perez, Fernando Alonso foram alguns dos que sofreram para compreender o comportamento de seus carros. “Foi um bom treinamento para mim porque não temos mais testes na F1 e estou voltando depois de ter um dia e meio de pré-temporada e logo você já entra num campeonato. Então cada dia é uma novidade e cada condição é nova e deu para aprender muitas coisas”, lembrou Alonso, que acabou marcando um ponto depois que Lance Stroll e Kimi Raikkonen foram penalizados após a prova.

4 comentários Adicione o seu

  1. André Alves disse:

    Bem legal mencionar a ótima corrida do Sainz, praticamente ignorado na transmissão de tv. Verstappen e Norris incríveis!

    Sobre a colisão, parece que a culpa tá pendendo mais pro Russel (mesmo que de maneira simbólica já que foi considerado incidente de corrida) mas ele já tinha tomado a decisão da trajetória e o Bottas vem pra cima diminuindo o espaço. Vejo o Bottas como mais culpado nesse acidente.

    Vettel mais uma vez mal e Perez foi o mais decepcionante entre os pilotos que tiveram dificuldades na corrida, esperava muito mais dele. Tem o Tsunoda também. Tenho a impressão de que ele não é tudo isso.

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  2. Belo post.
    A falta de asfalto nas áreas de escape punem mais quem sai da pista.
    Agora, tem que acabar, esse negócio chato, de ultrapassou os limites da pista. Libera para todo mundo e acaba com essa chatisse.
    Boa corrida pela chuva e a bandeira vermelha.
    Eu acho a pista de Mugello mais legal, com mais pontos de ultrapassagem. Em Imola, se nada diferente acontecer, vira uma corridinha chata.
    Achei o Russel mais culpado na batida. E deveria tomar uma punição.
    O Norris foi o nome do fim de semana.
    E fique a expectativa para a próxima corrida no belo circuito de Portimão.

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  3. Robson Coimbra disse:

    Acompanho F1 desde Jim Clark e nunca vi um cara tão sortudo na carreira como o Lewis Hamilton !!!

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  4. Paulo Moreira disse:

    A diferença entre o Verstappen e o Hamilton, que chegou a ser superior a 4 segundos, baixou até 1 segundo e pouco exatamente antes das paragens na box, mas enquanto que a Red Bull demorou 2,2s a trocar os pneus do holandês, a Mercedes demorou o dobro para trocar as rodas do carro de Hamilton que voltou à pista de novo com uma grande desvantagem e foi na ansia de voltar a colar-se ao Red Bull nº 33 que Lewis cometeu aquele erro de principiante. Depois, valeu-se da dessa regra parva, na paragem da corrida, que permite que os pilotos com uma volta a menos possam ficar na mesma volta do líder, para conseguir chegar ao pódio.
    Foi uma bela vitória do Max, uma excelente corrida do Norris, Leclerc e Sainz.
    Já sobre os limites de pista. Concordo que existam esses limites, mas em Imola acho que exageraram e o principal prejudicado acabou por ser o Lando Norris.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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