Drops do GP da Emilia Romagna e a pressão nos bastidores

Toto anda tentando mexer seus pauzinhos @Steve Etherington

Continua a movimentação de Mercedes e Aston Martin nos bastidores para recuperar o terreno perdido com as regras principalmente de difusor. Recapitulando um pouco a história, as alterações pedidas pela Pirelli foram decididas em duas partes – primeiro o assoalho, e depois o resto. E, quando o difusor e duto de freio foram alterados, houve uma votação apenas simbólica entre os diretores técnicos, e três votaram contra (Mercedes e Aston Martin, ou seja, os dois carros com rake baixo, e uma terceira, que seria a McLaren – curiosamente, quem encontrou uma solução criativa para o difusor). O temor das duas primeiras acabou se confirmando, e elas acabaram perdendo mais que o resto. As reuniões que começaram no Bahrein tiveram mais capítulos em Imola, mas ainda não está claro se haverá alguma mudança. No final das contas, é mais uma queda de braço entre os “grandes amigos” Toto e Horner.

Foi bem guardado o segredo da corrida em Miami, pelo menos desta vez. Alguma coisa parecia estar acontecendo porque Greg Maffei e até Chase Carey estavam pelo paddock no sábado, e o anúncio (o segundo, na verdade), saiu no domingo. Se tem uma coisa pela qual a Liberty batalhou desde que assumiu foi justamente para que essa corrida saísse do papel – só opções de traçado foram 36 ao todo!

Na primeira corrida em que os motorhomes voltaram ao paddock no ano, chamou a atenção o “escritório” da McLaren. Depois a equipe informou que a novidade vem mesmo em Mônaco: sai o Brand Centre enorme da era Ron Dennis, que tinha de ser transportado em 17 caminhões, e entra um mais sustentável, e que será transportado por “apenas” oito. É uma tendência que foi iniciada pela Red Bull há uns dois anos se não me falha a memória, quando eles introduziram um motorhome feito para ser arejado sem o uso de ar condicionado, entre outras soluções mais ecológicas. Tudo, é claro, para bater na meta de neutralizar a pegada de carbono da F1 até 2030.

Foto: Julianne Cerasoli

Quem acompanha os vídeos das coletivas sabe que o jornalista finlandês Heikki Kulta é famoso por saber todas as estatísticas sobre absolutamente tudo o que é relacionado aos finlandeses. Melhor para Mark Arnall, que ficou sabendo por conta da aplicação de Heikki que esse foi seu GP de número 400. Ele foi treinador de Mika Hakkinen e depois começou a trabalhar com Kimi, com quem está até hoje. Quase não dá para conceber ver Kimi no paddock sem Mark por perto.

Assim como também era o caso com Lewis Hamilton, que tinha o “seu” próprio Mark. Mark Hynes foi piloto e começou a trabalhar com o inglês como driver coach, virou amigo e um misto de empresário com assessor pessoal. Mas desde os testes já se ouvia que ele não estava mais trabalhando com Hamilton, e agora a “separação amigável” foi confirmada.

Falando em Mercedes, a melhora do carro teve muito a ver com as horas de simulação de Valtteri Bottas na fábrica. Por conta da covid (e das restrições inglesas, que explico mais para frente), tem sido mais raro ter os pilotos na fábrica, mas com três semanas entre os GPs foi possível “testar tantos tipos de acerto que eu até perdi a conta”. De volta da Inglaterra, ele, que mora em Mônaco, foi um dos que resolveram ir para a corrida de carro. “Chegamos bem rápido”, disse o treinador dele com um sorrisinho no rosto.

Outro que nem que quisesse podia disfarçar que veio de carro foi Charles Leclerc, com sua Ferrari Roma com a placa L016. A curiosidade é que, em Mônaco, geralmente não é permitido escolher a própria placa – a não ser que você seja da família Pastor, a segunda mais importante do Principado, que fica com as placas que têm 7 (não me pergunte o porquê). Mas é difícil imaginar que o número, que é o mesmo do carro de Leclerc na F1, tenha caído nos seus braços do nada.

Foto: Julianne Cerasoli

No momento, na Europa, realmente ir pela estrada é a melhor pedida para quem tem de viajar. Os aeroportos estão super restritos por conta da covid, já que a grande preocupação é com a circulação de novas variantes. No meu caso, vivendo na Inglaterra e sem ter a carta do organismo de automobilismo britânico, que permite encurtar o período de quarentena no país, enquanto as regras não mudarem minha vida será ir para um GP e ficar em quarentena em casa, já que o período de quarentena obrigatória é de 10 dias, e não há 10 dias entre uma viagem e outra. Para as equipes e quem trabalha diretamente para a F1, há a possibilidade de fazer só cinco dias de quarentena. 

Mas sempre pode piorar um pouquinho: falei com pelo menos 5 pessoas que estavam no meu voo de volta do Bahrein e que receberam a mesma mensagem do sistema de saúde britânico de que tinham entrado em contato com uma pessoa que testou positivo e que, por isso, teriam que ficar mais dias em casa por precaução. Isso mesmo que nós sejamos testados o tempo todo – o que também é comum na Inglaterra, onde qualquer pessoa pode fazer, de graça, até dois testes rápidos por semana.

3 comentários Adicione o seu

  1. RODOLFO FLEURY BRANDAO disse:

    Parabéns!! Excelente suas analises!

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  2. Muito bom!!!
    Neste ano a Redbull parece que tem uma chance real de título.
    E a Mercedes não vai querer perder a hegemonia.
    Você acha que eles vão desenvolver seus carros ao longo de toda a temporada? Sendo que o mais importante não seria focar no desenvolvimento do carro do próximo ano.

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    1. Oi Alexandre, eles não têm como desenvolver o carro por toda a temporada. Não há dinheiro (por conta do teto) nem tempo (pelo escalonamento de desenvolvimento aerodinâmico) para fazer isso enquanto projetam o carro de 2022. Eficiência será chave

      Curtido por 1 pessoa

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