Horários, características da pista e tudo sobre o GP de Portugal

Lewis Hamilton fez uma das melhores corridas da carreira em Portimão em 2020 @Mercedes/Sebastian Kawka

Não dá para esperar os primeiros metros malucos como em 2020, com um asfalto novo combinado com nuvens que começaram a cobrir o circuito (e a diminuir a temperatura da pista) nas horas anteriores à prova, surpreendendo os pilotos com um baixíssimo nível de aderência. Pilotos e engenheiros não costumam ser surpreendidos por duas vezes pelas mesmas condições na Fórmula 1, mas o Autódromo do Algarve ainda dá muitos motivos para esperarmos uma corrida diferente neste final de semana em Portugal.

A tendência é que a situação não seja tão aguda meses depois de o asfalto ter sido renovado, mas o nível de aderência esperado ainda é baixo. Isso também significa que os pneus não são tão estressados e, portanto, que o desgaste também é baixo. E essa foi uma marca do GP de Portugal ano passado: os pilotos puderam forçar mais o ritmo o tempo todo, sem terem tanta preocupação com os pneus.

Isso é bom para vermos disputas na pista, assim como o próprio layout do circuito também contribui nesse sentido. Curvas cegas, em que o piloto não vê para onde está indo quando se aproxima do ponto de freada, cambagens contraintuitivas (na curva 13, por exemplo, a elevação joga o piloto para o lado contrário ao que ele espera) e, claro, o sobe e desce que é a grande característica da pista ajudam as disputas por posição porque geram mais do que uma linha ideal. Como? George Russell explica.

“Os tipos de curva ajudam, pois fazem com que você possa tomar várias linhas diferentes, porque você entra muito aberto nas curvas e, então, não há apenas um jeito específico de ser rápido. Isso é muito bom para as disputas porque em quase todas as curvas você pode usar uma linha diferente e sair da turbulência do carro que vai à frente.”

Não por acaso, em 2020, o GP de Portugal foi uma das provas com mais ultrapassagens, com 55. Porém, chamou a atenção o fato de 89% terem sido feitas com DRS, então uma das mudanças deste ano é diminuir a zona da reta dos boxes em 165m, para fazer com que os pilotos cheguem na curva 1 dividindo a freada mesmo com o uso da asa móvel. E foi criada uma nova zona de DRS entre as curvas 4 e 5, para distribuir as brigas por posição ao longo do traçado.

NOTAS DE ESTRATÉGIA

Embora os treinos livres tenham tido três bandeiras vermelhas, indicando uma corrida em que o Safety Car poderia aparecer a qualquer momento, isso não ocorreu em 2020. E, como o asfalto gera dificuldade de se colocar temperatura ao invés do desgaste mais comum por superaquecimento, isso significa que há um risco de graining caso a temperatura da pista esteja mais baixa, mas essa não é a previsão para o dia da corrida.

Isso significa que deve ser uma corrida mais decidida na pista do que na estratégia, já que não há muita saída para táticas diferentes: quem largou com os pneus macios ano passado (que nem são tão macios assim, já que a Pirelli está levando os C1, C2 e C3, ou seja, o médio do GP passado é o macio desse) terminou a prova sem grandes dramas com apenas uma parada. E quem largou com o médio, então, pôde forçar mais que o normal.

E também o efeito do undercut não é tão grande, já que o composto do segundo stint provavelmente será o duro, que demora para se aquecer nesta superfície pouco abrasiva.

FIQUE DE OLHO

O GP de Portugal será um bom tira-teima para entender o quanto a Red Bull evoluiu – e a Mercedes perdeu – em relação ao ano passado. Na corrida de outubro de 2020, Max Verstappen levou uma lavada, vivendo uma situação bem diferente em relação ao que aconteceu nas duas primeiras etapas do ano. Lembrando que, além da questão das mudanças nos assoalhos e difusores de 2021, o GP de Portugal foi um dos últimos antes de a Red Bull apresentar novidades que melhoraram o desempenho do carro já no ano passado.

Falando em Mercedes, é bom ficar de olho nas especificações do carro de Valtteri Bottas, que teve de ser reconstruído depois da batida em Imola. Na semana passada, o chefe de engenharia, Andrew Shovlin, admitiu que o orçamento do time está tão apertado neste ano que poderia ser difícil conseguir aprontar tudo a tempo.

Duas equipes vêm tendo um desempenho melhor do que suas colocações finais mostram: AlphaTauri e Alfa Romeo tiveram motivos diferentes para sair com menos pontos do que poderiam – a primeira errou na estratégia e viu Tsunoda ter um final de semana afobado em Imola, enquanto a segunda teve muito azar, com uma sobreviseira ficando presa no freio de Giovinazzi e Kimi Raikkonen sofrendo uma punição difícil até de ser explicada. Veremos neste fim de semana se eles, desta vez, conseguem se embolar mais com Alpine e Aston Martin, as equipes que estão mais próximas.

1 comentário Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Apesar de ser sem público é sempre bom ter de novo a F1 aqui em Portugal.
    Depois da excelente corrida no ano passado, espero que no domingo as lutas pelos primeiros lugares continuem.
    Se na temporada passada Portimão já ficou na história da F1, por ter marcado a 92ª vitória de Lewis Hamilton, este ano o Circuito Internacional do Algarve pode voltar a figurar no livro de memórias da F1 se Hamilton conseguir a pole-position, o que seria a sua 100ª.
    O ano passado vi a corrida lá na pista e é espetacular o numero de pessoas que eu vi com camisola ou chapéu referente ao Ayrton Senna.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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