Drops do GP de Portugal e as lombares dos ‘senhores’

Foto: Julianne Cerasoli

O roteiro do GP de Portugal foi muito parecido com o do ano passado. Quando chegaram, os pilotos estavam animados pelo ar de montanha-russa da pista. Depois de andarem nela, começaram a reclamar da falta de aderência (como se estivessem surpreendidos por ela). Mas, no final, o saldo é muito positivo, principalmente para nós, pois poucas vezes no campeonato vemos os pilotos sendo tão desafiados como principalmente na classificação. 

A Fórmula 1 já percebeu isso, mas há um obstáculo importante para Portugal fazer parte do calendário de vez: o acesso. O trânsito foi um grande problema ano passado – para quem trabalha na categoria e também para quem veio assistir, claro – e seria um entrave pensando no futuro. Isso, é claro, se o promotor tiver uns 20 milhões de dólares para investir em anos normais.

Já a pista parece ser um desafio também físico. Notei que vários pilotos estavam com a mão na lombar e tentavam alongar as costas no cercadinho após a corrida. Fui perguntar ao Lando, que é um cara que dá para você abordar fora de entrevista mais de boa, e ele disse que tem um ponto de baixada forte no terceiro setor em que você sente bastante a compressão na lombar, mas para ele não era um problema. “Tinha gente sentindo as costas?”, perguntou ele. Eu disse que eram os mais velhos, tipo o companheiro dele. Ele achou graça, claro.

Lembra que falei da minha vida de quarentena, já que é preciso isolar-se por 10 dias (para equipes e quem trabalha para a Liberty e tem uma situação especial, são cinco) quando se volta para a Inglaterra? Bom, o que a gente apelidou de ‘polícia da covid’ te liga todo dia para checar se você está em casa. Se você não atende por três vezes, eles batem na sua porta (ainda que eu imagine que eles também façam rondas aleatórias). Adivinha quem recebeu uma visitinha da polícia em casa? Ninguém menos que Ross Brawn.

Falando em covid, não tem um GP que alguém não venha perguntar para nós sobre a situação do Brasil. Desta vez foi Valtteri Bottas, querendo saber se tínhamos voltado para aí – eu não, desde o GP em 2019, a Mari sim, no Natal do ano passado – e ficou muito preocupado quando dissemos que nosso Facebook é um misto de despedidas e gente que perdeu o emprego. 

Valtteri, aliás, chegou desejando um feliz aniversário à Mariana, alertado por seu treinador Antti Vierula, que estava tomando café da manhã do nosso lado quando chegamos de surpresa com os balões de 50 (o zero um pouco caidinho depois que rasguei uma parte…). Como foi o único que veio falar parabéns (para vocês verem com o pessoal da F1 é simpático), ganhou bolo e foi apresentado ao brigadeiro! Fiquei com a impressão de que ele achou muito doce e não vai entrar no fã clube do brigadeiro, cujo presidente é Ricciardo.

Essa dupla batendo papo pelo segundo fim de semana seguido… Foto: Julianne Cerasoli

No paddock, Sainz tentou minar a confiança de Pierre Gasly quando ele estava prestes a fazer o desafio da TV espanhola de adivinhar as pistas pelo tato, de olhos fechados. E funcionou. Para quem não está acompanhando a história, vale dar um pulinho nos drops do GP do Bahrein. O pobre Gasly se perdeu logo no seu primeiro circuito, porque tentou adivinhar justamente a pista do Bahrein, mas foi na direção errada com a mão. Sainz segue como líder absoluto.

Sobre aquela briga dos bastidores para tentar liberar algumas mudanças para os carros com rake baixo, até mesmo a Aston Martin já está reconhecendo a derrota. Muita coisa está sendo feita para melhorar o carro. Mas dá para perceber que a equipe já está meio que entregando os pontos e focando mesmo é em começar com uma página em branco ano que vem, já que tudo o que tem sido tentado não traz um resultado significativo. Vettel, por sua vez, tem trabalhado muito para ajudar a equipe – realmente não dá para dizer que falta de interesse ali!

Uma nota triste para encerrar: o carro da Haas tinha uma homenagem ao mecânico Martin Shepherd, que morreu aos 25 anos. Ele sofreu um acidente de moto ainda em 2019, e não conseguiu se recuperar. Na quinta-feira, inclusive, todos os mecânicos do paddock se reuniram para fazer uma homenagem ao jovem colega.

5 comentários Adicione o seu

  1. Rangel Dourado Santos disse:

    Certas atitudes fazem parte do aprendizado diário, algo que as vezes fazem parte do cotidiano. É legal saber que as pessoas fazem outras coisas além de corridas, como Daniel Ricciardo, que gosta de brigadeiro. Quem gosta do doce, imediatamente vai se identificar com o piloto.
    É certo que Bottas não estava entre os pilotos mais reconhecidos como bons na Fórmula 1, isso não faz dele um piloto ruim, isso é apenas um rotulo que o finlandês não usa, e fez um espetáculo de corrida em Portugal. Há aqueles que discordam, mas temos duas maneiras de ver as coisas, o conhecimento que adquirimos a longo prazo e a curto prazo. Se pensamos que ele é um piloto a baixo da média, então vamos lembrar que saiu da pole para 3º lugar. Se pensarmos que ele é um piloto, então lembraremos que 3º lugar é um bom resultado para o campeonato. Para quem viu sua primeira corrida neste final de semana, percebeu que Bottas é muito bom. Para quem vem acompanhando viu que o resultado foi ruim. Para mim, um mero espectador, é ótimo. Tudo faz parte da vida, do aprendizado e do cotidiano de cada um.

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  2. Fernando disse:

    Julianne, não acho que uma mudança na estratégia do Pérez o faria ter um resultado melhor do que quarto, porém acredito que seria possível deixá-lo mais próximo de Bottas, tirando a espera de um safety car, existiu algum outro motivo para a Red Bull segurar tanto o checo na pista com o primeiro jogo de pneus?

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  3. Hélio Carlota Júnior e disse:

    Olá Juliana Cerasoli meu nome é Hélio. Eu faço uma pergunta para a repórter Juliana Cerasoli, existe a possibilidade de uma mulher, pilotar um F1?Como já aconteceu com a Giovanna Amatti na época ela pilotava, Brabram.ar
    (Eu não estou conseguindo qmandar mensagem para você, no Instagram. O – que
    faço)?
    Att Hélio Carlota Júnior

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  4. Paulo Moreira disse:

    Parece que o Max, no final da corrida, afirmou que não gostou do fim de semana inteiro por causa dos níveis de aderência, e que espera não voltar a Portimão.
    A ser verdade, é claramente uma falta de respeito a todos os seus fãs portugueses e só mostra que a convivência com o Helmut Marko lhe esta a fazer muito mal. Se calhar começa a ficar frustrado por no inicio da temporada ser apontado como o favorito a vencer e agora num com DRS consegue se aproximar dos Mercedes, como se viu em Portimão.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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    1. Wesley Andrade disse:

      Exatamente. Os erros cometidos pela Red Bull poderão custar muito caro na briga contra a Mercedes nas etapas subsequentes, não apenas no campeonato de construtores como também nos pilotos.

      Se eu fosse o Max, eu demitiria tanto seu pai, Jos, como seu consultor, Helmut Marko.

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