Horários, características da pista e tudo sobre o GP da Espanha

LAT Images/Mercedes

É justo dizer que as equipes estão até ansiosas pelo GP da Espanha neste ano, o que não é algo muito comum de se ver. Isso porque, com poucos testes no Bahrein, e depois corridas em circuitos sobre os quais há poucos dados recentes, os engenheiros vão ter a chance de validar seus dados em uma pista a qual conhecem muito bem. No Circuito da Catalunha, não dá para esconder os pontos fortes e fracos de um carro, então existe um quê de hora da verdade para a quarta etapa do campeonato.

“É um barômetro para o resto da temporada”, definiu a Aston Martin, que terá o novo pacote de mudanças nos dois carros neste fim de semana. A Alpine é outra equipe curiosa para entender se o salto dado em Portimão é real, e a Red Bull agora terá condições melhores para entender as mudanças que fez no carro para o último fim de semana.

Tudo porque a pista da Catalunha tem de tudo. Curvas rápidas, de raio longo e médio, curvas de média velocidade, um último setor menos sinuoso e uma reta longa – inclusive, a distância entre a posição do pole e a primeira freada é a terceira maior do campeonato, com 612m.

Fazer a pole é importante, já que mais de dois terços das corridas lá foram vencidas pelo primeiro colocado no grid e, para fazer a pole, é imprescindível não cozinhar os pneus antes do terceiro setor, e nem deixá-los frios demais na volta de aquecimento, para evitar escorregar no primeiro setor.

Mudanças na pista

Para 2021, haverá uma mudança no traçado, com a volta de uma curva de raio mais aberto na 10. Isso tira um pouco a ação da zona de DRS da reta anterior, pois ela vai acabar em uma freada menos forte do que era necessário para completar o grampo mais agudo do traçado anterior. Por outro lado, será uma curva mais rápida, então, embora a pista tenha aumentado em 20m sua extensão com a mudança, os tempos devem cair.

Por ser uma pista que não esconde a realidade, o GP da Espanha tem sido território Mercedes de 2014 para cá. Todas as poles foram feitas pelos carros prateados/pretos e só uma vitória escapou: quando Hamilton e Rosberg se engancharam e Max Verstappen venceu em sua estreia na Red Bull. No passado recente, a Ferrari ensaiou um início de temporada mais forte que o da Mercedes em 2018 e 2019, mas não conseguiu levar Barcelona mesmo assim.

NOTAS DE ESTRATÉGIA

Não dá para vender a ilusão de que será uma prova movimentada na pista. Na primeira década dos anos 2000, a pior em termos de ultrapassagens na história da F1, houve GPs da Espanha (em 2005 e 2008) com apenas duas manobras. Em 2000 e 2002, foram três. Hoje, o DRS e os pneus ajudam e uma corrida bem ruim em termos de ultrapassagens tem mais de 15, mas as provas em Barcelona mesmo assim não são conhecidas pela ação na pista, já que é muito difícil seguir o rival de perto, com os carros tendo que usar cargas médias a altas de pressão aerodinâmica (ainda mais com o carro escorregando mais agora com as novas regras).

Mas o GP da Espanha tem um lado estratégico interessante. Perde-se 23s no pitstop, menos que nos palcos das últimas corridas, e isso torna táticas com mais de uma parada interessantes. Fernando Alonso, com pneus que estavam se desgastando muito em 2013, ganhou o GP da Espanha saindo de terceiro e com 4 pit stops!

Não são esperados mais do que duas para este fim de semana, mas o interessante de Barcelona é que podemos ver os três compostos na pista no domingo, com permutações diferentes. Dois pilotos, por exemplo, podem fazer a mesma tática de duas paradas, mas optar por macio-médio-macio ou macio-macio-médio, por exemplo, dependendo de quando fazem a parada e o quanto querem forçar na parte final da prova, e podem se encontrar em condições de pneus diferentes. Por isso, o GP da Espanha sempre tem cara de corrida ao banho-maria. Não adianta ter pressa.

FIQUE DE OLHO

Foto: Alpine

Houve muitas variáveis para os pilotos que mudaram de equipe e Fernando Alonso desde os testes atrapalhados pela tempestade de areia até o calor do Bahrein, o frio e chuva de Imola e a ventania de Portimão. Em Barcelona, eles estarão mais em casa, então será um teste importante para todos eles. As equipes, também, tiveram tempo para atender aos desejos mais específicos em termos de ajuste fino de power steering, por exemplo, e já é para todos estarem se sentindo fisicamente mais cômodos nos carros. O processo de aprendizagem – e dizem que os que sabem mais, ou seja, os mais rodados, demoram mais para aprender – não acaba aqui, mas este GP é um bom parâmetro para todos os que estão de casa nova, e um alívio para os estreantes também, já que eles já são bem familiarizados com o Circuito da Catalunha vindos das categorias de base.

3 comentários Adicione o seu

  1. Olavo José Luiz Junior disse:

    Julianne, parabéns pelos seus textos, é muita informação de qualidade!

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  2. JONAS EDUARDO MORAES disse:

    Alguém da frente (leia-se as Mercedes, RBR, McLaren ou Ferrari) podem tentar fazer uma parada iniciando com o pneu médio e trocando para o duro?

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  3. Edy Nelson de Carvalho disse:

    Excelente informação como sempre muito acertiva. Muito obrigado e continue assim seu texto é muito bom parabéns.

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