Horários, características da pista e tudo sobre o GP de Mônaco

Photo: Wolfgang Wilhelm

O terceiro setor da pista de Barcelona é, tradicionalmente, um indicativo do rendimento dos carros para o GP de Mônaco, ainda que tenha perdido, neste ano, um de seus trechos mais travados, na curva 10. Na briga entre Mercedes e Red Bull, houve uma dinâmica interessante naquele setor por todo o fim de semana – dependendo do acerto e configuração do carro, ora a Red Bull tinha vantagem, ora era a Mercedes e, no final, Verstappen conseguiu pouco mais de um décimo de vantagem em cima de Hamilton na classificação naquele trecho.

Junte-se a isso o fato de que o desgaste de pneus – que afetou mais a Red Bull do que a Mercedes na Espanha – não é um fator importante em uma pista bastante lisa e relativamente lenta, e dá para entender por que a Red Bull está mais otimista do que há duas semanas.

Mas a Mercedes já vem andando bem em Mônaco mesmo desde antes de começar a dominar a F1, então é difícil apontar uma favorita. Além disso, se lembrarmos que Valtteri Bottas só perdeu a pole por 86 milésimos na última vez em que a F1 correu em Mônaco, em 2019 – e o pole venceu 45% das provas que a categoria fez por lá – é possível que tenhamos ‘intrusos’ na briga dependendo de como será a classificação.

Em Mônaco o mais importante é ir construindo sua confiança aos poucos – e Verstappen aprendeu isso da pior maneira possível no Principado, batendo seguidamente até pegar o jeito. Não adianta querer tirar fina do muro no treino livre – e nem mesmo no Q1. É na compreensão de que é preciso construir uma simbiose entre você, o carro e cada muro e ondulação da pista (cujo nível de aderência vai aumentando bastante a cada volta) que o piloto faz a diferença em Mônaco. E, com uma hora a menos de treinos livres, essa tarefa será ainda mais difícil neste ano.

NOTAS DE ESTRATÉGIA

A estratégia para o GP de Mônaco tem uma regra: posição de pista. Como é muito difícil ultrapassar (em 2019, foram duas ultrapassagens tirando após a primeira volta, em uma temporada com 36 manobras em média), vale mais a pena ficar lento na pista e parar só uma vez do que tentar qualquer outro tipo de tática.

Já vimos corridas estrategicamente mais variadas por lá quando os pneus se desgastavam mais – um exemplo clássico foi a batalha de 2011, com Vettel com duas paradas, Alonso com três e Button com quatro separados por menos de 2s5 no final. Mas quem ganhou? Vettel, que optou em focar em posição de pista, ou seja, em parar o mínimo de vezes possível, embora, naquele caso, uma bandeira vermelha a 10 voltas do final tenha nos roubado de um final que seria ainda mais eletrizante.

Outro exemplo foi a corrida de 2019: Lewis Hamilton mal conseguia fazer o carro virar nas últimas voltas, de tão desgastados que estavam seus pneus. Mesmo assim, ele não permitiu que Max Verstappen o passasse. Hamilton tinha trocado os pneus macios pelos médios na volta 11, e aguentou até o final (mais 67 voltas!).

A troca foi bem mais cedo do que o normal porque a corrida teve um SC dentro da janela, ou seja, quando as equipes calculam que, se pararem naquele momento, podem levar os pneus até o fim. O problema de Hamilton foi a opção que a Mercedes fez, de colocar os médios, enquanto a Red Bull escolheu os duros para Verstappen. No final, era menos arriscado deixá-lo se virar na pista do que chamá-lo para o box mais uma vez, mesmo que fosse para colocar os macios e liberá-lo para atacar.

O que pode mudar a cara da corrida é o SC, que aparece em 80% das corridas em Mônaco, jogando a favor de estratégias em que se faz a primeira metade da corrida com menos mais duros (para quem vai largar fora do top 10) esperando que a prova seja interrompida depois que os rivais diretos pararem para, assim, economizar tempo na parada.

FIQUE DE OLHO

Em um circuito diferente, em que a aderência mecânica conta muito, a Ferrari tem andado bem nos últimos anos. Kimi Raikkonen fez pole por lá em 2018 e Sebastian Vettel fez três pódios seguidos. E a Alpine é outro carro que anda bem em curvas lentas e pode surpreender.

A má notícia para a Ferrari, no entanto, é que Charles Leclerc é o primeiro a admitir a fama de azarado em casa. Ele nunca pontuou em casa e nunca largou acima da 14ª colocação – isso mesmo quando foi campeão com sobras da F2. George Russell, aliás, tem história parecida: quando foi campeão da F2, no ano seguinte a Leclerc, Russell foi mal no Principado. Ele nunca ficou abaixo do top 4 por todo o campeonato, mas largou em 17º em Monte Carlo.

Como sempre, o trânsito é um grande problema em Mônaco, o que só piora com as dificuldades de comunicação que costumam acontecer entre os boxes e o piloto. E, neste ano, o grid tem um piloto, Nikita Mazepin, que está a bordo do pior carro do grid, ou seja, que já vai estar lutando para ficar longe das barreiras, e que admitiu que vem tendo muita dificuldade em lidar com as bandeiras azuis (saber como otimizar a sua corrida sem atrapalhar os demais) e, certamente, a pista de Mônaco não vai ajudá-lo nesse sentido.

2 comentários Adicione o seu

  1. Percival Bandeira disse:

    Suas colocações são sempre em lúcidas, virei seu fã
    Obrigado

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  2. Rodrigo Rocha disse:

    Eu tenho criticado bastante o Mazepin, mas você acha que essa dificuldade dele com as bandeiras azuis se deve a talento/adaptação ou simplesmente é desprezo pelos rivais?

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