Drops do GP de Mônaco e pressão por tudo quanto é lado

Ainda na quarta-feira chamou a atenção o número de asas dianteiras que as equipes tinham em Mônaco. Seis para várias equipes (uma a mais que o normal), quatro para a Haas. Fui perguntar a Paul Monaghan, chefe de engenharia da Red Bull, se esse era um procedimento normal. Ele gargalhou: “Seis? Quantas asas precisa para cada carro? Depende do quanto você confia nos seus pilotos”. No sábado, ele cruzou de novo comigo e repetiu “quantas asas usamos até agora?”. E, de fato, a Red Bull terminou o fim de semana precisando só de duas asas dianteiras mesmo e saiu com um baita lucro após a péssima prova da Mercedes (mesmo que as asas deles também tenham ficado intactas…)

Monaghan também estava apostando que Leclerc seria punido e largaria em sexto. O que aconteceria com o monegasco seria ainda mais dramático, com a falha em uma peça não vistoriada na ida do carro ao grid, e depois da prova o chefe Mattia Binotto dava um puxão de orelha em seu pessoal de comunicação após responder um milhão de vezes que o que quebrou não era relacionado ao câmbio.

Ele não era o único sob pressão depois que Lewis Hamilton soltou os cachorros para cima da equipe na reunião pós-classificação. Ele não concordava com a abordagem do time em termos de acerto e reclamava de erros na sessão. Nenhuma crise, já que Toto diz preferir que as coisas duras sejam ditas cara a cara mesmo, mas imagine o clima da equipe depois de um domingo desastroso para os padrões da Mercedes.

Ficou claro que não seria um GP comum em Mônaco quando, na saída da estação de trem, na quinta-feira à noite, seguranças particulares checavam, um a um, os documentos de cada pessoa que passava. Só residentes ou quem conseguisse comprovar que estava trabalhando podia passar, embora não haja exatamente uma fronteira entre Mônaco e a França. Ou seja, muita gente só queria passar pela estação (que, na topografia toda especial de Mônaco, acaba virando um local de passagem entre a parte mais baixa e a mais alta que fica, em grande parte, já na cidade vizinha de Beausoleil) então dá para entender a confusão. Teve residente de Mônaco que, em um percurso de menos de 20 minutos, teve que mostrar sua carteirinha cinco vezes.

O controle parece ter funcionado. Nas praças e bares que normalmente ficam bastante cheios em fim de semana de corrida, a movimentação era muito menor. Nos restaurantes, nem parecia que tinha GP, porque eram os locais que estavam tomando conta.

Numa dessas voltas, acabei encontrando os carros da Fórmula 2 alinhados na rua de trás do paddock, com todo o material que as equipes levam para o pitlane da F1. O paddock deles é na parte mais alta, então eles têm que ser empurrados pelas ruas de Mônaco mesmo até chegar lá. Guilherme Samaia era um dos poucos pilotos que estavam já dentro do carro, se concentrando, e me chamou a atenção o foco de Gianluca Petecof, agachado ao lado do carro, olhando para ele muito compenetrado enquanto, não longe dali, outros pilotos conversavam animadamente e mostravam postagens do celular.

Em outra cena que só acontece em Mônaco mesmo, acabei cruzando com Esteban Gutierrez na rua. Carregando algumas compras para casa com a esposa. Vira a esquina e Davide Brivio, chefe da Alpine, estava andando já com roupas “civis” pelo cassino, como um anônimo qualquer.

Quem não podia fazer isso era Charles Leclerc. O rosto do monegasco estava por toda a parte, da varanda de prédios aos pontos de ônibus, e ele pacientemente, como de costume, atendia a todos. E, pasmem, ainda que obviamente decepcionado, ele mantinha um (semi) sorriso no rosto no domingo à tarde. Talvez porque soubesse que tudo começou com um erro seu.

Para quem estranhou que a “notícia” de que a Mercedes está “de saída” da F1 não repercutiu no paddock, fica aqui o adendo: o relatório trazia um resumo do processo do ano passado, em que a Daimler, de fato, perdeu o controle da equipe ao vender quase metade dos 60% que tinha em um negócio que fez com que o time ficasse dividido em três partes iguais entre eles, a INEOS e Toto Wolff. Ele, aliás, disse algo como “a chance de a Mercedes sair é tão grande quanto de um marciano pousar na Terra”. Exagero, né? Eventualmente, isso vai acontecer. Mas eles têm conseguido fazer a equipe trabalhar no “verde” e diminuíram muito a dependência financeira da Daimler nos últimos dois anos, e essa situação só tende a melhorar com o teto orçamentário. Ou seja, em termos de retorno x investimento, não há momento melhor para a Mercedes na F1.

4 comentários Adicione o seu

  1. Robson Coimbra disse:

    Julianne, o que dizer desse garoto de 21 anos chamado de Lando Norris ???

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  2. Paulo Moreira disse:

    Tive pena do que aconteceu com o Leclerc. Gostava de ter visto a Ferrari na frente da corrida e com sérias hipóteses de ganhar.
    Não consigo é entender o que aconteceu com o Hamilton e a Mercedes. Pareciam uns novatos no Mónaco.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  3. Fernando do Amaral disse:

    O que são esses pneus com ranhuras nos F2? Não utilizam slicks?

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    1. Pneus de chuva que eles usam só para levar os carros ao grid

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