Horários, características da pista e tudo sobre o GP da França

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Para se ter uma noção de quão diferentes são as pistas de Baku e de Paul Ricard, basta ver a diferença de tempo para se completar os 6km do circuito do Azerbaijão e os 5.842m do traçado francês: as voltas neste fim de semana serão por volta de 10s mais rápidas, na classificação e na corrida. Paul Ricard até tem um setor mais travado, na parte final da volta, mas nada se compara especialmente ao trecho entre as curvas 7 e 10 de Baku, onde a Mercedes sofreu tanto na última corrida.

Mas talvez essa não seja a principal diferença: em Paul Ricard, pode-se errar praticamente à vontade, devido às generosas áreas de escape asfaltadas. Ou seja, saem os muros e as bandeiras vermelhas, e voltam as polêmicas por limites de pista.

Além disso, a pista tem curvas de alta e média com raio longo, então não há tanta pressão em cima da aderência mecânica e da tração, e sim do seu comportamento com mudanças constantes de direção. E outro ponto importante em Paul Ricard é o vento, uma vez que a pista fica a 400m do nível do mar, em uma região mais exposta.

Tudo isso aponta para o desempenho mais forte da Mercedes, mais para o nível do Barcelona do que em Mônaco e Baku. 

É claro que os pontos das últimas corridas contam tanto quanto os de quaisquer outras provas, mas essa combinação de pneus do meio da escala (C2, C3 e C4) com uma pista mais variada em termos de curvas é o que mais se repete ao longo do ano. O circuito de Paul Ricard é muito usado para testes e costuma premiar o melhor conjunto, como vimos claramente em 2018 e 2019, quando Lewis Hamilton e a Mercedes, campeões de ambas as temporadas, foram também absolutos na França.

Mas estaria a Red Bull tão perto da Mercedes a ponto de ameaçá-la mesmo em uma pista como Paul Ricard? Em anos anteriores, vimos a Mercedes sofrer, mas encontrar uma maneira de vencer em circuitos nos quais seu carro não se adapta tão bem (como Mônaco e, principalmente, Baku). Neste ano, contudo, não foi possível, o que aponta para, no mínimo, um GP da França menos absoluto.

NOTAS DE ESTRATÉGIA

Um circuito em que não é fácil ultrapassar (a média é de 29 manobras por corrida, abaixo do normal) uma vez que a sequência de curvas antes das duas zonas de DRS faz com que seja difícil se aproximar do rival + uma perda alta, de 24s, no pitlane já seria a receita perfeita para que as equipes determinassem deltas de ritmo para os pilotos a fim de manter a posição de pista (em outras palavras, administrar os pneus) e fazer apenas uma parada. Some-se a isso o fato de que, pelo menos em 2019, não apenas os ponteiros, mas também alguns carros do meio do pelotão, como as McLaren e Ricciardo na Renault, terem conseguido largar com os pneus médios, e essa é a receita de uma corrida em que os estrategistas pouco podem fazer.

O fato de as áreas de escape serem grandes e asfaltadas faz com que seja difícil contar com um Safety Car para embaralhar a estratégia e, para piorar, as tentativas de undercut e de overcut ficaram no quase em 2019: por um lado, se você parar antes trocando o médio pelo duro, ele demora muito para aquecer. Por outro, se fica na pista mais tempo que o rival, o desgaste é alto e o ritmo não compensa.

Mas os olhos estarão nos pneus por outros motivos: o fato de dois pneus já no final de sua vida útil, ou seja, quando tinham menos borracha, terem estourado, segundo a Pirelli, por fatores externos, joga um pouco de incerteza para a corrida de Paul Ricard. É claro que serão usados compostos mais duros e há naturalmente menos detritos na pista francesa, mas, por outro lado, as forças geradas nos pneus são mais significativas. E é esperado calor, assim como o que causou bolhas nos pneus das Mercedes na corrida de dois anos atrás.

FIQUE DE OLHO

Fernando Alonso já avisou que, para ele, sua temporada começa na França. Agora, ele já teve tempo de se adaptar e de conseguir as mudanças que pediu para ter uma resposta melhor do volante, e essa sequência de três corridas seguidas em pistas “de verdade” será o momento de colocar tudo à prova.

É o mesmo raciocínio de Daniel Ricciardo, que também vê o momento certo para conseguir colocar em prática tudo o que tem sido feito nos bastidores na McLaren e que acabou eclipsado por duas classificações complicadas em Mônaco e Baku.

“A oportunidade de andar bastante nos três próximos finais de semana combinada com o trabalho que fizemos no simulador deve colocar-nos no caminho certo para que eu continue ganhando confiança no carro.”

Daniel Ricciardo

Como equipe, talvez quem mais esteja esperando por esta sequência seja a Aston Martin. Ninguém colocou tantas novidades no carro desde o início do ano quanto eles, e chegou o momento de saber se a evolução vista nas duas últimas provas (do carro e de Vettel) não é só uma questão de adaptação às pistas de rua/pneus mais macios.

2 comentários Adicione o seu

  1. RS disse:

    Uma sugestão na tabela de horários da F1 é começar por sexta e abaixo colocar sábado.
    Uma correção necessária é nos horários dos TL1 e TL2 que sempre estão invertidos.
    É possível a compreensão, mas quero contribuir para melhoria e uma leitura mais clara.

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  2. Robson Coimbra disse:

    Na Aston Martin Lance Stroll tem feito corridas decentes, mostra que o carro é competitivo na Formula B da categoria, Vettel deve evoluir, afinal a equipe além de sempre trazer alguma coisa nova para os carros, tem suprido seu quadros técnicos com várias contratações. O Stroll quer equipe de ponta e para isso não economiza, tem os conselhos do maior manager dos últimos tempo, a “revelação” Toto Wolff, seu amigo e sócio .

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