Vingando Barcelona (e Bahrein também)

Não é à toa que, pela terceira vez no ano, os rivais na disputa pelo título na Fórmula 1 se encontram nas voltas finais de uma corrida, e uma disputa direta entre Max Verstappen e Lewis Hamilton define a prova: há anos a categoria não vê carros tão igualados brigando por vitórias. Desta vez, no GP da França, disputado no último domingo (20), a vantagem foi de Verstappen, que superou Hamilton com menos de duas voltas para o fim para vencer pela terceira vez em sete etapas disputadas até aqui. O holandês agora lidera o campeonato com 12 pontos de vantagem.

O GP francês, que vinha ganhando fama de corrida monótona após voltar ao calendário em 2018, desta vez teve ação do começo ao fim, e poderia muito bem ter tido um resultado diferente, com Hamilton ou até mesmo Sergio Perez, também da Red Bull, vencendo: enquanto, há dois anos, Hamilton venceu com 18s de vantagem para o segundo colocado, os quatro primeiros terminaram separados por 14s no último domingo.

A Mercedes acredita que tinha carro para vencer a corrida, e saiu de Paul Ricard sem entender por que seus cálculos de estratégia provaram estar errados: largando em segundo, Hamilton tomou a ponta depois de Verstappen sofrer com o vento na primeira freada e escapar, e tinha três segundos de vantagem quando o holandês fez sua parada. “Perdemos a corrida ali”, avaliou Toto Wolff. “Porque achamos que ele não voltaria na frente depois da parada de Lewis, achávamos que estávamos protegidos. E a partir daí as coisas se complicaram.”

Isso porque, assim como no Azerbaijão, a Red Bull conseguiu fazer um ataque de 2 x 1 em cima da Mercedes, antecipando a parada de Verstappen e alongando a primeira perna da corrida de Perez. Então depois da rodada de pit stops, a Mercedes estava encaixotada entre um piloto que poderia parar duas vezes (Verstappen) e um que iria até o final, e com os pneus em boas condições (Perez). Se Hamilton não parasse, ficaria exposto. Se fizesse uma segunda troca, provavelmente teria que passar os dois na pista. Bottas também estava por perto desta vez, mas na mesma estratégia de Hamilton.

O mais interessante desta briga é que são dois carros com filosofia muito diferentes e, portanto, características distintas. Por ter a traseira mais alta em relação ao solo, a Red Bull pode andar com uma asa dianteira mais fina sem perder tanta pressão aerodinâmica, o que lhe dá mais velocidade de reta, mas faz o carro gastar mais pneu. Enquanto é mais difícil fazer ultrapassagens com a Mercedes e sua asa maior, mas é mais fácil cuidar dos pneus.

Tendo isso em vista, o GP da França mostrou que a Red Bull aprendeu a lição do GP da Espanha, a última corrida disputada em um circuito permanente e que teve um desenho bem parecido: naquela ocasião, quando Hamilton perseguia Verstappen sem conseguir passá-lo, a Mercedes o chamou aos boxes, ele tirou a diferença e passou o rival, já sem pneus, no final, ou seja, a Mercedes usou sua vantagem com os pneus para anular a vantagem da velocidade de reta da rival.

Desta vez, a Red Bull não deixou isso acontecer: sabendo que os pneus de Verstappen acabariam antes dos de Hamilton de qualquer maneira, a equipe o chamou para os boxes. “Eles estavam nos forçando muito e não queríamos ficar na mesma posição de Barcelona. É claro que é difícil chamar o piloto para os boxes com 21 voltas para fim quando ele está na liderança, mas foi isso que fizemos. Devolvemos aquela de Barcelona”, disse o chefe da Red Bull, Christian Horner.

Isso porque, como Hamilton fez com Verstappen há pouco mais de um mês, desta vez foi o holandês que o passou no finalzinho, devolvendo não apenas a derrota de Barcelona, como também a primeira etapa, quando Max tinha pneus mais novos no final, mas saiu da pista na hora de passar, e a vitória acabou ficando com Lewis.

Com carros tão complementares e com o rendimento tão parecido em pistas mais normais especialmente desde que a Red Bull encontrou seu caminho com a asa traseira, é de se esperar que brigas como essas continuem ao longo do ano. A F1 está iniciando na França uma sequência de três corridas em fins de semana seguidos, partindo para duas provas na Áustria.

6 comentários Adicione o seu

  1. Fernando disse:

    Melhor temporada em muuuitos anos.

    Um deleite. Nos faz imaginar como poderia ter sido a temporada de 94 , caso não tivesse acontecido tudo que aconteceu, um campeonato entre dois pilotos excepcionais.

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  2. Excelente prova, para um circuito de corridas mornas.
    Tomara que a disputa se estenda até o fim do campeonato.
    E queno pelotão intermediário continue disputado.
    Boa prova da Aston Martin e fiasco da Ferrari. E a McLaren se consolidando como 3a. força.

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  3. Paulo Moreira disse:

    Quem diria (no ano passado) que iriamos ter um campeonato assim tão disputado?
    E olha se o Max tem conseguido a ultrapassagem ao Lewis no Bahrain e se não tem o pneu furado em Baku a vantagem no campeonato era ainda maior.
    Vamos ver o que as próximas corridas nos reservam, mas eu acho que a Red Bull esta mais forte do que a Mercedes.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

    Curtido por 2 pessoas

  4. Samile disse:

    Há alguns anos não fico tão animada com o campeonato. Nem qdo o Vettel era a ameaça, a Ferrari – a gestão de equipe, só sabe ganhar qdo tem disparado o melhor carro, qdo não precisa pensar em estratégia, qdo a gestão de pneus não atrapalha tanto o desempenho e qdo o piloto tem só que sentar a bota. A Red Bull e a Mercedes, como equipes, fazem jus a suas estrelas. Ainda bem que nesse ano está equilibrado com altos e baixos não só de estratégia mas de pilotagem dos dois pilotos de cada uma.

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  5. Hermes Leandro disse:

    Querida Jú , toda vez que comento aqui é por causa de alguma divergência, coisa muito difícil pois considero vc e o Adauto os dois melhores enxergadores de corridas que conheço.
    Desde a época das brigas com a Ferrari em 2017 e 18 sempre vejo muita lambança na estratégia da Mercedes , hj por exemplo não havia nenhum motivo pra não parar Hamilton na volta seguinte a parada de Bottas , pois já estava nítido pra todos que havia um ganho em torno de 2s por volta com pneu novo , na minha visão esse sim foi o erro da equipe , visto que uma segunda parada hj provavelmente dificultaria mais ainda a corrida de Lewis, que teria que ultrapassar Pérez que tinha um carro bom de reta e estava andando rápido .
    Quanto a Redbull esses pra mim na maioria das vezes vão sempre bem na estratégia, porém hj achei desnecessária a segunda parada de Max , visto que ele já havia segurado os ataques de Lewis e começava a abrir vantagem, na hora da parada tinha em torno de 3s de vantagem portanto margem suficiente pra responder um undercut entrando na volta seguinte , pra mim arriscaram demais e quase perderam a corrida por isso , se Lewis tivesse jogado mais duro na defesa da posição, penso que a Redbull ficaria sem a vitória

    Curtido por 1 pessoa

  6. Drunk Tsundere disse:

    A Mercedes foi extremamente burra ao não parar o Hamilton na mesma volta que o Verstappen. Ainda que a vantagem fosse de 3 segundos a chance de fazerem um pitstop mais lento é muito grande, o Hamilton poderia errar ou o Verstappen poderia andar mais do que eles previam, como aconteceu. Parar o Hamilton na volta seguinte à do Bottas eliminaria todas essas possibilidades. Foi um amadorismo assustador.

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