Bastidores do GP da França e o termômetro na Mercedes

Muita gente pergunta se o clima na Mercedes é o mesmo de antes. Bom, antes de tudo, nunca houve um clima de soberba dentro da equipe, de que eles venceriam sempre com um pé nas costas. Eles sempre estavam tentando melhorar em tudo. Então, agora, seguem na mesma linha. As caras muito preocupadas do teste do Bahrein – que muita gente na época dizia que era “jogo de cena”, lembra? – agora são caras determinadas. Ok, Toto emana uma irritação que só alguém muito perfeccionista pode ter quando as coisas não vão bem. Mas, quando tudo estava bem, também é justo dizer que ele (também como todo perfeccionista) procurava o que não estava.

E a questão de Bottas? O mais provável no momento é que haja uma troca entre a Mercedes e a Williams, mas Toto Wolff não é ingênuo de fazer isso cedo, enquanto a equipe precisa muito de Valtteri pelo título de construtores. E sabe-se lá se Bottas toparia tamanho downgrade. A experiência anterior de todas as renovações de contrato do finlandês levam a crer que há uma certa acomodação toda vez que ele já sabe o que fará no ano seguinte, então não surpreende ouvir de Toto que ele só vai confirmar os contratos no final do ano. E Russell demonstra entender que ainda segue em observação. Ele já deve imaginar que Hamilton não é exatamente seu maior defensor na Mercedes.

Falando em Hamilton, deu para notar que, durante a corrida, ele tinha duas preocupações: a aproximação de Verstappen e se seus pneus aguentariam até o final. De fato, a segurança dos pneus foi um tema recorrente no paddock, até porque vem Silverstone por aí, onde a Pirelli já sofreu mais de uma vez, e as equipes querem mais garantias (que não envolvam o aumento das pressões mínimas, que no final das contas foi o motivo para eles terem gasto dinheiro com as mudanças do assoalho). Ou seja, olhando o cenário atual do campeonato, está claro quais são as equipes que mais se queixam.

A França foi um fim de semana melhor para Daniel Ricciardo, que não perdeu o sorriso nem em seus piores momentos, mas agora está, digamos, mostrando um número maior de dentes. Ele até brincou com o toque de recolher que seu lado da garagem quebrou na sexta-feira depois de encontrar um problema durante a troca de câmbio normal entre sexta e sábado. A explicação “oficial” dele, contudo, foi outra: disse que eles acabaram perdendo a hora porque ficaram tomando cerveja. “Não os culpo, faz tempo que as baladas estão fechadas.”

Uma pena eu ter esquecido de tirar foto, mas muita gente que trabalha para a F1 (leia-se, para a Liberty/FOM), está usando cadarços com o arco-íris, no mês do orgulho LGBTQIA+. Na Aston Martin, o halo também está fazendo menção a isso, muito por força do chefe de comunicação, Matt Bishop, que há décadas luta pela inclusão no esporte.

Aliás, notei algo inédito dentro do motorhome da Aston Martin: Lawrence Stroll, animadamente, acenando para alguém no paddock. Ele é daqueles que te deixam no vácuo se você tenta falar um bom dia que seja, então logo imaginei que só poderia ser alguém muito, mas muito rico. Dito e feito: era o pai de Latifi, com a esposa e a namorada do filho. De máscara da Williams e caminhando em direção da McLaren. É claro que as bolhas não funcionam tão bem para um bilionário que tem o filho em uma equipe e participação em outra.

A família Latifi não era a única que marcou presença no paddock. Com o número de convidados aumentando, as pessoas mais próximas dos pilotos também estão de volta. Até uma convidada pouco usual: a mãe dos Leclerc, que estava  toda orgulhosa com o fim de semana de Arthur na F3. Ele foi de 30º no grid para 12º na primeira corrida, o que lhe deu a chance de sair na pole no grid invertido da corrida 2, e vencer.

A caminho da Áustria, lá estava Michael Masi no aeroporto com suas três malas, uma mochila e outra bolsa para a roupa social. Ele, como era Kamui Kobayashi no passado, é basicamente um nômade, indo de uma corrida para a outra sem residência fixa na Europa. Mas, diferentemente do japonês, que fazia isso porque curtia mesmo o estilo de vida, Masi queria mesmo é poder voltar mais vezes ao ano para a Austrália. Mas, com as regras pesadas de quarentena de seu país, ano passado ele só conseguiu entrar logo antes do Natal (data que, inclusive, passou em quarentena). Esse não tem vida fácil nos fins de semana de corrida e nem fora deles!

1 comentário Adicione o seu

  1. Robson Coimbra disse:

    A Mercedes (Andrew Shovlin) disse que “o computador” foi o responsável pela derrota do Hamilton, concordo, o tal computador não estava programado para a velocidade do Max e sua Red Bull.

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