Drops dos bastidores do GP da Grã-Bretanha e várias novidades (mas não aquela)

Não faltou novidade no GP da Grã-Bretanha: carro de 2022, novo formato, casa 100% cheia, ainda que iremos lembrar dessa prova para sempre por “aquele” lance, que estava até demorando para acontecer na temporada e que deve jogar uma outra camada de tensão no campeonato.

Fora da pista, tirando a organização do evento em si, acostumada com públicos acima de 100 mil pessoas por dia, parecia que a F1 não estava 100% preparada para as outras novidades. Ninguém sabia muito bem como chamar o sprint (que foi rebatizado, pela segunda vez, desta forma há duas semanas da estreia) e era um tal de sprint qualifying (o que não faz sentido porque é uma corrida) e sprint race (que a F1 não quer para não tirar a importância do domingo), além de malabarismos para explicar que o pole não era pole e que o vencedor na verdade era o pole que muita gente saiu de Silverstone com a impressão de que o novo formato deu uma movimentada interessante no fim de semana, mas pode ser aperfeiçoado.

(É claro, na sexta-feira à noite, muita gente no tradicional busão vermelho de dois andares que nos leva do paddock ao estacionamento estava pensando que já era sábado! Inevitável)

E não só na questão da nomenclatura: houve quem não viu muita graça em uma sessão de uma hora de classificação na sexta para não definir tanta coisa assim, e eu achei o sprint muito longo, incentivando as equipes a usarem os pneus médios e a aprenderem mais sobre eles para a corrida, enquanto a grande graça do formato até então era o pouco tempo de pista até a classificação da sexta. Aliás, o marasmo era claro no paddock enquanto rolava a segunda sessão de treinos livres, que ficou meio perdida na classificação.

Falando em perdida, a apresentação do carro de 2022 – por si só uma coisa estranha de se fazer, já que muita gente entendeu que as equipes passarão a ter os mesmos carros – não ficou muito atrás. Aquela parte do vídeo em que os pilotos aparecem com o carro foi gravada umas 3h da apresentação ir ao ar. Quando ela estava sendo mostrada, o carro já estava no paddock, coberto por um pano branco, que foi retirado sem qualquer pompa e com o cenário atrás longe de estar pronto, enquanto as TVs estavam lá para registar.

Claro, também, que as equipes já sabem faz tempo o que esperar do novo visual, pois já trabalham nesse carro desde que as regras foram anunciadas, no final de 2019 (embora a parte de túnel de vento e CFD só tenha começado em janeiro, por regra), mas foi uma chance do pessoal da velha-guarda se reunir para falar do quão horrível o carro é, que parece um Indy, etc., depois de passarem anos reclamando dos penduricalhos aerodinâmicos que eles vinham tentando, desde 2008, tirar do carro.

As equipes, aliás, contaram com 115 pessoas pela primeira vez na pandemia, depois de começarem atuando com um limite de 90 e, já há algum tempo, terem 100 à disposição. Isso, fora os convidados VIP, que voltaram a circular no paddock (ainda que em número reduzido e com pouco acesso – o grid continua razoavelmente vazio, por exemplo) desde o GP da Espanha.

Tentando escapar do tráfego inevitável com tanta gente indo para um lugar com opções nulas de transporte público – aliás, seria bom para a F1 para ser verde de verdade pensar na localização das suas pistas – alguns pilotos, como Fernando Alonso, tinham carros o esperando do lado da zona de entrevistas, dentro do paddock, para escapar dali o quanto antes, enquanto Sebastian Vettel fazia o percurso até o hotel pedalando todo dia. Após a prova, foi ajudar a limpar as arquibancadas, como fazem os japoneses. Ele realmente está tentando diminuir o impacto dele no meio ambiente (sim, mesmo sabendo que é piloto, que a questão do transporte do circo da F1 de um lado ao outro é um problema), e está na pegada de fazer o que está a seu alcance, na base do “every little counts”.

Falando nos pilotos, Lando realmente não estava no modo brincalhão de sempre. Fez seu trabalho normalmente, dando as respostas longas e elucidativas para a imprensa, fez sala para os VIPs que queriam vê-lo, parou para dar autógrafos e, na pista, claro, eles sempre se sentem mais à vontade para fazer o que gostam. Mas não parecia ser só conversa de que ele não estava muito bem no que foi um assalto agressivo, segundo colegas ingleses, em Wembley.

Já George foi do ar de herói que tinha quando saiu do carro na sexta-feira para a resignação no sábado. De um jeito bem inglês (o humor deles tem muito de auto-depreciação, ou se rir da própria desgraça, como queiram), disse ser “típico” ter chegado em nono na corrida que não contava pontos. E deve ter sido ainda mais “típico” pela punição negando-o até isso. 

Mas a torcida inglesa o adora justamente por esse ar Nigel Mansell que ele tem, que casa muito com a ideia que os ingleses têm deles mesmos. É algo impossível para Lewis Hamilton, com todos os seus títulos, cultivar. E, embora tenha visto incontáveis bonés roxos (vendidos especialmente para este GP) nas arquibancadas, e a comemoração pela vitória tenha sido grande, como geralmente é com o público que vai a Silverstone, chega a impressionar como, mesmo tendo conquistado tão pouco, os jovens ingleses não ficam tão à sombra do heptacampeão por aqui.

Ah, e o tal anúncio de Russell? Todas as fontes próximas asseguravam nas últimas duas semanas que nada está decidido, embora os (como a gente brinca na sala de imprensa) www.F1frommybedroom.com garantissem que era tudo uma formalidade. Pelo visto, teremos novidades só em agosto.

4 comentários Adicione o seu

  1. Luander Falqueto Beltrame disse:

    Minha opinião do que poderiam alterar nesse final de semana com “corrida de classificação”. Ao invés de ter uma classificação para a Sprint deveriam usar a média dos melhores tempos de cada piloto nos 3 treinos livres (ou poderia ter somente 2 TL), essa média definiria a posição de largada na Classificação Sprint.

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  2. Paulo Moreira disse:

    Sinceramente, eu não sou muito adepto de mudanças no formato dos fins de semana. Acho que está bem como fazem agora. Não sou fã da sprint race. Por mim, até que mudavam para a forma de qualificação como era antigamente. 1 hora de duração, 12 voltas para todos os pilotos.
    Com isto da sprint race a dar o primeiro lugar na grelha de partida, tiram a verdadeira essência do que é a pole-position, que deveria ser sempre, para quem fizesse uma volta no menor tempo.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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    1. Andre disse:

      E se a tabela de tempo (melhores voltas) da sprint fosse o grid de largada?
      E desse ponto para quem “vence” a sprint e ponto para quem fizesse o melhor tempo (pole position)?

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  3. Sandro disse:

    Isso nunca vai acontecer (creio eu): grid invertido na Sprint Qualifying. Com o grid formado pela ordem de classificação da corrida anterior. Ou pela tabela de classificação do Mundial de Pilotos. Ou no sorteio. 😝

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