Raio-X do GP da Grã-Bretanha e o líder supresa (por 49 voltas)

Fazia tempo que a Mercedes não vencia uma corrida na temporada e, se a vitória seria possível sem o acidente entre Lewis Hamilton e Max Verstappen na primeira volta, é impossível dizer, haja visto o ritmo comprometido da única Red Bull que sobrou na pista. Mas tivemos alguns indicativos de que a briga seria, pelo menos, tão parelha quanto na França, após o domínio incontestável da líder do mundial nas duas provas da Áustria.

Com o carro saindo muito de frente na pista mais fria em um Q3 realizado perto das 19h locais em Silverstone, Max Verstappen largou em segundo no sprint, que definiria o grid, e isso poderia ter complicado seu fim de semana, já que Lewis Hamilton tinha mais velocidade de reta que o rival, revertendo uma tendência que vinha, justamente, desde sua última vitória.

Isso aconteceu tanto porque Verstappen tem optado, desde a segunda corrida da Áustria, por andar com mais asa para proteger os pneus (e em Silverstone estava também com uma gurney flap, que Lewis escolheu não usar), e Hamilton tem feito o contrário, com as peças introduzidas pela Mercedes em Silverstone permitindo que ele tirasse ainda mais arrasto do carro. Se essa será uma tendência ou se a Red Bull vai rever seu acerto depois do que vimos no GP da Grã-Bretanha, é um dos capítulos ainda a serem escritos nesse campeonato que agora só tem quatro pontos dividindo as duas equipes.

Mesmo com essa mudança, a Red Bull tinha uma vantagem de ritmo, mas pelo menos Hamilton tinha a expectativa de, andando com pista livre e com o rival logo atrás, travado pela falta de velocidade de reta, fazer seu próprio ritmo cuidando dos pneus e gerando superaquecimento nos pneus de Max, o que já é normal em Silverstone quando se tenta seguir um carro de perto e era ainda mais forte neste fim de semana com as pressões mínimas tão altas, assim como as temperaturas.

Mas, para isso, como ele percebeu na sprint, quando perdeu a primeira posição na largada e sofreu, ele mesmo, as bolhas nos pneus, era preciso se livrar de Max o quanto antes. 

É como se aquela primeira volta do sprint tivesse sido, na verdade, o ensaio da corrida. No sábado, Hamilton foi por fora na Copse e recolheu. No domingo, fingiu ir por fora para forçar a defesa de Max, e se jogou por dentro. Pelas declarações que deu depois da corrida, ele estava decidido a não tirar o pé, mesmo sabendo da fama de seu rival, de sempre deixar para o outro piloto a decisão de bater, comprometendo-se 100% em fazer a curva como se ele não estivesse ali. Verstappen tinha o direito de fazer isso contando que deixasse o espaço de um carro entre ele e a linha branca (como fez) porque estava entrando à frente na curva, mas ter o direito não quer dizer que você não está arriscando: se o outro não tirar o pé, dois corpos não ocupam o mesmo espaço. Dito e feito. Os dois poderiam ter saído da prova, mas foi Verstappen quem se deu pior, batendo forte em um ponto perigoso da pista.

Hamilton sentiu que tinha danos no carro e teve sorte de ver a bandeira vermelha sendo acionada, já que ele poderia trocar o que estivesse avariado (segundo a equipe, ele provavelmente teria abandonado não fosse a paralisação). Uma punição era uma questão de tempo, o que travaria sua possibilidade de overcut ou undercut para cima de Charles Leclerc, então líder da prova depois de passar Bottas nos primeiros metros e Hamilton depois da batida (sim, Lewis era segundo mesmo com tudo o que tinha acontecido até ali).

Já sabendo que teria de ficar parado por 10s antes de fazer sua troca de pneus, que seria a única da corrida, coube a Hamilton distanciar-se um pouco da Ferrari para sofrer menos com superaquecimento, e parar quando teria pista livre para imprimir seu ritmo. Tentar atacar Leclerc naquele momento só acabaria com seus pneus.

Depois que Hamilton fez sua parada, na volta 27, a vantagem em relação ao ritmo da Ferrari ficou clara: era de pelo menos 0s7 por volta, ou seja, mesmo tendo Lando Norris e Valtteri Bottas pelo caminho antes de chegar de novo em Leclerc, os 10s da punição seriam tirados certamente em menos de 20 voltas, e havia 22 para o fim.

A Ferrari até tentou deixar Leclerc na pista por duas voltas a mais que Hamilton, pensando em ter pneus melhores no final, mas ele estava começando a perder muito tempo e não havia outra escolha. O trabalho de Leclerc agora seria, mesmo com os problemas de motor, cuidar de seus pneus e tentar resistir no final.

Perdendo mais de 30s em sua parada devido à punição – a perda real em Silverstone é de cerca de 21/22s com o pitstop, embora o pit seja o mais longo da temporada, uma “mágica” que acontece porque corta-se duas curvas lentas quando se passa pelos pits – Hamilton voltou em quinto, logo passou Norris (por dentro na Copse), viu Bottas abrir passagem e, com três voltas para o final, estava colado atrás da Ferrari, passando Leclerc, também, por dentro na mesma curva, vencendo e descontando 25 dos 33 pontos que tinha de desvantagem para Verstappen.

O holandês, é claro, não gostou nada da maneira como foi tirado da prova, e a reação também de Hamilton ao dizer que “quando alguém é agressivo, esse tipo de coisa acontece” indicam que os lances polêmicos na temporada não vão ficar por aqui.

Como era esperado, a corrida atrás dos primeiros colocados foi menos movimentada, já que estava todo mundo na mesma estratégia, sem a necessidade de largar com os pneus do Q2, regra que deve cair ano que vem, inclusive. O único que conseguiu evoluir foi Carlos Sainz, que estava largando fora de posição, em décimo, após se encontrar com Russell no sprint, mas já na quarta volta estava em sexto. Ele só não terminou à frente de Ricciardo devido a sua parada ruim, 7s mais lenta que o normal.

Outro que lamentou uma falha nos pitstops foi Lando Norris: ele passou Bottas na relargada e estava em terceiro quando antecipou sua parada para escapar de qualquer tentativa de undercut da Mercedes, na volta 21. Como a troca foi ruim, coube à Mercedes só responder na volta seguinte para tomar a terceira posição. Olhando em retrospecto, eles talvez nem precisassem disso, já que Bottas sofreu com os pneus no final pela parada antecipada, mas estava bem na frente do inglês para ser ameaçado.

Alonso chegou no máximo que seu carro podia após o sprint e lá ficou, em sétimo, mas não vimos a continuação da briga com Vettel iniciada no sábado porque o alemão rodou no começo da prova, foi para o fim do pelotão e por lá ficou até abandonar.

Falando na dificuldade em escalar o pelotão, Sergio Perez largou do pitlane e acabou tendo mais dificuldade do que imaginava com a turbulência, demorando para superar adversários com carros mais lentos e desgastando muito seus pneus neste processo. Nas voltas finais, chegou ao décimo lugar, mas a Red Bull optou por pará-lo para que ele tirasse o ponto extra de Hamilton para tentar minimizar o estrago do domingo.

1 comentário Adicione o seu

  1. Thiago disse:

    “Hamilton sentiu que tinha danos no carro e teve sorte de ver a bandeira vermelha sendo acionada, já que ele poderia trocar o que estivesse avariado (segundo a equipe, ele provavelmente teria abandonado não fosse a paralisação).”

    ou seja

    B-E-N-E-F-I-C-I-A-D-O

    Curtir

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