Drops dos bastidores de mais um round Red Bull x Mercedes

Era difícil encontrar alguém no paddock que não tenha entendido que pegou muito mal para a Red Bull primeiro estender a briga a respeito de um lance que a enorme maioria dentro da F1 viu como incidente de corrida, ainda que tenha sido uma manobra dura e agressiva de Lewis Hamilton, e depois fazê-lo com um recurso tão frágil. 

Tanto, que ficou a impressão que eles nem tinham qualquer esperança de mudar a punição mas, sim, acalmar os ânimos do staff de Verstappen, que seguia muito irritado com a manobra. De fato, a batida foi bem mais feia do que a gente conseguiu ver na transmissão da corrida. O acelerômetro posicionado no fone de ouvido do piloto, que mede o impacto na cabeça, acusou mais de 70G de impacto e ele parece ter perdido o controle por alguns segundos, ou pelo menos é isso que a câmera que filma o rosto dos pilotos para ajudar em restituições de acidentes e para ajudar os médicos apontou.

A questão é que, pelo menos na F1, incidentes não são julgados pelo seu resultado, algo pedido, inclusive, pelas próprias equipes, e é por isso que as chances de a Red Bull conseguir uma punição mais pesada para Hamilton eram ínfimas.

Como se isso não bastasse, na decisão da FIA há uma frase que não passou despercebida: “os comissários apontam, com certa preocupação, algumas alegações da carta [da Red Bull]”. Várias fontes no paddock, inclusive ligada à FIA, dão conta que isso veio de um questionamento da lisura do processo decisório da entidade e de sua ligação com a Mercedes. Já a explicação de Horner é que eles se referiam ao fato de Wolff ter apresentado dados à direção de prova enquanto a decisão estava sendo tomada, e estão contentes com a reação da FIA que, ainda na semana passada, avisou as equipes que não vai mais tolerar este tipo de interferência. Só ficou um pouco estranho ver essa frase em um documento feito na quinta-feira se tudo já tinha sido resolvido. 

O fato é que o pessoal da Mercedes ficou ofendido quando viu a tal carta da Red Bull. Mas não quiseram comentar exatamente o motivo. E depois que Bottas tirou as duas Red Bull de combate na primeira volta, causando ainda mais prejuízo para a equipe, Horner nem quis aceitar as desculpas de Wolff, numa briga que anda forte nos bastidores, com principalmente a Mercedes fazendo uma série de reclamações ao longo da temporada junto à FIA. O momento da Red Bull só piorou com os dois motores perdidos ao longo do fim de semana (o de Verstappen pela rachadura que apareceu após a batida de Silverstone, e o de Sergio Perez por ter ficado sem água após a batida com Bottas). É quem mais precisa dessa pausa de agosto para se reagrupar.

Outro assunto da semana foi a reunião entre a prefeitura e a organização do GP de São Paulo sobre a mudança de data da etapa brasileira para o dia 14 de novembro. Essa sempre foi a dada preferida, mas que o Brasil teve de ceder devido à corrida da Austrália, que acabou sendo cancelada. Mas não se espera um anúncio oficial pelo menos até a segunda metade de agosto. Isso porque o GP de São Paulo está longe de ser o único que gera problemas para a F1 no momento – até Abu Dhabi pode mudar de data pelo mesmo motivo da corrida paulistana: o Brasil e os Emirados Árabes Unidos estão na lista vermelha do Reino Unido, o que torna inviável correr nestes dois países e logo retornar à Inglaterra (sede de sete das 10 equipes), já que todos teriam que ficar em isolamento por 10 dias. A saída é ter uma prova logo em seguida. A situação é a mesma da Turquia e de possíveis substitutas (Bahrein e Qatar). E ainda tem todas as dúvidas em relação ao Japão. Acho que dá para entender a demora para fechar todas as datas!

Não dá nem para cravar Zandvoort, para vocês terem uma ideia. Isso porque a Holanda liberou grandes eventos e voltou atrás, e só tem uma regulamentação válida até 1º de setembro (pela qual o GP poderia seguir adiante). Tudo depende da evolução dos casos nas duas próximas semanas, para que o governo defina quais serão as normas para quando o GP por realizado. É possível que haja um limite (fala-se, de 75 mil pessoas), o que não é exatamente visto com bons olhos pelos organizadores, que dependem muito do dinheiro do ingresso para viabilizar o evento. Essa talvez seja uma boa notícia para Hamilton, cujo staff já está montando um esquema de segurança reforçado para a etapa holandesa.

Voltando ao calendário, como me disse um chefe de equipe, que inclusive veio perguntar se vai ter GP no Brasil, parece que o plano é todo mundo sair de casa em setembro e voltar só em dezembro.

Era brincadeira, claro, com o pano de fundo de que as equipes estão tendo problemas de gente pedindo demissão ou para ser recolocado em posições na fábrica. Aliás, dá para colocar na conta disso os erros que temos visto em tantas equipes. O calendário inchado já era um problema. E o estresse gerado pelas restrições da covid e isolamento na volta para casa distanciou ainda mais a “vida dos sonhos” de trabalhar na F1 do conto de fadas que muitos pensam ser.

3 comentários Adicione o seu

  1. Parece que a Res Bull ficou tão preocupada em reclamar do incidente em Silverstone que esqueceu de se preparar para a Hungria.
    Mais uma excelente corrida num GP que deveria ser chato.

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  2. Felipe Souza disse:

    A corrida no Qatar seria em Losail ou no circuito de Dubai?

    Sempre achei que a F1 deveria correr um dia lá, em que pese problemas do país.

    Não sei se o layout escolhido vai favorecer a uma prova de F1, mas ambos contam com boa infraestrutura.

    E espero relamente que adiem o GP do Brasil. Surreal ter 3 etapas seguidas na América. Aliás, calendário inchado esse.

    Bem desnecessário. Mas enfim… busine$$.

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    1. Dubai fica nos Emirados, assim como Abu Dhabi

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