Raio-X do GP da Holanda e as três missões que Verstappen cumpriu

Não foi a primeira vez na temporada que Max Verstappen suou a camisa mais do que deveria para fazer a pole position, por um motivo ou por outro. Desta vez, em casa, uma derrapada de pneu fez o sistema eletrônico do câmbio subir duas marchas na saída da curva três, e o DRS não abriu na volta final. Então a diferença, que deveria ser de cerca de três décimos, ficou nos centésimos.

Isso até chegou a animar Lewis Hamilton, que vinha em um fim de semana complicado pela falta de tempo de pista na sexta-feira, quando o primeiro treino livre ficou parado por mais de sua metade para que o carro de Sebastian Vettel fosse retirado, e o inglês teve um problema de motor no segundo. Até porque ele sabia que teria Valtteri Bottas para ajudá-lo, enquanto Verstappen correria sozinho depois de uma estratégia confusa da Red Bull com Sergio Perez, eliminado ainda no Q1 sem conseguir abrir a volta em sua segunda tentativa.

Mesmo tendo um carro ligeiramente superior, por uma combinação entre o efeito das novidades levadas à Bélgica e uma adaptação melhor ao circuito de Zandvoort (a Mercedes não parecia se comportar bem na primeira curva inclinada, a três, talvez uma mudança de direção com elementos demais para seu carro com distância entre-eixos mais longa), Verstappen tinha três missões: escapar logo do DRS, pois a velocidade no final da reta da Mercedes era superior, evitar ficar exposto a um undercut (o que em Zandvoort significava algo em torno dos 2s5) e, ao mesmo tempo, cuidar dos pneus, já que as interrupções nos treinos livres significaram que os times foram no escuro em termos de simulações de corrida.

Qualquer falha em um destes três pontos e a Red Bull poderia ter perdido a corrida. Porém, do outro lado, a Mercedes teria de ser perfeita em um dos momentos cruciais em uma prova em que, já se sabia de antemão, as ultrapassagens seriam mais difíceis: na largada, nas duas paradas de Hamilton ou quando Bottas estaria segurando Max.

Isso aconteceria porque a ideia sempre foi que Hamilton tentasse seguir Verstappen o mais de perto possível para se colocar em posição de undercut, já se comprometendo a fazer duas paradas, enquanto Bottas dosaria o ritmo para parar bem depois dos dois.

Verstappen largou bem e abriu 1s7 já na primeira volta, cumprindo sua primeira missão. Já na volta 13, ou seja, antes de que a Mercedes pudesse tentar o primeiro undercut, abrira 3s. Hamilton tentou a tática mesmo assim, na volta 20, quando Max já tinha alcançado os primeiros retardatários. Mesmo se sua parada tivesse sido boa (e não foi), a inlap de Verstappen foi tão veloz que ele conseguiu ser mais rápido no segundo setor que o inglês, mesmo tendo pneus usados.

Ali Verstappen deixou claro que tinha ritmo para segurar uma vantagem de 3s e ainda preservar os pneus, algo que é sempre mais fácil para o piloto que vai à frente. Mas Hamilton teria uma segunda chance porque Bottas ainda não tinha parado, o que Verstappen resolveu passando o finlandês de maneira decidida, quando Hamilton já estava em zona de DRS.

O segundo stint foi um repeteco: por várias voltas Hamilton ficou a menos de 2s de Verstappen, mas era muito cedo para parar. Quando a janela de pit stop se aproximou, o holandês abriu só o tanto que precisava para se manter na ponta e o undercut não funcionou.

A única chance de Hamilton poderia ter sido, então, colocar os macios com menos de 20 voltas para o final e ir à caça no mesmo estilo do GP da Espanha. Mas é difícil acreditar que isso mudaria a história da corrida, porque Verstappen sempre teve margem.

Outros dois destaques da prova chegaram na quarta e sexta colocações: Pierre Gasly teve uma tarde inspirada, mais uma neste ano, largando em quarto e conseguindo fazer um stint de quase 50 voltas com os médios funcionar. Ele acabou não sendo atacado por Charles Leclerc como era de se esperar, com a Ferrari sofrendo com os pneus (ainda que não na medida de provas anteriores, especialmente França). Sainz penou mais que o companheiro com a borracha, e acabou chegando atrás de Fernando Alonso, que abriu caminho com uma primeira volta agressiva e ainda conseguiu passar o compatriota na última volta.

2 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Salles disse:

    Que belo texto…como sempre! Parabéns! Já disse, por aqui, que acompanho a F1 desde 73 e nunca houve alguém tão eficiente e dedicada quanto você…. Obrigado. Muita saúde e muito trabalho!

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