Bastidores do GP da Turquia: o futuro da Alfa e mais despedidas

Pego o táxi na Europa, passo por uma das pontes que cruzam o Bósforo e avisto o que vemos nos cartões-postais como sendo Istambul lá de longe, o único lugar iluminado em meio a um céu carrancudo. É uma viagem tranquila, por uma rodovia, até o outro lado da cidade – e a Ásia, onde fica a pista. O hotel fica perto de uma rotatória. O motorista aponta o hotel para mim e para no meio desta rotatória. Eu digo que eu posso andar, não tem problema. Estou a menos de 50m do hotel. Mas ele faz questão de dar ré na contramão para me deixar na porta. Bem-vindos à Turquia.

Logo na chegada, recebemos a notícia de que o piloto do carro médico, Alan van der Merwe, e o Dr. Ian Roberts tinham testado positivo para covid e nem viajaram à Turquia. Curiosamente, eu tinha conversado com Alan na Rússia sobre vacinação, e o sul-africano me contou que não tinha tomado vacina porque tinha tido covid, na volta do GP da Austrália que não aconteceu em 2020 e achava que não precisava. A dupla, que está bem, foi substituída por seus pares da Fórmula E.

Hamilton acabou trocando o motor, evidenciando aquilo que citei na coluna passada sobre a inquietude da Mercedes em relação a sua unidade de potência. Isso é fundamental para a equipe, cuja divisão de motores está quebrando a cabeça para fazer mudanças que permitam forçar mais a UP durante todo o seu ciclo da maneira que a Honda consegue atualmente antes de 2022, quando os motores serão congelados.

O interesse no paddock era a respeito do futuro da Alfa Romeo, tanto da escolha do piloto para o ano que vem, quanto a respeito de uma possível troca de comando, com a Andretti já há tempos tentando entrar na F1 e tendo visto a porta aberta por lá. Os atuais donos são um grupo de investimento que entrou como patrocinadores de Marcus Ericsson e foram pagando as dívidas do time, assumindo, assim, seu controle. E lá ficarão até poderem lucrar com a saída.

É por isso que tem gente graúda no paddock estranhando a história de uma compra iminente, achando que não é o momento de vender. De fato, quem deu primeiro a matéria, Dieter Rencken, me explicou a situação da seguinte forma: “sabe quando você está procurando uma casa para comprar e vai umas três vezes visitar a mesma, depois faz uma oferta? Tá nesse pé: encaminhado, mas pode dar para trás, pode demorar, etc.”

E isso vale em relação ao piloto também. Fred Vasseur estava fazendo mistério sobre o anúncio da última vaga que resta para 2022 mas, pelo andar da carruagem, não há nem a certeza de que ele mesmo continua. Depende de qual decisão demorar mais tempo. Se tudo andar rápido, o GP dos EUA está logo aí e seria, claro, o melhor lugar para um anúncio.

De qualquer maneira, o clima não parece estar dos melhores por lá. Giovinazzi até recusou atender a uma ordem de equipe, o que provavelmente privou o time de um pontinho.

Outro assunto era o calendário de 2022, com 23 corridas e três triple headers, ou seja, trios de corridas em finais de semana seguidos, algo que as equipes disseram que jamais aceitariam de novo depois da primeira experiência de 2018, mas que depois acataram ppor causa da dificuldade de fechar o calendário em tempos de pandemia e, agora, não têm muita desculpa: é pelo dinheiro mesmo. Esperava-se um anúncio oficial do calendário neste fim de semana, mas ainda existe a pendência em relação à China.

E o êxodo decorrente disso continua. A própria F1 tem enxugado muito sua estrutura e vai chegar no fim do ano com 30% a menos em termos de pessoal, enquanto profissionais que trabalham para as equipes seguem se despedindo. E me chamou a atenção o tweet de Marc Cox, mecânico da McLaren, dizendo que realizou seu sonho e que era hora de seguir em frente. Um dos comentários dizia que não era o momento dele sair, que ele tinha muito mais a conquistar no esporte. Ao que a esposa de Marc respondeu “diga isso ao nosso filho de 6 anos”. Mais claro, impossível.

1 comentário Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Sobre o calendário com 23 corridas. É claro que nós, os adeptos, gostamos de corridas e quantas mais melhor. Mas também temos que entender todos aqueles que trabalham na F1, seja nas equipas ou os jornalistas, que cada vez mais passam tanto tempo longe das suas famílias. Penso que 18 ou 20 corridas seria o ideal.
    Quando à Alfa Romeo. É pena que continue pelos últimos lugares e não queria nada que deixasse a F1, afinal é uma equipa com muita história na modalidade.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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