Horários, características da pista e tudo sobre o GP do Catar

@F1

Uma pista projetada para receber corridas de motos, estreita e com sequências intermináveis de curvas, vai receber a Fórmula 1 pela primeira (e muito provavelmente a única) vez em um momento crucial do campeonato. O GP do Catar fará sua estreia logo depois de um eletrizante GP de São Paulo em meio a muitas incertezas, depois da cartada da Mercedes de trocar o motor (sabendo que, no caso dela, a vantagem de fazer isso é muito maior do que a Red Bull teria) em Interlagos, e de ver a rival sofrendo mais do que o esperado até com a pista mais quente no domingo passado.

Sabemos que a vantagem do motor novo vai se deteriorando rapidamente, até porque o mapeamento usado por Hamilton certamente foi agressivo, dada a maneira como ele abriu espaço no meio do pelotão, mas o circuito de Losail tem uma reta de mais de 1km, e apenas um ponto de ultrapassagem, justamente na freada da curva 1 (uma das poucas feitas a menos de 200km/h).

Em termos de desgaste de pneus, o asfalto relativamente antigo ajuda a dar aderência. Isso, é claro, se não estiver ventando (cheguei terça à noite e não vi muito vento por aqui ainda), o que levaria areia para a pista. Mas o fato de a Pirelli levar sua gama mais dura ao Catar indica uma preocupação com a sequência de curvas de média e alta velocidade (principalmente entre a 4 e 9), pois elas colocam muita energia lateral nos pneus. 

Ao mesmo tempo, compreender como os carros e pneus da F1 vão se comportar em uma pista que já não será usada em 2023, quando a categoria voltará ao Catar, não será fácil, uma vez que a primeira a terceira sessões de treinos livres serão disputadas à tarde, sob um sol escaldante. Isso é pouco representativo porque a classificação e a corrida começam às 17h. Anoitece cedo por aqui e, sem o sol, a temperatura cai rapidamente. Por isso, fiquem de olho nas simulações do segundo treino livre.

Voltando à pista, são 370m entre a posição da pole e a primeira freada, ou seja, não há muito espaço para se pegar o vácuo na largada. A pista é relativamente estreita e deve ser difícil seguir um carro de perto sem superaquecer os pneus, portanto, a classificação será muito importante. E também muito difícil, pois será preciso entender como a pista vai evoluir no final da sessão, quando as temperaturas já tiverem caído.

E, na corrida, até pelo conservadorismo da Pirelli com os pneus, podemos esperar uma prova com uma parada, sendo disputada em um ritmo bem mais lento no começo, com os pilotos esperando a temperatura do asfalto cair para atacar. Isso, lembrando que a temperatura do asfalto cai muito mais rapidamente que a ambiente, e os pilotos esperam uma prova bastante física, tanto pelo calor, quanto pelo layout da pista, tendo apenas uma reta.

Fique de olho 

A pessoa mais experiente no circuito de Losail do paddock da F1 está na Alpine. Davide Brivio sempre parece um tanto deslocado dentro da equipe, e sua saída ao final de apenas um ano é dada como quase certa. Mas é fato que o italiano sabe os segredos de uma pista que está há algum tempo no calendário da MotoGP. Tenho falado pouco sobre eles então aproveito a oportunidade para destacar como Ocon e Alonso (quem diria) estão trabalhando em equipe nas táticas. Eles sabem que essa é sua chance de bater a AlphaTauri entre os construtores na briga pelo quinto lugar, que está empatada no momento.

3 comentários Adicione o seu

  1. Post essencial para quem está com pouco tempo e quer se atualizar para a proxima corrida. Parabéns Ju!

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  2. Pedro Costa disse:

    Bora Lewiss :))

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  3. FERNANDO DO AMARAL disse:

    A imagem diagrama da pista abrindo o artigo logo fez pensar no traçado de Jarama ( q sediou vários GPS da Espanha décadas de 70 e 80): também aquela pista era estreita ( mesmo para os padrões de 1970) e tinha somente uma reta longa e um ponto a permitir ultrapassagens, ao fim dessa reta claro.
    Diferença grande na extensão total e na média horaria de volta provavelmente pois Jarama não tinha curva de média-alta nem alta velocidades .
    Obrigado Ju por esse ótimo artigo (as usual) sobre uma pista ainda desconhecida a nós .

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