Guias dos circuitos

Horários, características da pista e tudo sobre o GP da Arábia Saudita

Uma pista de rua com curvas de alta velocidade, muros próximos e sobre a qual equipes e pilotos têm poucas informações. Para completar, um asfalto novo, que muito provavelmente ainda está soltando óleo e que deve oferecer pouca aderência. A estreia do GP da Arábia Saudita seria um desafio e tanto em qualquer circunstância, e serve para amplificar a tensão de um dos campeonatos mais disputados da história da F1, que chega nas suas duas semanas decisivas.

Trata-se da segunda pista mais longa do campeonato (perdendo apenas para Spa-Francorchamps) e a segunda mais veloz (a média de velocidade deve ficar atrás apenas de Monza). São 27 curvas, algumas cegas, mas muitas feitas em pé embaixo, com uma configuração interessante de DRS: são três, praticamente em sequência, sendo que o ponto de detecção da segunda fica no final da primeira zona, e o mesmo ocorre entre as zonas 2 e 3. Ou seja, pode valer a pena só emparelhar, permanecer atrás nas zonas de detecção e só ultrapassar na terceira. Tudo vai depender do quão fácil será ultrapassar, já que alguns pilotos comentaram após andarem no simulador que as zonas só servem para encostar no carro que vai à frente.

Em termos de configuração de carro, como a expectativa é que equipamentos que geram menos arrasto sejam favorecidos (em uma escala de 1 a 5, a estimativa é que o nível de downforce desejado seja de apenas dois), a Mercedes parece contente em aceitar o favoritismo inicial – e a Red Bull, em jogá-lo nas costas dos rivais. Isso porque a filosofia do rake mais baixo automaticamente ajuda na velocidade de reta e em conseguir tirar mais downforce do carro, simplesmente porque a traseira elevada da Red Bull, por si só, já gera mais arrasto.

Há, também, a questão da potência vinda do motor: será que a Honda vai liberar mais potência (ainda que Wolff suspeite que isso já aconteceu no Catar)? Será que a decisão será dar um novo motor a Verstappen, mesmo que isso não dê o mesmo tipo de vantagem que a Mercedes tem? O que sabemos é que, do lado de Hamilton, ele voltará a usar o equipamento do Brasil.

Notas de estratégia

Sem saber como será a condição do asfalto e qual será o nível de evolução ao longo do final de semana (pelo menos tem F2 e Porsche para ajudar), é muito difícil fazer qualquer previsão em termos de estratégia.

A Pirelli acabou escolhendo a gama intermediária, demonstrando certo conservadorismo, mas também preocupada com alguns trechos específicos, principalmente a curva 13, inclinada, que deve colocar muita energia nos pneus. Já o calor não preocupa tanto, pois a temperatura da pista não deve estar muito alta na classificação e na corrida.

O que se sabe é que, historicamente, pistas mais novas tendem a ter mais bandeiras vermelhas nos treinos livres (o que pode atrapalhar as simulações de classificação e de corrida) e também mais períodos de SC na corrida. Para completar, como trata-se de uma corrida noturna, com largada às 20h30 locais, os treinos livres 1 e 3 serão pouco representativos em relação à performance dos pneus. 

Fique de olho

Carlos Sainz fez uma aposta interessante sobre o  que vai acontecer no meio do pelotão: como trata-se de um circuito em que a melhor configuração é de baixa carga aerodinâmica, a McLaren deve crescer em comparação com as últimas corridas (até porque é a pista mais próxima de Monza da segunda metade do campeonato). E o espanhol também espera que a AlphaTauri esteja competitiva, e talvez a Alpine também. “E, de uma hora para a outra, o meio do pelotão fica mais compacto em pistas de alta velocidade. Então pode ser uma batalha bastante apertada.”

O destaque especial é para a McLaren, que demonstrou em pistas como Áustria (que também tem três zonas de DRS) que parece ter vantagem na ativação da asa traseira.

Falando em batalha apertada, temos três campeões do mundo nas três primeiras colocações do campeonato de ultrapassagens, uma invenção marketeira da Liberty, mas que está com Fernando Alonso em primeiro, e Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen empatados em segundo. Nada mal.

Como é a pista de Jedá

O traçado tem alguns pontos interessantes: as primeiras curvas são bem estreitas, então os pilotos vêm de uma reta de 500m e, de repente, o espaço diminui, o que gera uma largada potencialmente complicada.

O restante do primeiro setor é técnico e o foco dos pilotos será maximizar o ângulo nas entradas das curvas a fim de não perder tempo na sequência que começa na 4 e só vai terminar na 12. Eles não vão ter muita chance de respirar no primeiro setor, no que promete ser um GP quente e úmido, como já foi no Catar.

O segundo setor começa com a curva que preocupa a Pirelli, a 13, de 180°, em inclinação (ainda que não tão dramática quanto a de Zandvoort), seguida por curvas que devem ser de pé embaixo pelo menos na classificação, iniciando a sequência de três zonas de DRS, entre o fim do segundo setor e todo o terceiro, culminando com a curva 27, que deve ser o grande ponto de ultrapassagem (embora também seja um ponto de detecção para a terceira zona de DRS, na reta principal).

2 comentários em “Horários, características da pista e tudo sobre o GP da Arábia Saudita”

  1. Sem entender quase nada de automobilismo, me foi sugerido este blog pelo café com velocidade. E gostei demais da forma clara que vc aborda o assusto. Fica de fácil entendimento pra leigos como eu. Parabéns pelo trabalho.

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