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Blog Takeover 2021: A Fórmula 1 e a geração Drive to Survive

O primeiro tema da terceira edição do Blog Takeover, um espaço que eu abro no final do ano para publicar textos de quem quer falar sobre Fórmula 1 e só estava precisando de uma plataforma para fazer isso, não podia ser outro: a grande maioria dos textos que recebi era de novos fãs ou daqueles que há muito não se empolgavam com a categoria e voltaram com tudo neste ano.

As histórias são parecidas. Muitas ‘vítimas’ dos algoritmos que se surpreenderam com o que viram no Drive to Survive, foram dar uma olhadinha na TV para saber a quantas andava essa tal de F1 e… boom! Vieram parar aqui no blog . E que seja um caminho sem volta!

Vou começar dando um empurrãozinho para a Ana Luiza Ferraz seguir em frente com o projeto “Speed&Talks”. Ela me contou que o projeto é fazer blog, canal no youtube e podcast, mas ela ainda não embalou na produção do conteúdo, mas agora vai, né Ana?

Separei também o texto da Stella Vicente, que ela publicou originalmente no blog dela. A Stella é estudante de jornalismo.

A temporada de 2021 da Fórmula 1 para uma “Drive to Survive fan”

As pessoas tendem a se auto rotular e rotular aqueles a sua volta de forma a economizar energia nas relações humanas. Isso porque é mais fácil você conversar com um grupo de pessoas que possuem o mesmo gosto que o seu do que o contrário. Entender o desconhecido, afinal, é muito cansativo.

O ser humano foi além. Não bastava estar dentro de um grupo específico – aqui me refiro ao já seleto grupo das pessoas que gostam de Fórmula 1, um dos esportes mais nichados do mundo, – recentemente uma nova categoria foi criada: o “Drive to Survive fan”.

Sabe aquela pessoa que tem menos que 40 anos, não acompanhou Ayrton Senna e Alain Prost (porque não era nascida ou jovem demais para se recordar, claramente) e que só passou a se interessar pela categoria mais alta do automobilismo por conta da série da Netflix? Então, prazer.

Agora, vocês vão ler o relato de uma pessoa de exatos 21 anos, que sempre viu os pais assistirem Fórmula 1 durante os cafés da manhã de domingo, mas que nunca teve interesse o suficiente para entender além do básico e buscar saber mais.

Drive to Survive sempre aparecia nos recomendados da minha conta da Netflix, talvez por conta dos documentários de futebol que eu costumo assistir. E fosse por ironia do destino, ou do algoritmo mesmo – que nada mais é do que sinônimo de destino na sociedade virtual nos dias de hoje – alguns trechos da série começaram a aparecer para mim nas redes sociais.

Influenciável pelas mídias como bem sou e não nego, fiquei curiosa e decidi dar uma “espiadinha” nessa série documental pra ver se eu entendia de vez o esporte que meus pais sempre gostaram tanto, mas de uns anos para cá deixaram de lado.

Isso foi em meados de maio, a temporada de 2021 já tinha começado, mas eu estava focada em entender o contexto da disputa antes de começar acompanhá-la em tempo real. A série me conquistou, é claro. Sempre fui uma entusiasta do esporte – sou palmeirense fanática desde que me entendo por gente e acompanho qualquer competição que seja minimamente interessante – então o que mais me chamou atenção na série foi, obviamente, o esporte. Os bastidores eram legais, humanizam os pilotos, de fato, mas como eu nunca tinha ouvido falar de quase nenhum deles – salvo exceções como Hamilton, por motivos óbvios – não fazia tanta diferença pra mim naquele ponto.

Só que aí eu entendi. Entendi o tamanho dessa comunidade. E entendi onde eu estava me metendo quando apertei o play do controle naquele dia. O primeiro Grande Prêmio que assisti ao vivo foi justamente o badalado (fora das pistas, é claro) GP de Mônaco, que por causa da série tinha minhas expectativas lá em cima. Nesse dia Max Verstappen brilhou no pódio ao lado de dois personagens importantes para mim, Lando Norris e Carlos Sainz, a dupla dinâmica da McLaren que insistia em aparecer nas minhas redes sociais até então.

Foi justamente em Mônaco que Max Verstappen ultrapassou Lewis Hamilton em uma disputa eletrizante que estava somente começando. Para ajudar, depois veio o GP do Azerbaijão que foi mais uma das corridas que somente poderia ter acontecido na temporada de 2021. Aqui eu considero o ponto de virada para os meus pais, que até então tinham deixado de assistir a Fórmula 1 com afinco como faziam desde que me entendia por gente. Desde então, eles passaram a assistir todas as corridas comigo.

O motivo foi ficando cada vez mais aparente, quando até mesmo o circuito entediante de Paul Ricard proporcionava emoção nas últimas voltas. Na Áustria eu tive a leve impressão de que a Mercedes finalmente teria um trabalhinho contra os rivais, porque em Drive to Survive só dava pra ver os alemães anos luz a frente, disputando um campeonato totalmente a parte dos seus demais adversários.

Aí eu já entendia, mas fui entender mais mesmo um pouco depois.

Em Silverstone. A batida entre os protagonistas parecia uma falta gravíssima sendo marcada no último segundo de uma prorrogação empatada na final da Copa do Mundo. No caso, o piloto da Red Bull levou a pior e foi substituído, enquanto Lewis Hamilton que a cometeu levou apenas um cartão amarelo e ainda fez o gol do título no contra-ataque.

A largada ‘daquele’ GP da Grã-Bretanha

Loucura. A internet virou um caos! Eu nem sabia que tanta gente torcia com tanto afinco para Fórmula 1. Para ser sincera, até este ano eu não achava que teria graça torcer para alguém nesse esporte já que não tinha nenhum brasileiro que brigava por vitórias para torcer há um bom tempo. Tal qual eu lembrava dos meus pais torcendo por Massa e Rubinho, por exemplo.

Mas aí eu entendi mesmo. Pra valer.

O negócio começou a ficar sério e, como a temporada parecia pedir, eu escolhi um lado. Como boa cria do mundo futebolístico que eu sou, quando meu time não está envolvido eu torço para aquele mais fraco. Não me entenda mal, o holandês da Red Bull era tudo menos fraco, mas quando comparado ao sete vezes campeão mundial era como o Flamengo de Jorge Jesus jogando contra a finada Portuguesa.

A partir da Hungria eu tinha tomado um lado e então é de se imaginar o quão indignada eu fiquei com o xeque-mate que o peão da Mercedes sem querer fez ao tirar as duas Red Bulls da disputa e deixar a Rainha se livrar da confusão com tranquilidade lá na frente. Soa épico? Que bom, pois a temporada de 2021 inteira foi uma verdadeira epopeia.

E o que seria de uma boa narrativa sem a comédia, não é mesmo? Até nisso o abençoado roteirista dessa disputa pensou, e o GP da Bélgica – aquele que nunca aconteceu de verdade – proporcionou boas risadas e momentos inusitados, dando um respiro em uma competição que não se cansava de deixar todos sem ar.

Na Holanda o holandês voador fez sua lição de casa, literalmente. No templo do automobilismo de Monza, que era sempre um dos meus episódios favoritos em Drive to Survive com as vitórias de Leclerc e Gasly nos anos anteriores, mais um show digno de TV. Mais uma batida entre os rivais ao título e a vitória – que foi também a única dobradinha do ano – de uma equipe que vem conquistando uma legião de fãs mais novos como eu graças à dupla mais carismática e sorridente do grid. Vitória inesperada – mais uma – da McLaren com Daniel Ricciardo, seguido de Lando Norris.

E foi justamente esse último que fez o jogo virar na Rússia, na sua tão quase primeira vitória. Nesse dia Hamilton se deu bem e venceu – para minha tristeza e de todos aqueles que até hoje não superam a chuva que resolveu cair bem nas últimas voltas – e Verstappen conseguiu sair do fundo do pelotão para chegar em segundo e manter o campeonato vivo.

Alguém lembra do GP da Turquia? Pois é, eu também não.

Viemos então para as Américas! E nesse ponto, emocionada como sempre fui, já estava com meu ingresso nas mãos para assistir a corrida ao vivo em Interlagos. Mas antes disso a Red Bull parecia confiante o suficiente para encaminhar o título do seu piloto nas próximas corridas, ainda mais após duas vitórias nos Estados Unidos e no México.

Parecia que estava tudo tranquilo para Verstappen, até que…

Só que tudo começou a mudar para aquele que eu escolhi torcer nesse ano – e prometo torcer nos próximos porque valeu a pena – justamente na corrida em que vi frente a frente. Em Interlagos eu pude presenciar uma das maiores loucuras da história do automobilismo. O piloto sete vezes campeão do mundo mostrou porque ele tem sete títulos, afinal.

Era como um foguete passando na minha frente. Foi assim que eu contei pra todo mundo o que eu vi naquele domingo, porque era simplesmente surreal o que ele estava fazendo. Depois de ultrapassar quase o grid inteiro com uma facilidade absurda, Max até tentou segurar, – e conseguiu até mais do que eu esperava pelo que estava vendo – mas Lewis conseguiu a vitória. Com direito a bandeira do Brasil sendo erguida do mesmo jeito que Ayrton Senna fazia. E isso até mesmo uma “Drive to Survive fan” brasileira sabe o que significava.

Daí pra frente tudo começou a mudar. Acordaram o atual campeão mundial e ele venceu todas aquelas que precisava vencer para empatar com Verstappen e chegar na última corrida do ano com um campeonato que começou meses antes sendo decidido na última volta. Por essa a Netflix não esperava. Meus pais que há muito tempo não viam um campeonato competitivo – e estavam gritando na frente da TV no dia 12 de dezembro – não esperavam. Muito menos eu esperava ver o que vi nesses últimos meses quando apertei o play do controle naquele dia.

Parece que no final eu continuei assistindo Drive to Survive depois de terminar a 3ª temporada, só que a versão na íntegra e sem cortes. Ufa! Enfim a temporada de 2021 acabou. Será que ainda há roteiro a ser explorado para 2022?

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