Blog Takeover 2021: A F1 e suas decisões de bastidores

Este é o texto que o Alexandre Caetano enviou para o Blog Takeover. As decisões de campeonato que ele cita aqui entraram para a história como clássicos da F1. Talvez um sintoma de que a categoria tem uma certa queda por politicagem (e não dá para dizer que isso é pior hoje se a gente der uma olhadinha, como este texto faz, para trás).

Um velho conhecido dos brasileiros: Jean-Marie Balestre

Por Alexandre Caetano (@alexeap)

Quando Nicholas Latifi acertou o guard rail com sua Willians, a cinco voltas do fim do GP de Abu Dhabi, o diretor Michael Masi teve uma certeza: ele decidiria o campeonato de 2021. Não que Masi tenha escolhido deliberadamente entre Hamilton e Verstappen, mas era inevitável que qualquer decisão que tomasse beneficiaria um em detrimento do outro.

Os estrategistas da Mercedes devem ter lembrado do fim de semana anterior, em Jeddah, quando uma bandeira vermelha acabou dando vantagem a Verstappen, revertida por Hamilton na pista. Ou do GP do Azerbaijão, onde Max bateu sua Red Bull, também a cinco voltas do final, e a direção de prova optou pela bandeira vermelha para que a prova não terminasse com o safety car na pista. Seria muito plausível que o mesmo ocorresse no circuito de Yas Marina.

Não é a primeira vez que uma decisão de título mundial tem influência de decisões tomadas fora da pista. A mais polêmica foi a de 1989, quando Ayrton Senna foi desclassificado após a prova de Suzuka, pelo desdobramento da batida causada por Alain Prost. Em 1996, o francês Jean-Marie Balestre admitiu ter usado o poder de presidente da Fisa (atual FIA), para favorecer o amigo e compatriota Alain Prost. No ano seguinte, também em Suzuka e com os mesmos protagonistas, o roteiro foi semelhante. Desta vez foi Senna quem forçou a batida logo na primeira curva. Era uma situação em que, tecnicamente, o brasileiro poderia ser punido. Roland Bruynseraede, diretor de prova nas duas ocasiões, parece ter levado em conta a injustiça do ano anterior para remediar a situação e o piloto brasileiro conquistou o segundo título da carreira.

O alemão Michael Schumacher participou de duas decisões de título que demandaram uma atitude da direção de prova. Em 1994 a última prova foi o GP de Adelaide. Schumacher liderava o campeonato, apenas um ponto à frente de Damon Hill. Ao liderar a prova, errou e bateu sua Benneton no muro, conseguindo voltar para a pista e impedir a passagem de Hill, causando a batida que tirou o britânico da prova – o que manteve a vantagem de um ponto para Schumacher. O diretor de prova ainda era Roland Bruynseraede, muitos acreditavam em uma punição pesada ao alemão, que saiu ileso, com o primeiro e mais polêmico de seus sete títulos.

O lance que decidiu o campeonato de 1994

Em 1997, bicampeão mundial, Schumacher buscava o primeiro título pela Ferrari. Chegou à última etapa, em Jerez de la Frontera, novamente com apenas um ponto de vantagem para a Williams, desta vez de Jacques Villeneuve. O alemão liderava a prova, mas sofria pressão de Villeneuve, que tentou a ultrapassagem a 23 voltas do fim. Schumacher bateu na lateral da Williams, perdeu o controle e ficou preso na caixa de brita. O canadense levou o carro até o fim da prova, terminou em terceiro e conquistou seu único título. A postura muitas vezes questionável de Schumacher rendeu
o apelido de Dick Dastardly, personagem conhecido no Brasil como Dick Vigarista.

O incidente de 1997 ficou nas mãos do diretor de provas estreante. Era Charlie Whiting, que ocupou o cargo até o fim da temporada de 2018. A princípio o toque foi, mais uma vez, considerado incidente de corrida. Apenas após muita pressão a FIA optou por desclassificar Schumacher de toda a temporada. A punição, inédita na categoria, foi considerada confusa, já que todos os resultados do alemão foram mantidos.

O ex-diretor de provas Charlie Whiting morreu pouco antes do início da temporada de 2019. O substituto Michael Masi vinha sendo treinado por Whiting. Está longe da experiência do tutor, mas em comum já tem no currículo uma decisão bastante polêmica logo no início da carreira como diretor de provas.

5 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Não era fácil, para o Michael Masi, tomar uma decisão num curto espaço de tempo, sem prejudicar nenhum dos dois pilotos. O melhor, teria sido dar a bandeira vermelha e depois, os dois estariam em igualdade, no que toca na escolha de pneus. Foi uma decisão confusa e se calhar errada do Michael Masi e acredito que não quis beneficiar o Max Verstappen em detrimento do Lewis Hamilton.
    Espero, e acho, que Masi tenha aprendido muito com essa situação e no próximo ano não aconteçam mais confusões dessas.
    Micheal Masi ainda é jovem. Tem, com certeza, muito para aprender, mas já mostrou que é competente no trabalho que desempenha.

    cumprimentos

    Visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

    1. Patrick disse:

      “Melhor” em que sentido? A função de Masi é zelar pela segurança de pilotos, espectadores, fiscais de pista, não em agir como justiceiro ou equalizador esportivo. Ele não deu bandeira vermelha por que não tinha motivo para dar, não tinha nada na pista que impedisse os carros de continuar andando, nenhuma barreira estava destruída.

  2. Américo disse:

    Posso ser muito babaca, mas para meu pensamento é meio óbvio: Bateu e vai demorar um pouco que seja? Bandeira vermelha, alinha todos no box. Não perde voltas atrás do safety car e tem nova relargada que põe todo mundo na briga de novo. Quando Masi recebeu a primeira notícia que podia demorar, poderia ter feito isso, tinha o poder e não interferiria tanto no campeonato, dando chance ao Max pular na frente na relargada (coisa que fez em Jeddah). Então, valia a pena. Ah, mas a decisão teve que ser rápida… Sim, mas a primeira informação que ele recebeu era de que iria demorar… Parasse tudo para ter mais voltas até o final e o mais frio que ganhe. Pensei nisso quando vi o carro do Latifi batido e fiquei me perguntando durante todo o tempo pq não foi feito isso. Tão simples, tão fácil.

    Juliane, tem algum porém para que o Masi não tenha optado por essa ação de colocar todo mundo no box e fazer nova largada parada?

    1. Não sabemos, já que ele não falou com ninguém da mídia depois da corrida. É uma pergunta que seria interessante ele responder quando quebrar o silêncio

  3. nuno Silva disse:

    se percorrermos a timeline do que aconteceu em abu dhabi:

    acidente latifi … 1ª decisão: bandeira vermelha ou SC?
    – a decisão de bandeira vermelha não era apropriada. como se viu de seguida, era uma zona de baixa velocidade e dava para circular em segurança e remover o carro. se estivesse com chuva forte já seria admitivel. o SC foi bem decidido

    “carros não se podem desdobrar” … ele estava a resolver ainda a situação do carro em pista e disse ao horner que ainda n estava “preocupado” com o recomeço apenas em “resolver a situação da pista”
    – isto poderá ter atrasado a saída o SC e o recomeço. poderia ter sido agilizado a desdobragem dos carros que estavam no meio do pelotão
    – se um novo procedimento incluir a directriz para os retardatários fazerem um drive-thru nas boxs e retomarem na traseira do pelotão pode tornar o rearranque mais rápido e ganhar-se voltas de corrida, que é o que deseja

    “carros podem desdobrar-se” (apenas os carros entre o 1º e 2º colocado)
    – a questão regulamentar se podem ou não ser apenas alguns carros é discutível, deve ser clarificada
    – a luta primordial é pela vitória, mais vale saírem alguns carros e haver luta pela vitória do que não haver luta
    – se remover os restantes carros iria impedir o rearranque então fez bem, desde que o regulamento permita

    “safety car entra nesta volta” e recomeço imediato
    – mais uma questão que o regulamento deveria clarificar e prever
    – nenhuma corrida deveria haver fim em SC excepto condições climatéricas ou de segurança que não se resolvam
    – os carros desdobrados já estavam longe suficiente para haver recomeço para 1 volta lançada apenas
    – desportivamente não era necessário os carros desdobrados fazerem toda a pista porque em 1 volta já n seriam de novo alcançados pelo líder, sendo que teria que haver cabimento no regulamento

    há uma questão regulamentar que não deveria ser o foco mas que deve ser clarificada.

    desportivamente aconteceu desporto! aquilo que é a natureza do desporto é correr, deixar em pista acontecer, com sorte, azar, estratégia, risco-recompensa. o não querer recomeço e corrida é contra a natureza do desporto. o não querer que os pilotos cometam erros, se aventurem, tentem ultrapassar é contra-natura

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