Guias dos circuitos

Guia do GP do Japão

O palco do GP do Japão é uma das pistas favoritas dos pilotos pela combinação de curvas rápidas e a sensação de que eles podem fazer a diferença. E podem. É uma pista em que você tem, por exemplo, curvas estreitas contornadas a 270 km/h, como a primeira Degner. Ou melhor, até 270 km/h, e chegar a tal velocidade vai depender do piloto e do downforce que ele gerar.

Isso sem falar no sobe e desce da pista que tem vários trechos muito técnicos, que exigem muito do carro e do piloto.

Além disso, a atmosfera criada pelos torcedores japoneses é toda especial. Definitivamente, o GP do Japão é um dos melhores eventos do calendário.

Qual é o melhor acerto para a pista de Suzuka

Para segurar o carro nas curvas de alta velocidade, é preciso aumentar o nível de downforce no carro, mesmo que isso vá prejudicar nas retas. Na verdade, não se passa tanto tempo assim nas retas em Suzuka. Mesmo o trecho de maior tempo de aceleração máxima não é todo em linha reta, na parte final da volta.

É muito importante que o carro esteja neutro principalmente para a primeira parte da volta, com uma sucessão de mudanças de direção em alta velocidade. Se o carro sai de frente ou de traseira logo na primeira curva desta parte, compromete-se todo o trecho e perde-se muito tempo de volta.

Curiosamente, Suzuka não é uma pista em que se gasta tanto combustível levando em consideração sua extensão de quase 6km e as curvas de alta velocidade. São consumidos, em média, 1.90kg por volta, número parecido ao do Circuito das Américas. Em Silverstone, por exemplo, o consumo é de 2.8kg.

Ultrapassagens no GP do Japão

No papel, não deveríamos ter muitas ultrapassagens no GP do Japão. Afinal, com os carros com asas maiores e poucas zonas de freada forte além da pista em si ser bem estreita, não deveria haver muito espaço para manobras.

Mas os números contradizem essa teoria. A média dos últimos quatro anos é de 46, ou seja, o GP do Japão é daqueles que ficam acima das médias das temporadas. Isso, mesmo com uma prova com apenas 18 manobras em 2017. A explicação para isso vem nas notas de estratégia.

Como pontos de ultrapassagem, se destacam a primeira curva, em descida, um tanto cega. Manobras na Spoon têm se tornado mais comuns nos últimos anos, e também dá para passar na última chicane. Bom, pode ser um pouco mais complicado se for por uma disputa quente pelo título mas, enfim…

Notas de estratégia do GP do Japão

A emoção nas corridas no Japão dependem muito do desgaste de pneus. São eles que vão fazer a diferença entre um GP com 18 ultrapassagens como em 2017 e outro com 60 no ano seguinte.

Trata-se de uma pista particularmente dura com os pneus, mas dependendo das condições e dos compostos, a tática pode ficar indefinida entre uma parada se segurando na pista e duas adotando um ritmo mais forte. E é aí que vemos provas mais abertas. Se todo mundo for para uma, ou para duas paradas, menos carros se encontram com um diferencial de velocidade suficiente entre si para vermos lutas por posição.

Como se trata de uma pista em que os muros estão próximos e há muitas zonas com brita, os estrategistas sempre estão atentos a quaisquer acidentes que possam gerar períodos de Safety Car.

Além disso, a chuva não é incomum, e não costuma vir fraca. Lembrando que a pista tem quase 6km, definitivamente não é uma boa ideia arriscar com pneus de seco em uma pista com curvas de alta velocidade e longa caso a água comece a cair.

Como foi em 2019 (!)

Os carros foram à pista na sexta-feira sabendo que seria muito difícil andar no sábado, pois um tufão de classificação máxima estava se aproximando. Saímos do paddock na sexta com as equipes colocando sacos de areia como barricadas nos boxes e toda a central da qual a transmissão é feita para o mundo era desmontada.

Voltamos no domingo de manhã, para um dia de classificação de manhã e corrida à tarde. E uma pista bem diferente, já que o tufão não atingiu a pista em cheio, mas a chuva, sim. Sem tanta borracha, a Pirelli avisava que seria uma corrida para duas paradas.

A Mercedes não estava convencida. Eles tinham perdido a primeira fila para a Ferrari, muito mais veloz nas retas. O pole Vettel se atrapalhou na largada, Leclerc se estranhou com Verstappen, e Bottas emergiu na ponta, com o alemão em segundo e Hamilton em terceiro.

A Ferrari se comprometeu desde o início com suas paradas. A Mercedes ficou por bastante tempo em cima do muro com ambos os pilotos. Mas pelo menos chamou Bottas logo depois que Vettel parou no primeiro stint, defendendo sua liderança. Com Hamilton, tentou fazer uma parada apenas, mesmo depois que ele não conseguiu permanecer muito tempo na pista após a primeira parada de quem faria dois pit stops. Claro que ele teve que parar de novo, com 11 voltas para o fim, e ficou com o terceiro lugar.

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