Guias dos circuitos

Guia do GP de Abu Dhabi

O GP de Abu Dhabi ficou marcado por anos por não ser o melhor dos palcos para a Fórmula 1. As luzes do hotel Yas pareciam se movimentar mais do que a corrida. E, depois de ter apenas cumprido tabela de 2017 a 2020, acontecendo já com o título decidido, agora Abu Dhabi carrega também em sua curta história uma das maiores polêmicas da história da categoria.

Tanto, que é até fácil esquecer que a pista mudou ano passado, para dar mais chances de ultrapassagem. Mas pelo menos a primeira experiência não apontou para uma melhora.

GP de Abu Dhabi

Qual é o melhor acerto para Yas Marina

As curvas em sequência da parte final da volta fazem com que Yas Marina seja um circuito rear-limited. Ou seja, é preciso cuidar no acerto para que o carro coloque temperatura nos pneus dianteiros, mas sem cozinhar os traseiros, que vão sofrer mais devido à necessidade de tração principalmente no último setor.

Nos outros dois setores, o que conta mais é a velocidade de reta. Mas a necessidade de controlar o carro nas últimas curvas faz com que a carga de pressão aerodinâmica usada seja média. Na verdade, tudo é médio em Abu Dhabi: necessidade de tração, pressão nos freios, desgaste dos pneus por forças laterais ou longitudinais. Não é um circuito que se destaque por alguma característica específica.

Ultrapassagens no GP de Abu Dhabi

A pista de Abu Dhabi passou por várias mudanças antes de receber a prova de 2021. Os perfis de algumas curvas foram alterados, aumentando sua velocidade, livrando-se das mais fechadas e também das cambagens invertidas. Tudo, pensando em dar mais chance de ultrapassagem e deixar a volta mais fluida. 

O segundo objetivo foi atingido. Os pilotos acharam que a pista ficou bem melhor e mais técnica. Mas isso não refletiu no número de manobras em 2021: foram 36 ultrapassagens, sem contar mudanças de posição na primeira volta. Três a mais de 2020, duas a mais que 2019.

E elas continuam sendo feitas nos mesmos lugares, no final das duas zonas de DRS. Se há uma diferença, é a maior facilidade de passar já na primeira reta, agora que a curva que a antecede é mais aberta.

Notas de estratégia do GP de Abu Dhabi

Então os estrategistas ainda vão para Abu Dhabi pensando em uma pista na qual não é fácil ultrapassar. Ou seja, eles tendem a correr menos risco de perder posição de pista.

Além disso, o asfalto é bem liso, e as temperaturas vão caindo rapidamente nas primeira parte da prova, com a largada ao entardecer. Então a tática clássica de Abu Dhabi é segurar o ritmo no começo para evitar superaquecimento e parar na primeira janela que o piloto tiver.

Na pista, cabe ao piloto ficar perto o suficiente para ter a chance de tentar um undercut. E cabe à equipe encontrar um espaço para ele voltar longe do trânsito.

A parada também pode ser antecipada por um Safety Car, como aconteceu em 2020, quando quase todos pararam na volta 10 e fora até o final com certa tranquilidade.

Como foi em 2021

A Red Bull apostou em um acerto que colocava mais energia nos pneus em uma volta lançada, talvez apostando na dificuldade em se ultrapassar em Abu Dhabi. Verstappen fez a pole (com a ajuda de um belo vácuo do companheiro Perez), mas a liderança não durou muito. Hamilton assumiu a ponta na primeira curva, e dominou a prova.

A Mercedes tinha optado por priorizar o rendimento dos pneus em situação de corrida, evitando o superaquecimento. E ele tinha o controle das ações, mesmo depois que a Verstappen fez uma segunda parada para tentar algo diferente.

Até que um SC a 6 voltas do fim mudou a história da prova. A Mercedes optou não parar para trocar pneus, a Red Bull não tinha outra coisa a fazer senão arriscar. A corrida foi reiniciada com uma volta para o final, seguindo um procedimento até então inédito de permitir que apenas os retardatário que estavam entre os rivais na luta pelo título descontarem suas voltas. Com pneus 40 voltas mais novos, Verstappen passou Hamilton e ganhou o campeonato.

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