Guias dos circuitos

Guia do GP de São Paulo

O palco do GP de São Paulo produziu alguns momentos épicos nas últimas duas edições. Então a expectativa é pelo imponderável, até porque é fim de semana de sprint novamente.

Também será interessante ver se os carros atuais vão ficar mais ariscos em Interlagos, já que as curvas não são daquelas rápidas que os carros com efeito-solo mais gostam. Mas também não são lentas demais para eles torcerem o nariz (quase literalmente).

GP de São Paulo

Qual é o melhor acerto para Interlagos

A pista de Interlagos muitas vezes é boa para determinados carros no segundo setor, e ruim no primeiro e terceiro. Isso porque eles são muito diferentes: enquanto o miolo é cheio de curvas de média velocidade, os dois outros setores têm um grande trecho de pé embaixo.

Em termos de tempo de volta, estes dois setores se equivalem. Pensando nas ultrapassagens, o melhor é ter um carro que gera menos arrasto (ou naturalmente, ou por estar com menos asa). Pensando nos pneus, é vantagem não escorregar tanto nas curvas. Também é comum travar os dianteiros em Interlagos, então os engenheiros buscarão evitar isso por meio do acerto.

Pode acontecer um pouco de tudo em termos de condição climática em Interlagos em novembro. Se estiver mais quente, os motores sofrem mais porque a pista está a 800m do nível do mar, então o turbo tem de girar um pouco mais rápido. Assim, produz mais calor.

Diferentemente das outras sprint, a definição do primeiro grid não será no fim da tarde na sexta, ou seja, as equipes terão menos preocupação em ter de acertar o carro para lidar com temperaturas muito diferentes entre as sessões.

Ultrapassagens no GP de São Paulo

Em 2021, o GP de São Paulo teve 65 ultrapassagens (seis de Hamilton, descontando a ordem de equipe para superar Bottas), e a sprint 17 (nove de Lewis). Mas nem sempre é tão fácil passar em Interlagos. Em 2019, por exemplo, a prova teve apenas 35 ultrapassagens.

Pelo menos com o regulamento pré-2022, 65% das manobras dependiam do DRS, mas são ultrapassagens que geralmente começam com uma boa saída da Curva do Café, que vai permitir entrar na reta já no vácuo.

Outra boa tática é preparar a ultrapassagem na reta principal mas, ao invés de atacar, focar em uma boa tangência no S do Senna e Curva do Sol para fazer a manobra só depois da reta oposta. É o que geralmente funciona melhor quando a briga é entre carros mais igualados.

Dá para passar no miolo também, mas com mais chance de toques.

Notas de estratégia do GP de São Paulo

Uma das pistas mais curtas do campeonato convida os pilotos a se encontrarem com mais frequência. Em alguns trechos, não há espaço para muita área de escape. E pode acontecer um pouco de tudo com o microclima de Interlagos. Estes três fatores levam a uma probabilidade alta de Safety Car no GP de São Paulo.

De 2015 a 2021, a prova teve incríveis dez períodos de SC. E duas bandeiras vermelhas. Isso mexe com as estratégias porque a tentação de fazer uma parada e ter pneus novos para atacar é grande. E, se você estiver em uma posição melhor do que esperava, a tentação de resistir também é.

Até porque, sem Safety Car, sempre foi uma corrida em que não era claro se a melhor tática seria fazer uma ou duas paradas. A diferença é fazer a corrida sozinho na pista, ou seja, podendo cuidar de seu pneu, ou não. Isso, com os pneus pré-2022, claro.

Além disso, se tem uma coisa que as duas sprint mostraram é que a corrida do sábado pode ser morna, mas escancara para as equipes e pilotos o tanto que eles precisam arriscar no domingo.

Como foi em 2021

Por onde eu começo? O GP de 2021 também foi em formato sprint, e começou com a Mercedes decidindo colocar um motor a combustão novo no carro de Hamilton. Isso significava uma punição de cinco posições para a corrida no domingo. E o que já era um golpe considerável só piorou quando ele perdeu a pole na sprint devido a uma irregularidade na asa traseira.

Hamilton, então, largou em último na sprint, e chegou em quinto. Seu rival Verstappen não arriscou, ficando atrás de Bottas em um fim de semana no qual a Mercedes foi ligeiramente superior. Usando a potência extra do motor novo no primeiro e terceiro setores e partindo para as ultrapassagens de maneira decidida, Hamilton escalou o pelotão, passou Verstappen, e venceu.

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