Guias dos circuitos

Guia do GP de Singapura

Veterano das corridas noturnas e o mais espetacular delas, o GP de Singapura é marcado pelas imagens incríveis, muros próximos e muito, mas muito calor. Para iluminar mais de 5km de pista, são usados 108,423 metros de cabos de energia, que suportam mais de três milhões de watts para os 1500 pontos de iluminação da pista.

Do lado dos pilotos, isso significa que é praticamente como se eles estivessem pilotando de dia. Do nosso lado, quer dizer que dá para enxergar por dentro das viseiras, e também os comandos dos volantes.

Já a corrida pode ser muito movimentada. Ou não. Explico o porquê aqui:

Qual é o melhor acerto para a pista de Marina Bay

Todas as “máquinas” são colocadas à prova em Singapura: dos carros aos pilotos. A combinação entre uma pista com muitas curvas em sequência, muros próximos, uma corrida que costuma chegar perto do limite de 2s e o calor úmido testam o preparo físico dos pilotos. Eles vão perdendo muito líquido ao longo da prova e precisam manter a concentração em níveis elevados porque os muros estão próximos. E essa pode não ser uma combinação fácil.

Mas os carros também sofrem com o calor, então quem tiver um equipamento que já precisa andar mais “aberto” normalmente, vai perder ainda mais pressão aerodinâmica aumentando isso em Singapura. Os freios também são muito exigidos e o nível de downforce é máximo, a exemplo de Mônaco.

A pista é caracterizada pelas ondulações e o ataque às zebras é constante, então as equipes precisam preparar as suspensões para isso. Carros que não colocam muita energia nos pneus normalmente podem sofrer, como ocorre em todo circuito com curvas de raio mais curto.

Uma particularidade do circuito de Marina Bay é a dificuldade de comunicação entre pilotos e equipes em alguns trechos, inclusive com algumas quedas de transmissão de dados. Isso acontece devido à interferência das linhas de metrô.

É curioso, inclusive, que em outros circuitos urbanos que a F1 visita, isso não ocorra. Na verdade, apenas em Baku o metrô chega bem perto da pista, mas não há linhas passando por debaixo dela.

Ultrapassagens no GP de Singapura

Não é fácil ultrapassar em Singapura, mesmo sendo possível seguir o carro que vai à frente de perto. Melhor dizendo, não se perde tanto em termos de aerodinâmica quando se segue um carro de perto, com tanta carga nos carros. O problema é o superaquecimento de tudo, dos freios aos pneus, já que os muros estão próximos e o calor úmido de Singapura já é um desafio por si só.

A pista também não dá muito espaço para manobras, então GPs mais normais não têm mais de 20 ultrapassagens por prova, o que é bem abaixo da média acima de 35 que temos visto nas últimas temporadas. O que pode mudar isso são períodos de Safety Car, permitindo que se ouse mais nas estratégias. Com três períodos de SC em 2019, houve 58 ultrapassagens, excetuando-se manobras na primeira volta.

O principal ponto de ultrapassagem é na freada da curva 7, após a maior reta da pista. E também é possível passar na 1 ou 2, dependendo do lado em que você posiciona o carro.

Notas de estratégia do GP de Singapura

Andar tão perto do muro sempre aumenta o risco de SC

Não se enganem pelas 58 ultrapassagens do GP de Singapura de 2019, o último que a F1 disputou na pista de Marina Bay até 2022. Trata-se de um circuito de rua que até tem algumas retas, mas não há muito espaço para passar. Além disso, como os carros estão carregados de carga aerodinâmica, o vácuo é menos efetivo.

Também há preocupação com o consumo de combustível, em uma prova que costuma chegar perto do limite de 2h mesmo se tudo correr bem. Então uma tática clássica de quem larga na frente em Singapura é adotar um ritmo lento no início da prova para poupar o equipamento. E também para fazer com que o pelotão fique compactado, já que isso impede que os rivais tentem um undercut. Afinal, ninguém quer arriscar voltar no meio do trânsito.

Tudo pode mudar rapidamente, no entanto, quanto os pilotos do meio do pelotão começam a parar, então é importante fazer essa leitura dos espaços na pista corretamente.

Outra leitura importante é dos Safety Cars, muito comuns em Singapura.

Como foi em 2019 (!)

Lembra quando a Ferrari tinha um carro que voava na classificação, mas sofria um pouco mais na corrida? Sim, o último GP de Singapura aconteceu muito tempo atrás, antes da pandemia. E foi uma corrida confusa em termos de estratégia, uma das três oportunidades em que Lewis Hamilton ficou de fora do pódio, mas poderia ter vencido.

Isso porque a Ferrari arriscou sua dobradinha ao defender a segunda posição ao invés da primeira, na única rodada de pitstops. Vettel, que era segundo, acabou indo para a ponta e vencendo. E o pole Leclerc ficou em segundo. Foi uma brecha que a Mercedes só não aproveitou porque não viu.

A lição que ficou daquela prova foi que o undercut acabou sendo muito mais poderoso do que se previa, algo na casa de 4s. Uma diferença tão grande entre compostos usados e novos não deve se repetir com os pneus de 2022, mas vale o aviso.

E também foi a última vitória de Vettel na Ferrari e na F1.

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