Guias dos circuitos

Guia do GP dos Estados Unidos

Dia desses, eu li uma definição interessante sobre o palco GP dos Estados Unidos: uma coletânea dos maiores hits da Fórmula 1. E poucos lugares são mais apropriados para ter um circuito desses, ainda mais na super musical Austin.

A combinação entre uma pista com pontos de ultrapassagem, perda de tempo no pitlane relativamente pequena e a variabilidade do clima formam um combo interessante. E não é por acaso que o Circuito das Américas já nos deu alguns GPs bastante movimentados.

Qual é o melhor acerto para o Circuito das Américas

É uma pista equilibrada em termos de necessidade de velocidade de reta x mais pressão aerodinâmica, e tem curvas para todos os gostos. COTA é uma pista em que o carro precisa responder bem a mudanças rápidas de direção. Então, ele deve estar bem equilibrado (sem tendência de sair muito de frente ou de traseira). Deve ser uma pista divertida de andar com esses carros de 2022.

Por outro lado, um problema que só tem aumentado no Circuito das Américas devido ao terreno em que a pista foi construída são as ondulações. Isso é particularmente importante a partir deste ano, já que os times não podem correr o risco de verem os assoalhos batendo no asfalto e sendo danificados. E andar com o carro mais alto diminui sua eficiência aerodinâmica. Também por conta das ondulações, as suspensões também devem estar mais macias.

Ultrapassagens no GP dos Estados Unidos

O primeiro setor de COTA é um bom teste para o regulamento de 2022. Isso porque ele é inspirado na Eau Rouge na primeira curva, depois passando por um trecho mais Suzuka/Silverstone. E isso expunha a dificuldade de se seguir o rival de perto, especialmente em curvas de alta velocidade, em que a perda de pressão aerodinâmica na turbulência era mais sentida.

Por conta disso, as ultrapassagens em Austin sempre dependeram muito do DRS. Tivemos GPs dos EUA com número alto de ultrapassagens. Em 2019, por exemplo, foram 61 após a primeira volta, colocando a prova em segundo no ano, atrás apenas do Bahrein. Porém, 70% das manobras dependeram da asa traseira móvel. Em 2021, o número caiu bastante inclusive: 32 manobras.

A grande maioria das ultrapassagens foi feita ou após a longa reta “oposta”, na curva 12, ou na curva 1. Este é um ponto interessante da pista, inclusive, para a largada. Embora a freada fique a apenas 325m da posição do pole, há várias linhas possíveis. E isso ajuda a ação do começo ao fim da prova.

Notas de estratégia do GP dos Estados Unidos

Austin ganhou fama de corrida com estratégias variadas pela combinação de três motivos: o pit lane relativamente curto, com perda de por volta de 20s, a possibilidade de se ultrapassar e as condições de tempo variáveis. Não raro, a F1 pegou um dia de frio e, muitas vezes, chuva, seguido por outro de calor. Isso sempre atrapalha a preparação das equipes e ajuda a trazer mais dúvidas para a prova.

Essa combinação entre a pouca perda no pitlane e o número razoável de ultrapassagens fez com que as provas em Austin fossem vencidas com táticas de duas paradas. Mas veremos o que acontece com o novo pneu, lembrando que o desgaste em COTA vem das forças laterais geradas nas curvas de alta velocidade.

Dito isso, todas as oito provas disputadas em Austin, o vencedor foi um dos pilotos da primeira fila do grid. Aliás, a possibilidade de contornar bem a primeira curva por fora faz com que a segunda posição não seja um lugar ruim para largar. O piloto que saiu da segunda posição liderou a terceira volta em quatro das últimas cinco corridas em Austin.

Como foi em 2021

O GP dos Estados Unidos foi um dos exemplos na temporada 2021 de prova em que a Mercedes chegou como favorita, mas a Red Bull conseguiu virar o jogo ao longo do final de semana. Em Austin, a Mercedes sofreu mais para equilibrar seu carro nas altas temperaturas, sofrendo mais com superaquecimento dos pneus traseiros do que seus rivais.

Verstappen largou na pole, mas Hamilton o passou na primeira curva. Mas a Red Bull voltou à liderança com um undercut. Durante a corrida, eles tiveram uma vantagem em termos de desgaste. A Mercedes até tentou criar um offset ao deixar Hamilton na pista por mais tempo para ter borracha mais fresca no final, mas não foi suficiente. Verstappen venceu com Hamilton só 1s3 atrás.

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