Guias dos circuitos

Guia do GP da Grã-Bretanha

Mesmo ganhando algumas curvas lentas com as mudanças que já fazem mais de 10 anos, o palco do GP da Grã-Bretanha segue sendo um circuito de alta velocidade. As curvas rápidas são duras para os pescoços dos pilotos e para os pneus, que recebem muita energia.

Além disso, em Silverstone a direção do vento muda constantemente e afeta muito os carros. Inclusive, é uma área tão plana que era uma antiga base aérea da Royal Air Force.

@Mercedes

Silverstone tem grande importância para a história da F1: foi lá que a categoria realizou sua primeira corrida da história. O evento foi tão importante na época que contou, inclusive, com a presença da Rainha Elizabeth 2ª que, curiosamente, nunca voltou a marcar presença em eventos da categoria. O italiano Giuseppe Farina, com a também italiana Alfa Romeo, venceu a prova.

Detalhes da pista do GP da Grã-Bretanha

Qual é o melhor acerto para a pista de Silverstone

Por ser uma pista de alta velocidade, usa-se menos carga aerodinâmica em Silverstone, embora não seja uma configuração tão extrema como a de Monza, por exemplo. E os pneus também ganham uma cambagem negativa para liderem melhor com as curvas longas de alta velocidade. As suspensões podem ser mais duras, já que as zebras são mais baixas.

Um segredo de Silverstone está na configuração da unidade de potência. Os pilotos freiam por somente 8% da volta e a recuperação de energia é fundamental para um bom rendimento. Mais do que isso: as equipes têm que estudar bem como vão programar a coleta de energia e seu uso ao longo da volta, sempre atentas ao que seus rivais estão fazendo.

Em 2021, por exemplo, a estratégia de uso da unidade de potência da Mercedes foi o que permitiu a Hamilton atacar na Copse. Na verdade, ele sabia que ali seria sua chance justamente porque tinha mais energia elétrica vinda de sua UP naquele trecho da volta.

Notas de Estratégia do GP da Grã-Bretanha

A perda de tempo real do pit stop em Silverstone é relativamente curta, de cerca de 22s contando a parada, embora os gráficos da TV mostrem um número muito maior, acima de 30s. Esse número se refere à cronometragem desde quando o piloto entra no pitlane até a saída. No entanto, ele é diferente da perda real porque, ao fazer este caminho, o piloto deixa de contornar duas curvas lentas na parte final do traçado.

Dá para ultrapassar, ainda que não seja fácil. E a pista também é muito dura com os pneus, devido à energia gerada pelas curvas de alta velocidade.

A Pirelli sofreu com alguns estouros de pneus em Silverstone nos últimos anos

Portanto, é uma corrida em que estratégias de mais de uma parada são válidas, mas isso depende no nível de desgaste. Ou seja, também depende da temperatura (e em Silverstone é possível ter um pouco de tudo em termos de temperatura).

Além disso, trata-se de uma pista em que o Safety Car costuma aparecer (8 vezes nas 10 últimas provas), o que pode afetar a estratégia dependendo do momento da interrupção. Quando há um acidente, inclusive, é muito mais provável ver o SC do que o VSC quando se observa os dados históricos.

Ultrapassagens no GP da Grã-Bretanha

Para uma pista de alta velocidade, em que os carros não carregam tanta pressão aerodinâmica, Silverstone não é ruim em termos de promover ultrapassagens. Elas, geralmente ocorrem em bom número principalmente nas curvas 6 (Brooklands) e 15 (Stowe, embora seja um pouco mais arriscado).

O número de ultrapassagens só não era maior em Silverstone pela dificuldade de seguir um rival sem sofrer com a turbulência e superaquecimento de pneus. Então será particularmente interessante ver como os carros de 2022 vão se comportar na pista.

Mesmo antes das mudanças no regulamento de 2022, Silverstone já tinha um percentual abaixo de 60% para ultrapassagens com DRS.

Uma Volta em Silverstone

A volta em Silverstone é uma das mais clássicas da F1, mesmo que o circuito tenha passado por alterações ao longo dos anos. O primeiro segredo para uma volta de classificação é usar as últimas curvas, mais lentas, para gerar temperatura nos pneus e começar bem a volta. A primeira freada forte é Village, a terceira curva. A saída deste trecho é importante para a Wellington Straight.

A freada da Brooklands é conhecida por ser ondulada e fica numa parte da pista em que o vento tem mais influência. Depois do trecho de média velocidade, chega a Copse e o complexo Maggots-Becketts-Chapel, que joga os pilotos de um lado a outro com uma força equivalente a quase 5x a força da gravidade.

Após mais uma reta, a Stowe costuma ser um lugar para ultrapassagens, mas o vento pode pegar os pilotos de surpresa. Depois de passar pela zona de menor velocidade da pista, perto da entrada dos pits, a volta está completa com a reta Hamilton.

Como foi em 2021

NORTHAMPTON, ENGLAND – JULY 17: Max Verstappen of the Netherlands driving the (33) Red Bull Racing RB16B Honda leads the field into turn one at the start during the Sprint for the F1 Grand Prix of Great Britain at Silverstone on July 17, 2021 in Northampton, England. (Photo by Michael Regan/Getty Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202107170300 // Usage for editorial use only //

O GP da Grã-Bretanha de 2021 vai sempre ficar marcado pelo acidente entre Lewis Hamilton e Max Verstappen na primeira volta que esquentou de vez os ânimos no campeonato. A batida tirou Verstappen da corrida, causou uma bandeira vermelha que permitiu a Hamilton ter seu carro consertado, e gerou uma punição de 10s para o inglês.

Isso alçou Charles Leclerc à liderança até que Hamilton o alcançou Leclerc com três voltas para o final, passando o ferrarista para vencer. Atrás das primeiras colocações, a corrida foi menos movimentada. A maioria dos pilotos adotou a mesma estratégia de duas paradas, fazendo dois stints com médios e um último com duros. Lembrando que, como foi um fim de semana de sprint, os pilotos não precisavam largar com o pneu do Q2, regra que caiu para 2022.

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