Guias dos circuitos

Guia do GP de Miami

Muito se fala da expectativa do GP de Miami enquanto evento, mas o que esperar da corrida na pista? Depois de 36 propostas de traçados diferentes, muito em função de brigas a respeito da liberação de vias públicas, o que acabou não acontecendo, a pista usando a área do estádio do Miami Dolphins nem parece o que é: um circuito de estacionamento, ou melhor, de “campus”.

A pista tem dois trechos de aceleração máxima longos (não vou chamar de reta porque uma delas não é exatamente uma), misturados com algumas curvas de terceira marcha (a maioria agrupada no final do segundo setor). 

“Minha sensação inicial é de que será uma pista muito técnica, com várias curvas de estilos diferentes.”

Alex Albon

A leitura da Mercedes é de que é uma pista parecida com Barcelona no sentido dos pneus serem muito exigidos no começo e no final da volta (o que significa que, com o calor esperado para Miami, pode ser difícil não cozinhar os pneus na volta de classificação). Mas a comparação que mais ouvi foi com o novo Albert Park, embora deva ser um pouco mais rápida no geral. Por conta disso, algumas equipes, como a Ferrari por exemplo, sentiram a necessidade de levar um pacote aerodinâmico especial, com uma asa de menor carga aerodinâmica.

GP de Miami

Como é o acerto do carro no Miami Autodrome

Dá para entender a preocupação ferrarista com a velocidade de reta, lembrando que a Red Bull tem tido vantagem no final das regras, e a Scuderia se viu exposta quando, em Imola, não teve a mesma vantagem com os pneus vista em provas anteriores. Por outro lado, o desenho da pista parece premiar carros de boa tração, e a Scuderia se sai bem nesse quesito.

Outro ponto interessante é que a pista é bem estreita em alguns trechos, então as equipes entendem que há chances significativas de intervenções do SC ou períodos de VSC durante a corrida, além de bandeiras vermelhas na classificação.

Tempestades de fim de tarde podem limpar a borracha no GP de Miami

Falando em pneus, a Pirelli fez uma opção mais conservadora, como tem ocorrido em circuitos novos: os pneus do meio da gama, ou seja, os que as equipes conhecem melhor, C2, C3 e C4, serão os disponíveis.

Não se espera um alto desgaste de pneus, mas as temperaturas podem ser altas. O asfalto recebeu aquele mesmo tratamento com água que deu certo na Arábia Saudita, gerando um bom nível de aderência desde o início. Aliás, entender a evolução da pista será um ponto importante e difícil por se tratar de um circuito novo. E lembramos como isso fez diferença na Austrália.

Algo que pode afetar essa avaliação é a previsão de chuva para todos os dias e especialmente no domingo de manhã. O tempo na região muda rapidamente, com o calor fazendo a água evaporar rapidamente, causando tempestades na parte da tarde. 

As sessões são mesmo um pouco mais tarde em Miami. Curiosamente, tudo começou porque um dos acordos para realizar a prova em Miami Gardens previa só iniciar as atividades ao final do dia letivo das crianças. Então ou a atividade de pista será atrapalhada, ou temos grandes chances da borracha que for depositada pelos carros ser lavada. No momento, a maior tempestade está prevista para horas antes da corrida no domingo. Então é bom ficar de olho na previsão do tempo.

Dá para ultrapassar no GP de Miami?

No papel, são três os grandes pontos de ultrapassagem no circuito, na freada da curva 1, e principalmente nas curvas 11 e 17. Serão três zonas de DRS, sendo que uma delas, na reta principal, é curta. E as três curvas que as precedem são lentas, o que costuma ser uma boa receita. Uma coisa é certa: não há motivos para não ser mais fácil ultrapassar em Miami do que foi em Imola. 

“Há duas grandes chances de ultrapassagem nas duas retas muito longas. E o resto da pista tem uma boa mistura de alta velocidade e trechos bem lentos. Da curva 4 à 11 é bem rápido e da 11 à 16 é bem lento. É uma boa mistura e as retas dão a chances de ultrapassar, então tomara que seja uma boa corrida.”

Kevin Magnussen

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