Esse ano de 2002 promete, poderiam dizer alguns desavisados ao ver um alemão ganhando com a Ferrari e Valentino Rossi triunfando na MotoGP. Coincidências à parte, depois da expectativa por recordes e mais recordes da Mercedes, foi a vez de algumas barreiras serem quebradas.
O GP da Malásia terminou com uma seca de 34 corridas sem vitória para a Ferrari e 20 para Sebastian Vettel. Apesar de ser a maior sequência sem triunfos para o alemão, a equipe italiana já viveu dias piores: ficou 58 provas sem um primeiro lugar entre 1990 e 1994.
Curiosamente, quem encerrou a fila foi Gerhard Berger que, ao vencer a 104ª prova da história da Ferrari, fez a Scuderia alcançar a McLaren na época. Hoje, há 20 triunfos de diferença entre as duas equipes, a favor dos italianos.
Seria injusto dizer que o resultado veio do nada, tamanho o salto que a Ferrari demonstrou ter dado neste ano, mas era difícil acreditar que, depois de liderar 32 voltas em 2014, o time comandaria o GP, superando esse número em apenas uma prova (Vettel, por sua vez, ficou na frente por 46 voltas, enquanto ano passado, só liderou uma). O alemão também conseguiu a melhor posição de largada desde Felipe Massa, também na Malásia, há dois anos.
Mesmo com tantas marcas batidas e sequências sem vitórias terminadas, houve uma sensação de déjà vu no ar. Não por acaso: foi a 76ª vez que os hinos alemão e italiano foram tocados em uma cerimônia de pódio na F-1. E a segunda, claro, com Vettel no lugar mais alto. Inclusive, esta não foi a primeira vez que Vettel venceu com um motor Ferrari. Afinal, ele é o único a ter conseguido isso com outra equipe que não a Rossa.
Nem preciso dizer que em 72 ocasiões, essa combinação de hinos veio com vitórias do grande ídolo de Vettel, Michael Schumacher. Ao chegar a sua 40ª vitória em 141 corridas, o alemão tem exatamente a mesma média do heptacampeão em 2000, quando atingiu a marca. Era o início da grande era de Schumi na Scuderia.
Falando em 40, esse também foi o número de poles que Lewis Hamilton atingiu na Malásia, logo em sua 150ª corrida. O inglês vive, ainda, sua maior sequência de pódios desde que ficou entre os 3 primeiros nos nove GPs iniciais da carreira.
Os tourinhos
Outro que está começando bem sua história na F-1 é Max Verstappen. O holandês ainda vai quebrar muitos recordes – que devem ficar intocados, já que a FIA não mais permitirá a estreia de pilotos abaixo de 18 anos a partir do ano que vem. Na Malásia, tornou-se o mais jovem a pontuar, aos 17 anos e 184 dias, superando seu antecessor na Toro Rosso, Daniil Kvyat, em cerca de um ano e meio.
Com Verstappen e outro que vem andando bem, Carlos Sainz, ambas as Toro Rosso terminaram à frente das Red Bull, algo que só aconteceu em quatro oportunidades: além do último final de semana, China 2007, Hungria 2008 e Bélgica 2008. É a primeira vez, portanto, que isso ocorre sem Vettel ao volante da equipe satélite.
Quem segue colecionando recordes negativos é a McLaren. Duas semanas depois de obter a pior classificação de sua história, o time teve um duplo abandono pela primeira vez desde o GP dos Estados Unidos de 2006. Mas, naquela ocasião, isso não aconteceu por nenhuma quebra: Juan Pablo Montoya causou um acidente que tirou ele e seu então companheiro Kimi Raikkonen da prova.
Resta saber quando vai acabar a sequência de 40 corridas sem vitórias da equipe de Woking, desde o GP do Brasil de 2012. Só não é a maior seca da história porque eles ficaram 48 provas sem vencer entre 1993 e 1997. Pelo menos por enquanto.
