
A mudança no processo de largada, diminuindo a influência dos engenheiros nos momentos que antecedem o início dos GPs, começou a dar os primeiros frutos nas duas últimas etapas – e a expor alguns pilotos também.
Ainda não dá para saber se será uma tendência, mas as primeiras voltas tanto na Bélgica, na estreia do novo sistema, como na Itália tiveram quase o dobro de trocas de posições em relação ao ano passado. Os engenheiros defendem que esta é uma tendência que deve diminuir nas próximas provas, à medida que os pilotos se acostumarem à novidade, mas isso é algo hipotético.
O fato é que em Spa e em Monza houve, em média, 61,5 mudanças de posição na primeira volta, contra 31.8 na média das dez primeiras etapas do campeonato. Parte disso tem a ver com as características de ambos os circuitos – especialmente pela facilidade em pegar o vácuo nos primeiros metros em Monza e após a Eau Rouge em Spa – mas, em 2014, o GP da Bélgica teve 46 mudanças de posição na primeira volta e o da Itália, 44.
Curiosamente, a novidade tem sido particularmente ruim para dois pilotos experientes. Raikkonen perdeu 13 posições na primeira volta na Itália e ganhou só das Manor na Bélgica. Em ambos os casos, o finlandês andou para trás nos primeiros metros, tendo de se recuperar nas curvas seguintes. Ainda é cedo para cravar que o campeão de 2007 está sofrendo com o novo procedimento, uma vez que as largadas ruins – particularmente a de Monza, em que o anti stall entrou em ação – não foram explicadas nem pela equipe, nem pelo piloto. Porém, se o chefe da Ferrari chegou a falar publicamente que Kimi ‘pareceu estar atrapalhado com os botões’ é por crer que o problema não foi do sistema.
Por outro lado, o que pode ter acontecido na Itália é um exagero na agressividade da configuração da embreagem para aproveitar a primeira fila, tão no limite que o motor entendeu que ia parar e, por isso, o anti stall ligou. E disso o piloto não teria culpa.
Outro que ficou exposto com a mudança foi Nico Rosberg. O alemão perdeu duas posições na Itália e mais duas na Bélgica. Na verdade, não é algo que surpreende, lembrando que a Mercedes já não vinha largando bem e o piloto tem um estilo bastante dependente dos engenheiros.
Por outro lado, pilotos mais instintivos têm feito a festa. Daniel Ricciardo ganhou duas posições em Spa e seis em Monza, quando largou no fim do pelotão. Já Sergio Perez subiu dois lugares em ambas as provas.
Quem também tem largado muito bem são as duas McLaren, especialmente Alonso. Pena para os campeões do mundo que isso apenas signifique que eles vão passar as primeiras voltas perdendo todas as posições que conquistaram nos primeiros metros…