Não dá para dizer como um campeonato vai ser com base em um GP de Mônaco. Afinal, trata-se de uma corrida única no calendário. Mas dá para ver claramente quem está com confiança de sobra, e o meio minuto que Kimi Antonelli abriu de um também muito satisfeito Lewis Hamilton, enquanto George Russell levava uma volta do companheiro de Mercedes, dão a medida do cenário atual do campeonato.
Problemas dentro e fora do cockpit para Russell
É claro que grande parte do tempo perdido por Russell até aquele ponto da prova, antes de Lance Stroll causar um Safety Car na volta 58, foi atrás de Isack Hadjar, que convivia com problemas em sua unidade de potência e brake-by-wire. Por 25 voltas, ele andou muito mais lento do que poderia, enquanto a Red Bull buscava as coordenadas para instruir Hadjar a contornar a situação. Quando se livrou da Red Bull, já estava 49s segundos atrás.
Mas os problemas de Russell começaram ainda na sexta. Um piloto sem confiança em Mônaco acaba entrando em uma bola de neve porque não consegue atacar as curvas, e com isso não gera temperaturas nos pneus, e sem temperaturas fica difícil atacar. Foi uma espiral da qual ele não conseguiu sair, classificando-se em sexto.
Ele poderia ter conseguido um pódio, contudo, com os abandonos de Max Verstappen, sem potência desde a volta de apresentação, e Lando Norris, também com problemas no motor a combustão, mas aí entrou a outra parte do ano terrível até aqui daquele que começou 2026 como franco favorito.
Ele foi um dos cinco pilotos punidos por excesso de velocidade nos boxes, por algo milimétrico que tem a ver com a configuração da pista. Na confusão das paradas com Safety Car, a Mercedes errou e não cumpriu a punição, o que fez com que ele fosse punido uma segunda vez, com um drive through, que tinha que ser pago logo depois de uma relargada. Ou seja, foi parar fora dos pontos.
Quem poderia ameaçar Antonelli ficou pelo caminho
Alheio a tudo isso, Kimi Antonelli parecia decidido a apenas pilotar no limite do carro, sem pensar em administrar a vantagem que tinha. Ele descolou de Hamilton logo na primeira volta e foi aumentando, aumentando a diferença, enquanto o britânico sofria com aquecimento dos pneus, depois perda de temperatura dos pneus no trânsito, depois aquecimento de freios.
Aquela Ferrari dominante que se esperava pela maneira como o carro lida com as zebras não apareceu. O carro esteve mais nervoso nas freadas e não evoluiu ao longo do fim de semana como a Mercedes.
A vida de Antonelli talvez tenha sido facilitada porque o meio segundo que Charles Leclerc costuma ter na manga em Mônaco desapareceu em meio a problemas nos freios – e, mesmo assim, ele vinha com tempo de pole position, quando perdeu o carro na última volta – e pelo abandono de Max Verstappen, que parecia super confiante com sua Red Bull neste fim de semana.
Not the start Max wanted at all! 😲
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Onboard with Verstappen as he fails to make it off the grid here in Monaco ⬇️#F1 #MonacoGP pic.twitter.com/wAWB8H37I9
Mas nada disso tira os méritos do vencedor mais jovem da história em Mônaco. E isso não é pouca coisa.
Até porque ele teve que manter calmo quando tudo parecia ganho. O GP de Mônaco pode ser dividido em duas partes, antes e depois do SC de Stroll.
Primeira parte do GP foi a cara de Mônaco
Nas primeiras 58 voltas, foi mais do mesmo para Mônaco. Ninguém passava ninguém, pilotos que estavam mais no fim do pelotão – como Gabriel Bortoleto, que largou dos boxes após seu motor apagar quando ele levava a Audi para o grid – tentavam fazer mais paradas para sair do trânsito, sem muito sucesso. E carros eram mais lentos de propósito para segurar o pelotão (Albon ajudando a tática de Sainz).
A única diferença era a quantidade de punições, que seriam pagas na bandeirada. Hamilton estava perdendo a segunda posição para Leclerc, Russell não perderia nenhuma, Pierre Gasly, também punido, andava confortavelmente em sétimo.

Segunda parte foi um tanto caótica
Até que Lance Stroll foi reto de maneira estranha na saída da Rascasse. Oito pilotos pararam – os que tinham uma parada “de graça” para fazer e os que tinham que pagar punição. Logo na relargada, na volta 67, Charles Leclerc escapou do mesmo jeito que Stroll e a direção de prova constatou que havia problemas no asfalto naquela parte da pista, ainda que o monegasco tenha saído do carro furioso com os freios da Ferrari.
Onboard with Charles Leclerc for his crash, prior to the Red Flag! 👇#F1 #MonacoGP pic.twitter.com/VdOHk9FSRM
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Com a bandeira vermelha, todos trocaram os pneus e a corrida recomeçou com largada parada e oito voltas para o final. Antonelli tinha agora Hamilton ao seu lado na primeira fila, mas largou bem novamente e venceu com tranquilidade, com o heptacampeão em segundo, igualando o recorde de pódios em Mônaco de Ayrton Senna. Após Russell pagar sua punição, Hadjar se viu em terceiro, em uma corrida com tons heroicos depois de todos os problemas da parte inicial da prova.
Não foi o francês, contudo, quem cruzou na terceira posição. Pierre Gasly tinha levado uma segunda punição pelo excesso de velocidade nos boxes, não tinha cumprido a primeira, e teve 10s acrescidos ao seu tempo final, caindo para sétimo.
Oscar Piastri não passou do quarto lugar mesmo com todos os abandonos e punições, com a McLaren sendo a quarta força em Mônaco. Liam Lawson e Arvid Lindblad conseguiram pontos importantes para a Racing Bulls em quinto e sexto, com Alex Albon, Esteban Ocon e Fernando Alonso completando o top 10.
O primeiro pontinho da Aston Martin saiu horas depois da prova, com a confirmação de que Sergio Perez foi punido – duas vezes – por se posicionar no lugar errado no grid, falha grave de execução de corrida da Cadillac, que teria feito seu primeiro ponto na categoria.
"It's just stupid" 📻
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Contact for Carlos Sainz TWICE on the race restart in Monaco put him out of the race! 😢#F1 #MonacoGP pic.twitter.com/eJumV94WqI
Mas a grande decepção foi a Audi, que terminou com os dois carros, mas fora dos pontos, depois de ter ficado dentro do top 10 em todos os treinos livres. Bortoleto bateu no Q1 e depois teve problemas na ida ao grid, ficou preso atrás de Perez e só conseguiu ganhar posições no final com uma confusão iniciada por seu companheiro Hulkenberg, que cruzou em nono, mas foi punido. Aconteceu tanta coisa nas últimas 20 voltas que o brasileiro, que passou a maior parte da prova em último, se classificou em 11º no final.


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