Quase não falamos nela neste ano, não? Depois de ser protagonista, para o bem e para o mal, da temporada 2013 e do temor por um ano com ainda mais problemas com o novo regulamento, a Pirelli foi conservadora e, mesmo assim, foi um dos pontos que promoveu boas corridas. Teria a fornecedora de pneus atingido o tempero certo?
Ao tornar todos os compostos mais duros, querendo evitar o vexame dos estouros de 2013 e temendo o maior torque dos motores turbo, a Pirelli alterou um pouco a dinâmica das corridas. Mesmo assim, a tônica dos últimos três anos foi mantida, com o undercut (antecipar a parada em relação ao rival mais próximo para sair na frente, usando a aderência do pneu novo) ainda sendo a melhor aposta para os estrategistas.
O número de paradas também ficou dentro do que é proposto aos italianos, entre duas e três (sendo que, em 2014, a balança pendeu mais para as duas paradas, o que favorece a compreensão das provas, apesar de torná-las menos movimentadas e diminuir a vantagem de carros que economizam mais os pneus). Para se ter uma ideia, o número médio de pit stops caiu de 51 em 2013 para 44 em 2014. Porém, o ano foi mais uniforme: a prova com mais pits (GP do Bahrein) teve 58, 22 trocas a menos que a ‘campeã’ de 2013, o GP da Espanha. E a prova com menor paradas (decorrência da falta de curvas e da alta perda de tempo no pit pelas características do circuito) seguiu sendo o GP da Itália, com 23, somente uma a menos que ano passado.
Mas a grande diferença foi a aproximação de rendimento dos compostos, o que criou algumas oportunidades estratégicas, como por exemplo a que gerou a grande disputa do ano, entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg pela vitória no Bahrein. Cada um utilizou um composto diferente e, no final, Nico estava atrás, mas com o pneu mais rápido e menos durável. Cenas parecidas poderiam ter acontecido até na última prova caso a Williams de Massa tivesse mais rendimento.
Houve alguns erros, como o excesso de cuidado na Rússia, mas foi um ano com muito menos sustos do que 2013, quando a alteração feita no meio do campeonato alterou completamente a disputa, que vinha aberta e se transformou em um passeio de Vettel.
Para 2015, mesmo não prevendo grandes alterações no pneu, a Pirelli prevê que os carros fiquem 1s mais rápidos, o que pode fazer com que os pneus se degradem mais. É uma expectativa conservadora, convenhamos, com a evolução que se espera nas unidades de potência. Será que essa combinação será suficiente para os pneus voltarem a provocar resultados imprevisíveis, como os sete vencedores diferentes nas primeiras sete provas em 2012?
