Julianne Cerasoli

A Ferrari virou a melhor num passe de mágica?

Fernando Alonso pode falar aos quatro cantos que venceu as Red Bull por 20s em um território inóspito para a Ferrari, bradar que tinha um ritmo muito melhor. E é verdade. Mas houve três fatores que ajudaram o resultado – e que nos fazem ter de esperar pelo menos até a Alemanha para descobrir se esse 150º Italia chegou pra valer.

Obviamente, o erro da Red Bull no segundo pitstop de Vettel foi fundamental para a corrida do alemão, que desgastou seus pneus – como esperado, foi só ficar preso no meio do pelotão para toda sua ‘magia’ em manter os Pirelli rendendo bem acabar – atrás de Hamilton, teve de antecipar seu pitstop e acabou ficando tempo demais com o último jogo de pneus macios. Esse é o primeiro fator.

Em segundo lugar, a chuva antes da prova foi uma mão na roda para a Ferrari, pois eliminou a necessidade de usar os pneus duros, que vêm sendo, desde o ano passado, o grande tormento da Scuderia. Com eles, Alonso caiu da liderança para tomar uma volta há dois meses. Se tivessem superado totalmente os problemas com a borracha mais dura, seria quase um milagre.

Mas não pudemos descobrir isso, sequer nos treinos de sexta-feira, atrapalhados pela chuva. É óbvio que as novidades que a Scuderia trouxe para Silverstone – como tem sido de praxe, enquanto a Ferrari consegue colocar o que desenvolve no túnel de vento no carro, a McLaren teve que dar um passo atrás – melhoraram a pressão aerodinâmica do carro e isso interfere diretamente no rendimento com compostos mais duros, pois gera mais carga e favorece o aquecimento. Mas teriam os problemas sido solucionados completamente? É uma pergunta que vai ter de esperar ainda além da Alemanha, já que a Pirelli anunciou que não levará os duros nem para Nurburgring, nem para a Hungria.

O terceiro fator é o mais incerto de todos. Sem o tal difusor soprado nas freadas, de acordo com Felipe Massa, o carro perdeu de quatro a seis décimos por volta e “é impossível que os outros tenham perdido muito mais que isso”, opinou o brasileiro após o GP. Pelo tamanho da briga que a Red Bull comprou nesse final de semana, talvez Felipe esteja errado. Como tudo caminha para voltarmos à configuração de Valência, logo teremos esta parte da resposta.

Mas também não dá para ignorar que a Ferrari vem chegando nas últimas três provas. Poderia ter vencido em Mônaco e no Canadá, assim como lutou de igual para igual com a Red Bull em Valência. E com o difusor soprando à vontade. Faltava aquele imprevisto de corrida que faria Vettel gastar mais pneu e ficar em desvantagem. E ele chegou em Silverstone.

Porém, que ninguém diga que teremos uma repetição de 2010. Não são mais 47 pontos de diferença entre o líder e Alonso, e sim, 92. E a Red Bull, que até usou de ordens de equipe na corrida de hoje, parou de jogar pontos ao vento.

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