Julianne Cerasoli

A melhor das três

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“Só me concentrei em aumentar a distância. Não vi nada atrás de mim”. Azar o de Rosberg. O GP da China manteve algumas das máximas que marcaram as outras duas etapas do campeonato e foi mais uma oportunidade em que a Fórmula 1 se perguntou o porquê de tanto chororô, na corrida mais movimentada do ano até aqui.

Como vimos no Bahrein, pilotos com carros danificados por toques em mais uma primeira curva movimentada tiveram mais dificuldade do que o normal para abrir caminho no meio do pelotão e foram obrigados a fazer ultrapassagens até as últimas voltas. Além disso, as possibilidades amplificadas de estratégia pelo uso de três compostos e a maior equalização dos motores contribuíram para que se passasse de uma centena de manobras durante a prova, pelo menos em números preliminares.

Neste contexto, a prova de Hamilton foi emblemática. O inglês, que há cerca de um ano e meio havia largado do pit para ser terceiro colocado na Hungria, em um circuito bem mais travado do que o da China, não passou do sétimo lugar. Depois da pancada da primeira curva, o inglês disse que seu carro estava como “uma cama de quatro postes”. Difícil imaginar o que isso realmente significa, mas dá para entender o recado: foram ‘só’ 18 ultrapassagens na corrida porque o carro não estava 100%.

De fato, os quase 40s que Rosberg conseguiu impor na ponta mostram que os dias de domínio da Mercedes estão longe de terem ficado para trás. Porém, ao mesmo tempo, a tendência a termos provas acidentadas tanto comprovam a tese de que o carro é mais sensível que os demais ao tráfego, quanto ainda fizeram com que a Ferrari não mostrasse do que é capaz.

Falando em provas acidentadas e Ferrari, é melhor Vettel se acostumar com cenários como o enfrentado com Kvyat na primeira curva na China: o novo procedimento de largada tem causado saídas mais aleatórias e, com isso, todo mundo chega bem mais apertado na freada. Com pouco espaço para muito carro, a tendência de primeiras voltas limpas foi deixada para trás pelo menos neste início de campeonato. E o melhor é que a direção de prova tem preferido não se meter no que são, de fato, acidentes de corrida.

Outro ponto de destaque na China foi o desempenho da Red Bull, que faz a Ferrari agradecer aos céus por não ter decidido ceder seus motores ao time. Com um chassi considerado o melhor do grid e uma unidade de potência menos defasada da Renault em relação à do ano passado, o time vem demonstrando sinais de que pode ser mais do que a terceira força e incomodar o time italiano dependendo do circuito, enquanto a Williams, de fato, ficou para trás.

Falando em unidade de potência menos defasada, foi importante ver os pilotos da McLaren pelo menos disputando a freada com rivais como os Ferrari e até Hamilton na reta mais longa do campeonato. Na verdade, era na reaceleração que Alonso e Button ficavam para trás, o que pode cair tanto na conta da Honda, quanto da própria equipe. Ainda que ambos tenham terminado fora dos pontos, vale salientar que o GP da China – com toda a carnificina da primeira curva! – não teve nenhum abandono e seria um dos testes mais complicados para o time na temporada.

A prova foi tão movimentada que começou já há quem questione a necessidade de mudar as regras de novo ano que vem. Seria errado menosprezar a capacidade dos engenheiros a se adaptarem à nova regra dos pneus, ponto muito importante para a emoção das primeiras provas. E a primeira prova para a qual a escolha terá sido feita após alguma experiência na pista – o GP da Espanha, para o qual a seleção foi feita após Melbourne – pode tirar um pouco da empolgação inicial. Ainda bem que ainda temos o GP da Rússia para aproveitar.

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