Julianne Cerasoli

A Mercedes tirou a vitória de Hamilton?

Motor Racing - Formula One World Championship - Brazilian Grand Prix - Race Day - Sao Paulo, Brazil

O GP do Brasil foi movimentada do começo ao fim e estrategicamente mais parecida com provas que tivemos nos anos anteriores da era Pirelli – devido à mudança dos compostos capitaneada por Felipe Massa, o que fez com que a fornecedora fosse menos conservadora do que em outras etapas. Mas a prova foi ao mesmo tempo, decidida em grande medida pela classificação. Ainda assim, o resultado levantou uma questão tática importante: a Mercedes tirou a vitória de Hamilton ao deixá-lo tempo demais na pista antes da segunda parada?

Se compararmos o top 10 da classificação com o da corrida, vemos que as grandes discrepâncias (fora o problema do cinto de segurança de Bottas e a quebra de Ricciardo) são o rendimento ruim de Magnussen (mais uma vez perdido com os pneus) e a evolução de Hulkenberg, único que conseguiu fazer a tática de deixar o pneu macio para o final funcionar.

O lance taticamente mais polêmico da prova ocorreu na volta 28, quando Lewis Hamilton rodou na tentativa de acelerar, com pneus gastos, e se aproveitar da parada do líder Nico Rosberg. O inglês se queixou da decisão da equipe deixá-lo tempo demais na pista. “Pensei que teria só uma volta rápida e tirei tudo do meu pneu”, justificou.

Sem a possibilidade de executar um undercut (parar primeiro para usar a aderência do pneu novo para andar rápido e superar Rosberg, como Vettel fez com Alonso na metade da prova) contra o companheiro, Hamilton só conseguiria passar o alemão de duas formas: na pista ou andando mais forte quando o rival parasse. E a Mercedes deu a ele essas duas oportunidades.

Quando Rosberg fez sua segunda parada, na volta 26, a diferença entre os dois era de 0s7. A margem que Hamilton precisava para voltar na frente quando parasse, levando em conta a média da Mercedes na corrida, era de 22s7 de perda total no pit.

Na primeira volta sem Rosberg à frente, Hamilton fez a melhor volta da prova e estava 22s4 à frente de Nico no segundo setor, quando a decisão de lhe dar mais uma volta na pista foi tomada. A equipe fez isso porque julgava que não seria suficiente Lewis retornar à frente, mas o inglês não acreditava que poderia manter o ritmo por mais tempo, pois já fizera 19 voltas naquele jogo (assim como Rosberg fez). Porém, no primeiro setor da volta da rodada, tirou mais 0s2 em relação a Nico e, só então, perdeu o carro na freada da curva 4.

A Mercedes acabou assumindo o erro, até para tirar pressão de seu piloto, mas foi uma aposta milimétrica e válida. E uma oportunidade que muitas equipes não dariam caso estivessem na mesma posição. No stint final, Hamilton ganhava com DRS nos setores 1 e 3 e perdia no segundo, mais sinuoso, por perda de pressão aerodinâmica. Assim, a briga direta pela liderança ficou no quase. Por duas vezes.

No mais, Raikkonen merece uma menção honrosa. Mesmo sendo o único a adotar uma estratégia de 2 paradas, não quis se privar de lutar pelas posições, segurando Button, mais rápido e com pneus novos, por 10 voltas, e Alonso, também com borracha 17 giros menos gasta, por 5. Kimi, contudo, poderia ter terminado brigando com Vettel pelo quinto lugar se não tivesse perdido 4s5 por um problema no pit stop e se a Ferrari tivesse se comprometido mais cedo a fazer duas paradas, estendendo seu segundo stint, que foi de 27 voltas. A própria equipe reconheceu ter mudado de ideia durante a prova, o que explica terem deixado 36 voltas para o stint final da corrida.

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