Adrian Newey, o “pai” do carro da Red Bull, é reconhecido como um gênio. Como todos eles, gosta de levar tudo ao limite. Tanto, que não é de se admirar que seus carros falhem de vez em quando.
Quando o motor de Vettel explodiu na Coréia, Newey levou as mãos à cabeça. Quantas vezes isso já não aconteceu com seus carros? O inglês já perdeu um campeonato assim, em 2005, com Kimi Raikkonen na McLaren – o MP20 era uma bala que custava a completar provas. Quantas não foram as falhas do tipo na época de Hakkinen e Coulthard?

Sim, ele vai longe demais, e pode-se dizer os riscos que o projetista assume têm equilibrado lucros e prejuízos à Red Bull. Só Vettel acumula 5 provas com problemas mecânicos – Bahrein, Austrália, Espanha, Canadá e Coréia. Tanto, que suas criações colocadas em prática no RB6 custaram a ser copiadas pelos outros times: eram muito arriscadas.
O difusor-escapamento, por exemplo. Colocar os gases quentes do escapamento em contato com os componentes da parte traseira do carro trouxe muita dor de cabeça para as equipes. Na sexta-feira da Coréia, o carro de Button teve até princípio de incêndio por conta de “peças superaquecidas”, segundo a McLaren divulgou. Isso porque os ingleses instalaram o sistema pela primeira vez em julho.
A suspensão em pull rod é uma solução tão extrema que ninguém se atreveu a copiar no decorrer do ano. Trata-se de uma angulação diferente, mais alta, que permite trabalhar com uma traseira mais compacta, melhorando o fluxo de ar. Não é nenhuma novidade, foi criada pela Brabham em 1974, mas foi a solução resgatada do passado que permitiu ao time rivalizar com a Brawn ano passado mesmo sem o difusor duplo. E, como eles serão banidos ano que vem, espera-se uma chuva de pull rods por aí em 2011.
Tudo isso explica o grande problema dos carros de Newey: a confiabilidade. Quando o inglês acertou a mão, construiu alguns dos carros mais imbatíveis da história da Fórmula 1. Pescado na pequena March por Patrick Head, desenhou os Williams de 92 e 93 que, equipados com suspensão ativa, trucidaram a concorrência. Com o artifício banido, no ano seguinte, foi o responsável pelo último carro de Ayrton Senna.
Depois de 2 anos de transição, Newey voltou a vencer com Hill e Villeneuve, em outros dois Williams muito superiores à concorrência. Mas a relação com Head já não era boa há anos e o projetista foi para a McLaren.
Sob o teto de Ron Dennis, dois títulos com Mika Hakkinen e mais controvérsia. Infeliz e derrotado sistematicamente pelas Ferrari de Rory Byrne, também saiu brigado ao final de 2005.
Aceitou um salário milionário na Red Bull, começando do zero. Teve pouca influência no bólido de 2006, colocando a mão na massa apenas em 2007. Seus dois primeiros carros no time austríaco eram pouco confiáveis – 14 abandonos em 34 possíveis em 2007 e 8 de 36 em 2008 – mas, aproveitando-se de uma grande mudança de regras em 2009, transformou a equipe de média para grande e muito provavelmente, mesmo ainda não tendo acertado em cheio, o homem que até hoje desenha na prancheta e mal sabe usar um computador vai levar uma empresa de energéticos ao título de construtores da F1.