A perda de dez posições no grid do GP da Coreia para Mark Webber expôs como ações menores podem resultar em penas que complicariam o final de semana de qualquer um. As advertências ou reprimendas começaram a ser aplicadas em 2010, mas não tinham muito sentido até serem regularizadas ano passado e ficou decidido que o acúmulo de três delas levaria a uma sanção mais grave.
A primeira “vítima” do novo sistema foi Pastor Maldonado. Após ter acumulado duas reprimendas por atrapalhar Heikki Kovalainen na classificação do GP da China e colidir com Perez no GP da Grã-Bretanha de 2012, o venezuelano largou 10 posições atrás da que conquistou na classificação para o GP do Brasil por não parar o carro para pesagem.
O sistema não deixa de ser justo e funciona como os cartões amarelos do futebol. E, assim como nos gramados, quando jogadores acabam sendo expulsos por tirar a camisa em uma comemoração de gol ou por reclamação, por exemplo, pois já haviam recebido um amarelo anteriormente, este tipo de punição cumulativa pode acontecer pelos motivos mais bizarros.
Confira a lista dos “pendurados” da atual temporada, todos com apenas uma reprimenda:
Alonso: pilotar de maneira potencialmente perigosa.
Bianchi: não parar o carro para pesagem
Bottas: não diminuir a velocidade sob bandeira amarela
Di Resta: causar colisão
Hamilton: passar do lado errado do “cone” da entrada dos pits
Pic: retornar à pista de maneira insegura
Raikkonen: não diminuir a velocidade sob Safety Car
Rosberg: não diminuir a velocidade sob bandeira amarela
Sutil: andar lento demais no pitlane
Lembrando que Webber foi “enquadrado” em Cingapura por “entrar na pista sem a permissão dos fiscais”, o que, somado às advertências por tocar-se com Rosberg no Bahrein e não diminuir a velocidade sob bandeira amarela, no Canadá, gerou a perda de 10 posições na próxima prova. Como Alonso era “réu primário” nesta temporada, ficou só no cartão amarelo.
Também deve ficar claro que a “carona”, em si, não é contra o regulamento, mas os comissários não gostaram da maneira como isso foi feito. Porém, acredita-se que, após o episódio, a FIA não permita mais esse tipo de atitude.
Mais números para Vettel
Do outro lado da Red Bull, Sebastian Vettel continua sua caminhada pelos recordes. Agora é o mais vencedor piloto do grid, com 33 triunfos (quarto da história e a oito de Senna) e passou Nigel Mansell (2.091 a 2.147) em número de voltas na liderança – agora “só” falta passar Michael Schumacher (5.111), Senna (2.931) e Alain Prost (2.683). Nesta temporada, o alemão esteve na frente por 394 voltas, mais da metade das 781 disputadas até aqui.
As 61 voltas de Cingapura ajudaram em ambas as marcas, pois todas elas foram lideradas pelo piloto da Red Bull, que conquistou seu terceiro Grand Chelem (combo entre liderar todas as voltas da corrida, fazer pole, vencer e ter a volta mais rápida) Só Jim Clark (8); Alberto Ascari e Michael Schumacher (5); Jackie Stewart, Ayrton Senna e Nigel Mansell (4) têm mais que ele. No atual grid, apenas Fernando Alonso conquistou um solitário Grand Chelem, justamente em Cingapura – e sendo pressionado a corrida toda por Vettel.
Falando em volta mais rápida, Vettel não deixou dúvidas ao fazer 16 das vinte voltas mais velozes da corrida, que marcou seu terceiro triunfo seguido em Cingapura. Alguém se lembra da última vez em que um mesmo piloto venceu em três anos consecutivos um mesmo GP? Felipe Massa ganhou de 2006 a 2008 na Turquia, prova que faz falta no calendário pelo belo traçado. Apesar de raro hoje em dia, o feito foi repetido por 19 vezes ao longo da história. Porém, quando falamos em quatro vitórias em anos consecutivos, a coisa se afunila e a lista só conta com quatro nomes: Ayrton Senna (único a ganhar um mesmo GP por cinco vezes seguidas, em Mônaco, além das quatro conquistas em série na Bélgica), Juan Manoel Fangio (GP da Argentina), Jim Clark (Bélgica e Grã-Bretanha) e Michael Schumacher (Espanha e EUA).
Outro fator que chamou a atenção foi a facilidade com que o alemão se distanciou do resto do pelotão. Uma particularidade desta era Vettel é que, mesmo com várias vitórias tranquilas, sua Red Bull não costuma abrir tanta vantagem na ponta. Isso, por vários fatores, que vão desde a necessidade de poupar os Pirelli até às próprias deficiências dos carros dessa família que começou com o RB5 – cujo segredo é a maneira como a os sistemas são sacrificados em prol da aerodinâmica, atuando sempre no limite. Pois, bem, com Safety Car e tudo, vimos no domingo a vitória mais acachapante do alemão – e a maior margem da Fórmula 1 em provas no seco desde o GP da Hungria de 2005, vencido por Kimi Raikkonen de McLaren (sob chuva, Lewis Hamilton colocou um minuto sobre o segundo colocado no GP da Grã-Bretanha de 2008).
Inclusive, das 33 vitórias de Vettel, apenas seis foram por margem além de 15s:
Cingapura 2013: 32s6
Austrália 2011: 22s2
Japão 2012: 20s6
Abu Dhabi 2009: 17s8
Bélgica 2013: 16s8
Grã-Bretanha 2009: 15s1
