Julianne Cerasoli

Agressivo ou perigoso?

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O GP da Bélgica acabou há mais de cinco horas. Escrevo depois de pegar um belo congestionamento na saída de Spa-Francorchamps. Nas placas, as mesmas duas letras: NL. Era a maré laranja que invadiu o país vizinho para torcer para aquele que foi, para o bem e para o mal, o grande nome do final de semana.

O fenômeno Max Verstappen mudou a cara de um GP que vinha perdendo público nos últimos anos, depois de viver seus tempos áureos às custas de outro fenômeno da vizinhança. Michael Schumacher. E se este final de semana deixou algo claro, é que as comparações entre Max e o heptacampeão não param por aqui.

A sensação geral no paddock é de que Verstappen se tornou a grande aposta para o futuro da Fórmula 1, especialmente na Europa, e, com isso, ganhou o poder de fazer o que quiser. Já o vimos ultrapassando por fora (da pista), defendendo-se de maneira bastante questionável. E sequer sendo investigado. É como se estivéssemos assistindo à gestação de um novo Schumacher.

Michael incomodou muito em seus primeiros anos, e nunca tirou o pé, nunca deixou de testar os limites do que era aceitável fazer dentro da pista, e também fora dela. Verstappen dá seus primeiros passos no mesmo caminho e, ao mesmo tempo que agrada muitos pela agressividade e por não demonstrar nenhuma intenção de mudar, estando disposto a pagar o preço quando as coisas não saírem como planejado, como foi o caso em Spa, incomoda aqueles que acabam se tornando as vítimas de tais atitudes.

Isso ficou claro na Bélgica, quando Verstappen conseguiu a proeza de tirar Kimi Raikkonen do sério. Não é o único: a cada disputa, o holandês, via de regra, faz mais um inimigo no paddock. O motivo é simples e vai além da agressividade: especialmente a maneira como o piloto se defende é bastante temerária. E até certo ponto, amadora.

Sim, Verstappen foi otimista na largada, mas tinha o direito a tentar a manobra por dentro da La Source. Quando espalhou para cima de Raikkonen e de Perez, entrou naquela linha em que talvez o atual regulamento seja duro demais, não permitindo um tipo de manobra que foi comum por toda a história da F-1.

Mas a maneira como Max se defendeu de Kimi no final da reta são outros 500. E tem se tornando um tipo de manobra normal no arsenal do holandês. A tática é esperar ao máximo para o piloto que vem atrás escolher um lado para atacar e, só então, se posicionar para defender. E quem vai à frente tem esse direito, é um fato. Mas não quando já está na zona de freada, pois o perigo de causar um acidente é real, especialmente em dias de DRS e grandes diferenças de velocidade.

Mas o que mais preocupa dentro do paddock é que Verstappen não demonstra ter noção alguma de que pode, de fato, causar algum acidente desnecessário com esta tática. Há quem defenda uma conversa interna entre os pilotos, há quem acredite que, quando ele passar a ser punido, vai pensar duas vezes, e Raikkonen defendeu neste domingo que só um acidente vai ensiná-lo a se defender sem colocar ninguém em risco. Todos concordam que algum tipo de consequência é preciso para quem Max possa incomodar os rivais apenas pelo talento que já deixou claro que tem.

O GP da Bélgica ainda teve inúmeros pontos interessantes. Mas melhor discutir a recuperação de Hamilton ou a surpreendente corrida de Alonso quando toda a maré laranja voltar para casa.

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