Ninguém quer largar no fim do pelotão, isso é fato, mas os problemas de acumular partes da unidade de potência já descartadas ainda no início da temporada pode trazer consequências bem piores para as equipes. Especialmente os clientes de Renault e Honda.
É permitida a utilização de quatro unidades de cada um dos seis itens que compõem a unidade de potência e, ainda que haja a conversa para liberar uma quinta, a questão só deve ser analisada em meados de maio e enfrenta a resistência de clientes de Mercedes e Ferrari, que não querem ter mais custos com motores. É possível, ainda, que o aumento do limite só interfira na sexta-feira, uma vez que a grande preocupação é que os treinos livres fiquem ainda mais esvaziados simplesmente porque algumas equipes não terão motores para usar.
Enquanto uma decisão final não é tomada, os dois pilotos da McLaren e Daniel Ricciardo já estão no terceiro itens de três unidades. No caso do piloto da Red Bull, um motor foi trocado por precaução no final de semana da China e seria levado para análise em Paris, pois há a possibilidade de reutilizá-lo. Porém, não há tempo de levá-lo de volta ao Bahrein, então o australiano terá de estrear a terceira unidade de qualquer maneira.
E é importantíssimo que esses terceiros motores passem sem maiores problemas pelo Bahrein. Isso porque as fornecedoras ainda têm fichas para gastar em atualizações e, se conseguirem fazer isso na quarta unidade, podem conseguir uma durabilidade maior – além de mais rendimento, claro – e pelo menos adiarão o início das punições.
Caso contrário, de pouco adiantam os 12 tokens aos quais a Renault tem direito, contra 10 da Ferrari, 9 da Honda e 7 da Mercedes.
É de se esperar que a segunda homologação – ou seja, a utilização de parte destas fichas – aconteça em Barcelona, como será o caso dos demais fornecedores, mas Cyril Abiteboul fala em controlar os problemas até Mônaco, na etapa seguinte. Não está claro, portanto, se a Renault vai atualizar o motor até lá.
Não que estas atualizações não possam ser feitas depois. Será possível, por exemplo, gastar fichas para uma quinta ou sexta unidade. E a única punição seria a prevista pela troca da unidade. Porém, o estrago já terá sido feito: a cada atualização, o piloto terá de largar do fundo do grid.
Serão 10 posições perdidas no grid na primeira vez que a 5ª peça de qualquer um dos 6 itens da UP for usada, e mais 5 para os demais itens. No caso da 6ª peça, novamente o piloto perde 10 posições. Ao contrário do ano passado, a substituição da UP inteira faz o piloto largar em último ao invés dos boxes, e as penas não são cumulativas para o GP seguinte: se a posição na classificação não permitir que se pague a pena, uma punição por tempo será aplicada na corrida.
De qualquer forma, a atualização só é um alento caso a montadora saiba o que está fazendo os motores quebrarem tanto. E, nesse caso, a Honda tem vantagem em relação à Renault. Os problemas do MGU-K, por exemplo, foram compreendidos e não deram dor de cabeça na China. Veremos se sobrevivem ao Bahrein.
