Esqueça a comparação inócua de talento. Senna, Prost, Mansell e Piquet eram os melhores para dirigir aqueles carros, Hamilton, Alonso, Webber, Button e Vettel são os melhores para guiar esses. Lewis oscila entre dias de Senna e dias de Mansell; Fernando tem momentos de Prost e de Piquet, e por aí vai. As fotos dos concorrentes ao título de 1986 e de 2010 escondem outras verdades.

Como um piloto brasileiro, portanto, chegaria na idade certa e com a maturidade devida à F1, com chances de progredir, se não temos sequer uma base decente por aqui? Nelsinho Piquet teve essa chance, era apoiado pelo programa de desenvolvimento da Renault, assim como Di Grassi também foi, mas ninguém teve o trabalho como o de Lewis, que veio desde o kart. E é difícil esperar que isso venha de alguma empresa brasileira.
Mas não há constraste maior que o cenário. De uma lotada e frenética Adelaide, a uma pálida e inóspita Yeongam. De um circuito de rua, para um Tilke. Mudança de foco fundamental para a sobrevivência econômica da categoria, a renovação tirou um pouco da graça da disputa. Se começarmos com a velha legenda: Senna, que odiava Prost, que odiava Mansell… paramos logo nos dois primeiros da foto. Hoje é crime marqueteiro até ter inimigos na F1.